Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

Nuno Moreira de Almeida - Doses de selecção

(...) Com todos os problemas de foro político, económico e social que assolam triste e inexoravelmente este país, parece ser mais importante dar relevo aos Maniche's, aos Cristianos Ronaldo's, aos Deco's e afins, do que àqueles que foram mandatados pela maioria dos portugueses para resolverem ou atenuarem os males que diariamente nos angustiam e nos atiram para a última carruagem da Europa.
Se alguma dúvida houvesse que somos cada vez mais o Brasil da Europa - mesmo olvidando os milhares de brasileiros que pululam no nosso futebol - creio que toda esta histeria em torno daqueles vinte e tal rapazes que vão à Alemanha disputar o Mundial de futebol, dissiparia a mesma.
Quando mais nada nos motiva e orgulha, impingem-nos doses diárias massivas de selecção nacional de futebol para manter a populaça entretida.
Só espero não ver - de novo - aquela pateguice da moda das bandeiras nas janelas, por parte daqueles que passam o ano a vilipendiar o país onde nasceram, mas que só nestas alturas em que um brasuca crente na Nossa Senhora do Caravaggio apela ao seu patriotismo, se lembram que são portugueses.
Haja paciência!
Nuno Moreira de Almeida

publicado por quadratura do círculo às 19:14
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Amora da Silva - Professores e sindicalistas

No Estatuto da Carreira Docente, negociado quando Cavaco Silva era 1º Ministro, para os professores acederem ao 8º Escalão tinham de aprentar um trabalho de carácter científico ou pedagógico tendo de fazer a sua defesa pública. Os sindicalistas conseguiram negociar e ficarem dele desobrigados.
António Guterres (quem não se lembra da sua paixaão pela educação?) querendo angariar votos prometeu aos professores acabar com a dita prova. E cumpriu.
Desta vez, quem ler o ponto 6 do artº 41, fica a saber que os sindicalistas (alguns deles nunca chegaram a dar aulas e fizeram toda a sua vida profissional defendendo - que generosidade, meu Deus! - defendendo os direitos dos seus colegas que às vezes nem sequer são gratos) estão dispensados de avaliação.
Não seria de, à semelhança da limitação de mandatos de cargos para políticos, limitar o número de anos de actividade sindical?
Não seria vantajoso para o país, para os professores, para a educação a sua extinção? Eles próprios começam a reconhecer que ninguém lhes liga nenhuma.
Amora da Silva
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Nuno Monteiro - Avaliação de professores

Este é um processo que dará que falar. O Ministério já “abriu” uma porta e libertou para o terreno uma informação: os professores e educadores poderão ser avaliados pelas famílias. Estaremos perante uma manobra de diversão. Assim, vai sendo discutido o “sexo dos anjos” e o Ministério vê-se liberto para o seu exercício (difícil) na procura e definição de uma solução. Junto uma proposta:
É difícil avaliar o trabalho dos professores.
Não serão certamente os pais a realiza-lo. A menos de uma situação a descrever mais à frente. Os professores não se podem sentir reféns das famílias (no processo da sua avaliação, de que dependerá a sua promoção) quando têm em mãos as avaliações dos respectivos educandos.
Para além do facto de, realmente, os pais estarem longe das escolas e longe dos critérios de avaliação que, se exige, tenham uma componente técnica inatingível pela sua esmagadora maioria.
Mas, temos que avançar.
Os professores estavam habituados a uma progressão automática na carreira. Os sindicatos dizem que não era assim, pois tinham que fazer formação para o efeito. Uma verdade sem efeitos. A realidade é a de que a formação é muitas vezes inútil, dinamizada pelos próprios sindicatos que faziam dessa actividade um negócio e, na prática, resultava sempre na progressão de todos dos docentes, nos momentos determinados e sem dificuldades de maior. Todos chegavam no mesmo tempo ao topo. Os muito bons, os bons, os razoáveis, os medíocres, os maus…
O recurso às avaliações dos respectivos alunos (mesmo que em exames nacionais) para avaliar os docentes não é exequível. Os alunos são muito diferentes de escola para escola o que traria benefícios para um mau professor numa escola de alunos originários de famílias formadas, equilibradas e atentas e prejuízos para um bom professor numa escola de alunos problemáticos.
As avaliações feitas por inspectores que assistem às aulas também seriam muito subjectivas, criaria mau ambiente e seriam levantadas constantes questões sobre as competências (dos inspectores) de todo o tipo e sobre a superioridade técnica desses inspectores que lhes permita avaliar e “decidir” sobre a progressão dos avaliados.
Assim, não se pode ir por ai, por acolá, por aqui. Então, como fazer?
A minha sugestão:
Em primeiro lugar teremos que passar a mensagem que as progressões serão sempre só para alguns e limitadas. Que a perspectiva de atingir o topo da carreira é para todos, mas só uns lá chegarão. Sendo difícil classificar os docentes como bons ou muito bons, há uma outra abordagem à questão que pode resultar. Será identificar os menos interessados e esses não seriam promovidos…
Poderiam progredir todos os docentes que:
1)Tivesse tido a última progressão há 3 ou mais anos.
2)Tivessem dado todas as aulas previstas a todas as suas turmas nos últimos 3 anos (o número de aulas/disciplina obrigatórias). Aqui teria um papel importante a activação do processo de substituição de docentes faltosos: os docentes estariam na Escola durante os seus períodos não lectivos e estariam prontos para substituir o colega, não para dar uma aula deste, mas para adiantar uma aula sua. Essa aula seria reposta pelo colega, depois.
3)Tivessem completado nesse ano, na sua escola, 3 ou mais anos em funções. Dando relevância aos docentes estáveis, que contribuem para a estabilidade dos quadros da escola e do trabalho plurianual em seu favor.
4)Tivessem realizado uma determinada formação predefinida pelo Ministério (que estabeleceria conteúdos nas transições de escalão) em períodos e horas não lectivas (sem prejuízo para os alunos).
5)Não tivessem, nos últimos 3 anos, problemas de comportamento e/ou processos significativos levantados pelos pais ou pela Escola com decisão final em desfavor do docente.
6)Que se encontrassem dentro do plafond de cada escola (número de progressões determinadas como máximo por ano e escola).
Finalmente, se o número de docentes, nessa escola, em condições de promoção nesse ano ultrapassassem o plafond definido,
7)Sejam escolhidos pelos órgãos dirigentes da Escola. Os critérios seriam quaisquer uns, a definir por esses órgãos ao abrigo da sua autonomia. No entanto, o critério de promover o menos promovido até ao momento, ou o que está à mais tempo sem obter promoção não seria aceite.
O plafond de cada Escola seria determinado a partir de dados concretos e objectivos e de importância relevante para assegurar um bom trabalho de todos, dentro da escola. Assim, haverá mais docentes a progredir numa escola com bons resultados e menos numa escola pouco produtiva.
Consideraríamos como plafond de base, por exemplo, 1/6 dos docentes da escola com horários completos. Ou seja, cerca de metade dos professores da escola com 3 anos decorridos após a última progressão.
Esse valor (número de professores) seria multiplicado por um coeficiente que traduziria a produtividade da Escola e do grupo disciplinar. Como chegar aí? Simples. Com base nas médias obtidas pelos alunos da escola ano após ano, nos exames nacionais. Se evoluírem, aumenta o plafond. Se andarem para trás, reduz-se o mesmo.
Até termos valores comparativos (alguns exames nacionais ainda não se realizam) o coeficiente manter-se-ia em 1.
Por exemplo, uma escola com 60 professores. Teria um plafond base de 10 progressões naquele ano. Se a escola apresentasse uma média de notas igual a 80% da média nacional no ano anterior e subiu para 85% dessa média nesse ano, o plafond subiria para 11 ou 12 professores (formulas a definir). Se a sua média se reduzisse, aconteceria o inverso e apenas 8 ou 9 professores seriam promovidos.
Poder-se-ia fazer uma análise disciplinar e por níveis de ensino. No entanto, para simplificar, poderiam ser consideradas apenas as médias globais.
O resultado disto é que a Escola teria que “aprender” a funcionar e a “produzir” como um todo.
Os professores em funções (exclusivamente) não lectivas responderiam aos critérios aplicáveis.
Finalmente, o processo teria que ser adaptado aos estabelecimentos de infância e aos educadores, onde, aqui sim, se chamariam os pais para os avaliar…, substituindo-se às notas dos exames (que não existem).
Julgamos que poderemos ter aqui um modelo justo e equilibrado. Motivador e aglutinador de vontades. Teremos, de certeza mais professores nas escolas, a trabalhar em conjunto e com objectivos claros, com repercussão directa na sua progressão.
Claro que isto não passa de uma ideia, que teria de ser muito amadurecida. Mas, julgamos, de simples, justa e eficaz aplicação.
Nuno Monteiro



publicado por quadratura do círculo às 19:09
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João Gomes Gonçalves - Política e futebol

1. Com esta televisão (publicidade incluída) e este futebol, Salazar ter-se-ia coroado imperador vitalício, na praça do Império, em cerimónia de grande pompa e circunstância. O seu corpo embalsamado estaria num panteão, construído pelo regime, e hoje centenas de milhares de portugueses iriam, em peregrinação anual, render homenagem ao pai da Pátria, sob o olhar discreto e vigilante da recauchutada “DGSP-Direcção Geral de Segurança dos Portugueses”, última versão da PIDE.
A velha critica, da oposição, à trilogia “Futebol, Fátima e Fado” foi metida na gaveta e os poderes públicos (Governo e Autarquias), políticos, empresas publicas, televisões, bancos etc. colam-se ao futebol; os primeiros para angariarem um suplemento de popularidade, as empresas para negócios variados, claros ou não.
Esta mancebia da política com o futebol tem implícita a venda da alma a Mefistófeles, que informado sobre as modernas operações financeiras na bolsa, cobra taxas de juro especulativas, que todos nós acabamos por pagar no bolo geral dos impostos cobrados pelo Estado.

2. Pela forma como o mundial está a arrancar – dupla Madail-Scolari quer todo o povo, especialmente as mulheres, a apoiar a selecção: omnia pró Pátria!, tudo pela Pátria! – e pela relevância que as televisões começaram a dar ao acontecimento, desde a ementa do pequeno almoço, o percurso do autocarro, até às entrevistas e “biografias” dos heróis nacionais, vamos atingir o clímax da emoção patriótica, ou a náusea das overdoses de droga, pois é mais uma mega operação de intoxicação que está em marcha: a cerca de um mês do mundial, as televisões conseguem a façanha de fabricar diariamente notícias da selecção. O que nos estará reservado quando começar o mundial? A insignificância no seu esplendor máximo, com honras de primeiro-ministro no primeiro jogo da selecção nacional!
Peço desculpa mas não resisto a transcrever parte do diálogo de um “repórter” com um “herói” (alguns já lhe chamam deuses) da nossa selecção; inquirido sobre o penteado, retorquiu “o meu cabelo cresce para cima, pareço o João Broncas”, tudo no noticiário das vinte horas.
Sócrates, especialista nos meandros destas campanhas pode aproveitar a deixa para retirar o subsídio de férias aos reformados: quando a ressaca passar estarão mais conformados.

3. Comparativamente com o Euro 2004, a dupla Madail-Scolari lançaram uma inovação: a mobilização intensiva das mulheres como objecto de marketing para vender o seu produto, no caso a selecção. São os cartazes monumentais, com esbeltos corpos femininos, os anúncios publicitários e a operação da mega bandeira nacional, formada com 18 mil participantes, exclusivamente femininas porque a dupla é contra a descriminação sexual num desporto só de homens.
A campanha do mundial é uma enorme cadeia de negócios para vender tudo o que possamos imaginar: camisolas, cachecóis, bonés, malas, sacos e saquetas, edições especiais em jornais, revistas, livros, DVDs, colecções de cromos, pratos, copos, canecas, peças de “artesanato industrial”, etc., etc.. Resumindo, produtos para todas as idades, grupos sociais e sexos, para pobres, remediados e ricos, mas o jackpot vai para as transmissões televisivas com os milhões de audiências em todo o mundo.
O negócio movimenta milhões e tem como estratégia transformar o campeo-
nato do mundo num produto essencial para consumo ( uma necessidade virtual) de milhões de milhões de adeptos.
Como negócio que é, o contributo do futebol para o PIB, através do aumento do consumo das famílias, com os produtos acima referidos, deve ser convenientemente estudado pelos economistas, Banco de Portugal incluído. Aquele consumo contribui para relançar a economia, para a implantação e desenvolvimento de empresas com tecnologia de ponta (como se pretende com o choque tecnológico), para o equilíbrio da balança comercial, para a diminuição do défice orçamental? No fundo, aquilo que se espera de um desígnio nacional... ou não passa tudo de conversa de entretenimento e vamos continuar a apertar o cinto?

4. As lições do Euro 2004 já foram esquecidas ou não foram sequer aprendidas. Aquele desígnio nacional, que nos teria projectado no mundo, desde a ONU ao Grupo dos 8, à conta de muitos milhões gastos e outros milhões de dívida, durante vinte anos, em algumas autarquias, não evitou o monstro e os vários défices que nos persegue, mas um povo audaz e aventureiro não olha a trocos.
Ambicionamos chegar à final contra o Brasil, país campeão do mundo por várias vezes, que está na senda do progresso e do bem estar, como acabamos de ver com os recentes acontecimentos em São Paulo e cujo futebol é, talvez, dos mais corruptos do mundo. Se não tivermos a sorte de defrontar o Brasil, a Itália também serve, pois o futebol italiano também é um modelo de transparência desportiva.
Pelo que nos toca, em matéria de corrupção no futebol, paira uma nuvem de mistério. Fala-se, diz que disse, e mesmo quando alguém vai mais longe “há muitos sacos azuis, muita contabilidade criativa e muito dinheiro sujo no futebol”,(1) fica tudo na mesma - como é ilustrado com o processo «Apito Dourado» (...) - ou as autoridades, em lugar de investigar, exige provas ao denunciante.
O relatório do Grupo de Estado contra a Corrupção, do Conselho da Europa, sobre a corrupção em Portugal, veio explicar-nos o que todos sabemos há muito e não vislumbro sinais de que o seu destino seja diferente de outros relatórios: a gaveta da secretária, da gaveta para a prateleira e depois da prateleira para o pó do esquecimento.
No caso específico do futebol, políticos, governantes, e autarcas, continuam a assobiar para o lado e a correr aos camarotes VIP dos estádios. Brevemente os deputados irão pedir dispensa de ponto ou justificar, como trabalho político, as faltas dadas com as deslocações ao mundial na Alemanha? Pago para ver.
João Gomes Gonçalves



publicado por quadratura do círculo às 19:05
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António Carvalho - "Fontes de ignição"

Com os incêndios florestais na linha do horizonte, os seus principais intervenientes marcam desde já as suas posições e influências através da criação de factos artificiais que em nada os dignifica. Aquele quadro realista de abnegados bombeiros, soldados de uma batalha de paz cujo lema “vida por vida” lhes granjeava uma aura de respeito e gratidão, parece, às suas próprias mãos, estar condenado a cair por terra. Os litígios com o Instituto Nacional de Emergência Médica por causa das chamadas do 112 arrastam-se no tempo. As “guerras” com o Governo por causa das Brigadas Helitransportadas (GIPS) compostas por elementos da Guarda Nacional Republicana e pela nomeação de militares para os comandos operacionais de Distrito bem como do Presidente do SNBPC, já tem barbas, (o último esteve no cargo nove dias, sendo fortemente contestado por autarcas e bombeiros de todo o País talvez por ter tocado na ferida quando falou em “coesão sem protagonismos”). Estas situações levam a encarar estes organismos como grupos de interesse que se querem à margem do Estado com leis e hábitos próprios, tal a arrogância que certos “senhores” demonstram.
Pelo levar da carruagem, o que sobressai a olhos vistos é a total falta de interesse, de uns e de outros, em prevenir e evitar a já habitual vaga de incêndios, vista como um maná vindo da terra para alimentar “economias” que de outra forma estavam condenadas à falência.
Um Bombeiro, na verdadeira acepção do termo, para além de ser aquele individuo que pertence a uma instituição de assistência pública encarregue do combate a incêndios, fazer salvamentos e socorrer sinistrados, também trabalha com “bombas” e arremessa “bombas” e é um exímio tocador de bombo!
De uma vez por todas entendam-se e ressuscitem o sentido de voluntarismo e abnegação que há muito jaz esquecido.
“Queimados” já nós estamos há muito com estas “estórias” sazonais!
António Carvalho
publicado por quadratura do círculo às 18:58
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Nuno Monteiro - Tarefas da Educação

Na Educação, o Ministério terá duas tarefas fundamentais pela frente: a Gestão e Autonomia Escolar e a revisão do Estatuto da Carreira Docente.
A Ministra começou bem. Identificou os problemas do sector e avançou para a sua resolução. Mas, como em todos os processos de mudança, encontrou resistências. Para poder continuar e consolidar intenções e processos terá que agir naqueles dois campos.
Não quer isto dizer que não tem outras tarefas pela frente. Tem mesmo. Saliento as avaliações: dos alunos (4º e 6º anos), dos docentes (diferenciando-os e promovendo apenas os bons) e do sistema (detectando boas e más práticas e potenciando melhorias); o reordenamento (efectivo) da rede escolar (num nível acima do autárquico); a revisão do modelo ETI (que não é viável se baseado no modelo de funcionamento normal); e do processo de substituição de docentes (cada docente terá que dar X aulas a cada turma no ano lectivo, pelo que, estando na escola nos seus períodos não curriculares, avançaria sempre para substituição do colega faltoso, dando uma sua aula e não a aula do colega que o substituiria noutro dia, repondo a sua falta);
Mas será naqueles dois assuntos que as decisões e alterações serão mais importantes pois apenas a partir daí é que tudo o resto poderá ser feito. Assim:

Gestão e Autonomia Escolar
A Gestão escolar, como todas as gestões de todas as organizações terá de ser profissionalizada. O Gestor de uma escola terá de ser, sempre, aquele que assegurará o melhor cumprimento do cargo. O que não exige que seja um professor. Mas que também não os exclui.
Os gestores das clínicas e dos hospitais já deixaram de ser (obrigatoriamente) os médicos. Também nas farmácias. Os gestores dos restaurantes nunca foram os cozinheiros… Porque manter, em Portugal um sistema caduco que a Europa já não usa? Será por termos ainda uma Constituição “rumo ao socialismo”?
Gestão democrática? Que absurdo. Desvantagens: eleitos por professores, as Escolas são geridas para satisfazer as necessidades dos eleitores e não as dos alunos; os professores eleitos não estão preparados para a tarefa. Nomeadamente para gerir os recursos de todos os contribuintes que sustentam as suas Escolas. E, usualmente, são eleitos os menos rigorosos, pois assim, a exigência (de trabalho e resultados) será menor…
Tudo isto não é generalizável, mas é tendencial e maioritário no País.
O caminho a seguir: um Gestor profissional (formação de base gestão ou pedagógica acrescida de formação específica em gestão escolar e/ou experiência mínima num órgão de gestão) que se candidata à gestão escolar com programa e equipa.
O Gestor é eleito por um Conselho proporcionalmente representativo e democrático da Escola e do Meio que inclui na devida proporção, os representantes eleitos pela população (em eleições locais e outras). Afinal estes são eleitos para gerirem os seus recursos (impostos). Têm que zelar, directamente, por estes.
O Gestor, sendo professor não poderá ter nenhuma ligação à Escola para a qual se candidata. Nem no passado (5 últimos anos) nem no futuro. A fim de assegurar que a sua gestão não se prende a interesses e grupos internos. O restante grupo de gestão deverá ser da escola (assegura o conhecimento do “ambiente” interno) e poderá incluir, não só professores, como outros funcionários de formação superior, caso existam (gestores, juristas, etc).
Os sindicatos docentes não vão gostar. Pois não. Contam com as escolas como a sua coutada… Mesmo sendo estas as organizações europeias com piores resultados e maiores despesas.

Revisão do Estatuto da Carreira Docente
Nem defenderia uma revisão. Faria, antes, uma Clarificação. Porque é isso que se torna necessário fazer. Uma revisão daria aos Sindicatos razões para começar a falar em atentado a “direitos adquiridos” e a “conquistas de Abril”.
Não. Bastará clarificar. O grande problema tem sido a interpretação dos sindicatos sobre alguns assuntos definidos (mal) pelo Estatuto actual (direitos, para os sindicatos) que tem sido, passivamente aceites pelas sucessivas tutelas.
Tutelas essas que, vindas dos meios docentes (grande parte dos decisores têm sido professores em upgrade político) tem aceite e deixado praticar esses mal entendidos.
Assim, é preciso clarificar que interrupções de actividades lectivas são férias só para os alunos e que os docentes têm outras funções e tarefas nas escolas que não apenas as suas funções exclusivas.
Assim, é preciso clarificar que os Gestores (sim, os tais professores eleitos por eles próprios) não podem, de forma nenhuma dispensar quem quer que seja do seu trabalho, dando “férias” por “ausência de serviço”. Pelo menos (digo eu) enquanto as Escolas Portuguesas não forem as melhores do Mundo… ou da Europa… ou pelo menos até estarmos na média… ou, se tudo isto for muita ambição, pelo menos até deixarmos o “rabo da lancha”…
Assim, é preciso criar condições de trabalho para os docentes estarem na Escola todo o seu tempo de trabalho. Que deve ser igual ao dos outros trabalhadores. Hoje isso não acontece porque as Gestões (de professores) não trabalham para isso. Pois é sempre um bom argumento para manter a situação actual referir que não há condições…
Assim, é preciso clarificar que cabe, também aos professores e educadores, assegurar actividades de ocupação de tempos livres nas Escolas e Infantários nos períodos de interrupção da actividade lectiva e educativa. Desenvolvendo outras actividades, libertas de currículos, programas e avaliações. Mas pedagógicas e sempre dentro do seu âmbito de actividade. Que poderiam também ser realizados por outros, mas que são melhor realizados por eles, pela sua formação e pela sua disponibilidade naqueles períodos. Dentro dos seus horários de trabalho.
Assim, é preciso clarificar que as reduções de actividade lectiva e educativa automáticas, ao longo das carreiras de alguns docentes, são acompanhadas de aumentos da actividade não lectiva e não educativa e que os Docentes de 1º Ciclo e Educadores, não usufruindo daquela redução gradual poderiam e deveriam ser “libertas” daquelas actividades, mais cedo, em relação á idade de reforma, assegurando o enquadramento das actividades não lectivas (alargamento de horário e actividades em Escolas a Tempo Inteiro) cada vez mais necessárias.
Finalmente, seria admissível, para assegurar que os sindicatos poderão aceitar estas mudanças, que se criassem 3 anos sabáticos a situar (aproximadamente, pois no 1º Ciclo poderá depender do ano escolar que estiverem a assegurar, dentro do ciclo de ensino) no 15º, 25º e 32º anos de carreira quando o docente ficaria liberto das actividades lectivas, dedicando-se totalmente a actividades não lectivas na sua escola e a acções obrigatórias de formação actualização.
Para bem da nossa Educação, esperamos boas novas, este Verão, sobre estes assuntos.
Nuno Monteiro





publicado por quadratura do círculo às 18:53
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