Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

João Gomes Gonçalves - Perguntar ofende?

Quantos cães e gatos foram abandonados, na estrada, nas férias deste ano?

 

Porque será que no PS só o deputado João Cravinho sabe que existe corrupção de colarinho branco em Portugal?

 

Se os EU fornecerem a tecnologia e os equipamentos o Irão poderá fabricar a bomba atómica?

 

Quantas toneladas de lixo foram atiradas para a areia das praias nas férias deste ano?

 

A destruição que Israel causou no Líbano é igual à destruição de 1.000 ou de 1.500 aviões de passageiros abatidos por terroristas?

 

O Sporting já não está falido? E ou outros clubes também não?

 

Quantos quilos de droga se vendem nos festivais de música de verão?

 

Quando será inaugurada oficialmente a guerra civil no Iraque?

 

O deficit do Estado não inclui as autarquias e estas podem endividar-se como quiserem?

 

O Kuwait foi «libertado» em 1991 pelo Bush pai. Já tem eleições livres?

 

Os portugueses (elas também) que lêem um livro na praia contam-se pelos dedos das mãos: quantos dedos?

 

Os cidadãos americanos, residentes na Arábia Saudita, estão proibidos de assistir às execuções públicas efectuadas naquele país?

 

O que faltará para o futebol português bater no fundo do poço?

 

A base das Lajes é portuguesa?

 

Se o pacto para a justiça não incluiu o combate à corrupção de colarinho branco serve para julgar mais depressa os assaltantes de galinheiros?

 

Bush fala com Deus ou está enganado e fala com o Diabo?

 

O que impede os homens de aprenderem a viver em paz?

 

Quando o preço do petróleo desce o que acontece ao preço da gasolina?

João Gomes Gonçalves

 

 

publicado por Carlos A. Andrade às 16:41
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Mário Martins Campos - Pacto da Justiça

O pacto de regime assinado pelo PS e PSD, em torno da reforma para área da justiça, deverá ser visto com um alcance maior, do que um mero acordo politico/partidário, sobre uma qualquer área sectorial. Não o acordo em si, mas o princípio que não poderá frutificar, e deverá ser controlado em nome dos alicerces do estado democrático.

Por princípio sou contra acordos desta natureza, uma vez que com este tipo de abordagem da vida politica, se retira a essência da oposição em democracia, bem como se esvazia o papel do parlamento, na apresentação, discussão e aperfeiçoamento das leis que nos regem, enquanto estado de direito democrático. 

NA área da justiça, sendo uma área basilar do estado democrático, onde deverá existir um conjunto de directrizes comuns entre as diferentes forças políticas, sem as quais o desalinho destas, com o próprio estado democrático será inevitável, não me parece critica a actual situação de acordo e consenso. Penso mesmo, que outras áreas poderiam beneficiar com acordos desta natureza, envolvendo o maior número de partidos possível, no sentido de agilizar o processo reformista, de áreas onde as reformas necessárias, se resumem á implementação do “bom senso”, sem clivagens ideológicas. São disso exemplos, algumas das áreas do Ministério da Administração Interna e da Administração pública.

No entanto, é importante deixar de fora um conjunto de outros sectores, onde a diferença de opiniões político/ideológicas das forças partidárias, só poderão acrescentar valor, às soluções e à democracia.

A alternância democrática é um fundamento base deste estado de direito. Só com propostas diferentes é possível diferenciar e escolher os programas apresentados, pelos diferentes partidos, e dinamizar o processo de decisão que compete ao cidadão eleitor efectuar.

Uma oposição forte, com soluções alternativas para os problemas da governação, só poderá fortalecer e enriquecer as propostas do Governo.

Marques Mendes, com este acordo, quis não só dar um importante contributo para reforma do sistema judicial, como quis igualmente marcar um ponto na sua credibilidade de Homem de Estado, com propostas concretas para uma determinada área. Falta-lhe ainda ter a consistência necessária, em outras áreas, onde a concordância não será possível e onde a alternativa será vital.

José Sócrates, por seu turno, aproveitando a convergência com a oposição, quis ficar associado à reforma do sistema judicial. Quis contudo, desde já marcar o limite, para o que fez passar a mensagem, que está disposto a acordos, mas com parcimónia e muito bem seleccionados, a bem do sistema democrático e parlamentar.

Mário Martins Campos

publicado por Carlos A. Andrade às 16:38
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Pedro Santos - Adaptar o País

Portugal... Portugal... Portugal...
Até eu, um leigo em aspectos económicos percebo que maior taxação sobre os produtos e serviços leva a que a economia desacelere. Pelo menos assim penso. Mais impostos, maior o preço dos produtos, o "dinheiro vale menos" porque compro menos coisas, se compro menos coisas, as empresas pagam menos contribuições em IVA e IRC, se pagam menos, o estado tem menos, e sem tem menos, aumenta ainda mais os impostos, e assim sucessivamente, num círculo interminável. Deviamos adaptar o país à sua dimensão, pequenina... e deixar de importar o que os outros fazem. A nossa macro-economia pode-se considerar quase micro-economia, e como tal podia-se fazer quase contas de merceeiro com o nosso país. Em nossa casa, se nos falta o dinheiro para o pão, não vou ao cinema. No nosso estado, se nos falta o dinheiro para pagar reformas e para baixar os impostos, se calhar devia-se deixar de lado o supérfluo. Leio com apreensão que todos têm secretárias, adjuntos, motoristas e mais motoristas, enfim, ninguém já consegue fazer alguma coisa, qualquer dia precisam de alguém para lhes mastigar a comida. Posso estar a parecer demagógico, podem dizer que não estou a ver "o big picture", que tudo é necessário. Bem, até pode ser, mas se não há dinheiro, tem de se abdicar de alguma coisa. Parece que o que acontece é que outros fazem o trabalho para depois se colherem os créditos. Se não for para isso, e se realmente trabalham, então ainda menos se justifica a presença de tantos funcionários por cada "alto" funcionário.

Pedro Santos

publicado por Carlos A. Andrade às 16:36
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João Gomes Gonçalves - "Liga desligada"

O mundial de 2006 terminou em beleza: um conjunto de jogos de medíocre qualidade, que não entusiasmou ninguém, além dos «fanáticos» de cada país, uma exibição de indisciplina e agressividade gratuita, protagonizada por duas selecções de países da Europa civilizada (Portugal-Holanda) e a encerrar, com chave de ouro, a famosa cabeçada de Zidane, que se desdobrou em subtis e inconclusivas averiguações e inquéritos. 

A nossa Liga, encerrou a época passada com o folhetim da falência do Sporting – um aviso à navegação sobre a saúde financeira de muitos clubes, que todos fingem ignorar -, colocada em banho-maria de negócios imobiliá-

rios, e começa também em beleza: na base, as claques já inauguraram a época com o vandalismo habitual, na cúpula os dirigentes entretêm o povão com  apaixonantes telenovelas: o «caso Mateus» e as subtis nuances entre direito público e «direito desportivo», de ética mais elevada: as revelações sobre o processo designado «Apito Dourado», oportunamente deslocado das neblinas de negócios opacos e chorudos para a descoberta da pedra filosofal, no caso, designada pela verdade do jogo. Nota curiosa, o presidente da FPF, Gilberto Madail, tornou-se invisível e mudo: nada tem a declarar sobre a barrela.

A  recente troca de galhardetes entre Filipe Vieira e Valentim Loureiro, transmitida em directo pelas televisões, é um bom indicador do nível dos actores. O futebol português contínua a girar, em roda livre, sem que ninguém saiba onde termina o fundo do abismo, mas curiosamente os seus principais promotores – políticos, governantes e autarcas – fingem que não percebem.

Esta feliz conjugação de acontecimentos é um bom indicador da grande utilidade que teve o Congresso Nacional do Desporto (leia-se do futebol), realizado recentemente pelo Governo.

Cito: Com o Congresso do Desporto, o Governo quis "introduzir um modelo de desenvolvimento desportivo aberto e sustentável", que aposte numa "gestão participada" e na qual a iniciativa das autarquias, do movimento associativo e das entidades públicas e privadas seja "o motor da mudança". Se conseguiu... só o futuro o dirá!

Este Congresso terá servido ainda para o legislador aferir das condições actuais do desporto nacional, com o intuito claro de "preparar uma nova Lei de Bases do Sistema Desportivo".

É óbvio que esta linguagem em «politiquês» necessita de ser traduzida: o objectivo, não confessado, do Governo  com estas duas iniciativas é simples e prosaico: como as receitas geradas pelo Euromilhões disparam em flecha, trata-se de sacar dinheiro à Santa Casa para continuar a alimentar as taras do futebol.

É uma original e moderna forma de redistribuição: tirar aos necessitados (quantos milhares de idosos, crianças, famílias em situação de grande carência!?) para dar aos ociosos. Que um Governo dito socialista conceba semelhante aberração é digno de ficar na história.

Diversos comentadores referem o óbvio de tudo isto: o  planeta do futebol é cada vez mais um universo surrealista, generosamente sustentado pela complacência dos  poderes públicos (Governo e Autarquias) e da sociedade em geral, onde um punhado de «artistas» consegue viver faustosamente. Como já disse Vasco Pulido Valente, noutras circunstâncias, pedir aos interessados que regenerem o futebol é o mesmo que pedir às prostitutas que reformem o bordel.

O futebol não é o sector mais corrupto do país – ainda não chegamos ao Brasil – mas a corrupção no futebol é, talvez, o factor que mais perverte os valores sociais, pela degradação e laxismo e que difunde entre amplas camadas da população: quer nos estádios, quer nas relações interpessoais do quotidiano, os adeptos aceitam as sucessivas transgressões, golpes baixos  e ilegalidades de jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes, desde que daí resulte benefício para o clube da sua simpatia. Esta simpatia e condescendên

cia pela violação da legalidade difunde uma subcultura em que os fins justificam os meios e transforma  o transgressor em herói.

A subcultura do futebol em Portugal faz lembrar a subcultura da favela latino-americana: a transgressão em clima de brandos costumes.

A mercantilização de diversas modalidades desportivas, não trouxe qualquer benefício ao Desporto e adicionou-lhe inúmeros malefícios e perversões. Longe de contribuir para que a prática do Desporto se alargasse a amplas camadas da população (esta miragem só existe no programa do Governo para o sector) e para o fortalecimento das colectividades e associações populares, criou legiões de adeptos consumidores de bancada e de sofá, alienados em consumir vedetas desportivas, produtos fetiches e vitórias a qualquer preço.

Aquilo que é vendido aos adeptos das diversas modalidades desportivas não passa de uma deturpação grosseira de qualquer prática desportiva:  negócios pouco transparentes, que movimentam milhões, manipulando as diversas  modalidades desportivas transformadas em mercadoria de consumo de massas.

Os valores tradicionalmente associados ao Desporto, que o barão de Coubertin tentou ressuscitar, foram metidos na gaveta e substituídos por mercadorias de consumo: o próprio «atleta» praticante é valorizado e transaccionado como mercadoria, entre clubes ou marcas de qualquer multi-

nacional.

Esta subversão do Desporto só foi possível com a conivência e o estimulo dos poderes públicos, quer se trate de regimes democráticos ou de regimes ditatoriais, que procuram na popularidade das mesmas um suplemento de popularidade para as suas políticas.

A escolha das cidades candidatas às várias Olimpíadas é um negócio de milhões, gerido pelas respectivas instituições internacionais – elas próprias transformadas em  empresas multinacionais, que nenhum pais ou organismo internacional controla.

A Educação e o Desporto situam-se na esfera dos sectores sociais que contribuem, indirectamente, para melhorar e elevar a qualidade e a produtividade da produção nacional, mas no que se refere ao futebol temos uma actividade improdutiva e parasitária que vive à conta dos recursos públicos: como circo é demasiado caro!

João Gomes Gonçalves

 

 

publicado por Carlos A. Andrade às 16:30
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