Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006

Júlio Marques - Ranking de escolas

A senhora Ministra da Educação insurgiu-se (...) contra a publicação destes rankings que considera demasiado pobres para traduzirem a imagem das escolas. E tem toda a razão. Mas devia, então, procurar outras avaliações que dessem conta da realidade das escolas e não o faz. Deste modo, é preferível haver alguma informação do que não haver informação nenhuma. Esta pobre informação também, apesar de pobre, é útil para as escolas. E, quando ano após ano as escolas continuam com péssimos resultados é absolutamente lamentável que nada se faça. Veja-se o caso da Escola de Vilar Formoso que aparece como a última do ranking (ou da Pampilhosa da Serra que não está melhor). A escola até tem óptimas instalações, novas e com muito espaço. Há vários anos seguidos que tem péssimas notas nos exames o que quer dizer que os alunos não fazem as aprendizagens que deviam fazer. (...) Uma aluna queixava-se que por exemplo todos os alunos do Ensino Secundário eram obrigados a ir para a àrea de Estudos Científicos porque não têm outra opção. Provavelmente grande parte dos professores que lá leccionam são professores novos, com pouca experiência, que estão por ali desterrados.
Provavelmente o ministério, apesar dos maus resultados nunca falou com a gestão para analisar o que se passa. E por este caminho no próximo ano a escola será falado pelos mesmos motivos porque nada se faz e estas coisas não mudam por si. Os que lá trabalham Comissão Executiva, professores e funcionários nada farão para mudar porque independentente dos resultados dos alunos receberão pontualmente os seus ordenados no fim do mês. Entretanto os alunos comprometerão os seus futuros pelas aprendizagens que não fazem.
Estes rankings são avaliações pobres mas sem elas todas estas situções gravíssimas continuariam escondidas. Isto só pode acontecer porque nem há avaliação dos professores nem há avaliação das escolas e por isso não há consequências, nada se faz para mudar.
Por isso, tinha razão Amora da Silva num post aqui colocado quando acusava os sindicatos de nada fazerem pelos professores que são colocadas em terras como Vilar Formoso. Que motivação hão-de ter para trabalhar com os seus alunos se o ordenado mal dá para pagar pensão e deslocações, não falando já do afastamento da família? E a Ministra da Educação tem que considerar que estas escolas não podem ser tratadas como as outras escolas e aplicar-lhes a mesma lei. Não pode ser a mesma lei para a abertura de cursos, por exemplo, em Lisboa  e em Vilar Formoso. É preciso dar condições às escolas e exigir resultados.
Júlio Marques
publicado por Carlos A. Andrade às 19:14
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Amora da Silva - Doutores e engenheiros

Uma das nossas marcas lusitanas é a doutorice. E com a facilidade que hoje em dia se tiram cursos "superiores" o número aumentou consideravelmente. Há anos promoveu-se a doutorice quando um qualquer ministro da educação se lembrou que indivíduos com o 5º ano do liceu apenas ou com mais dois anos de um cursi do magistério primário e outros equivalentes lhe bastaria um ano para se licenciarem o que significa ficarem doutores. Foram aos milhares que por esse país fora se licenciaram num ano sem precisarem sequer de deixar de trabalhar. Parece anedota mas não é. O Instituto Piaget foi, então, uma autêntica fábrica de doutores altamente qualificados, quero dizer, classificados. Com tais altas competências assim adquiridas houve ganhos
incomparáveis: Para o país que melhorou consideravelmente as estatísticas no que respeita à % da população com estudos superiores; para os próprios doutores que ascenderam nas respectivas carreiras com salários muito superiores que lhes permitiu reformarem-se (sim porque uma boa parte deles se encontrava no fim da profissão) com confortáveis pensões e por a partir de então terem o não dispiciendo direito de serem tratados por Doutor. Isto que fica dito, para os mais distraídos, não é anedota. É mesmo assim e pode ser confirmado. O que já não tenho dados para confirmar são as notícias que li nos jornais, e aí a gente já sabe que tem de se pôr de pé atrás, foi que algumas Universidades (ou seriam Institutos? mas parece que estes acabaram, como acabaram os bacharéis) estavam a admitir muitos jovens que não tinham o 9º ano de escolaridade porque não havia alunos para fazer turmas. Ora, aí está uma boa maneira de resolver o problema dos alunos que não conseguem concluir a escolaridade obrigatória: matriculam-se na Universidade! Eu próprio fico um pouco confundido ao escrever isto porque como tenho um pouco a tendência de ficcionar fico com dificuldade em distinguir a ficção da realidade.
Mas ter um grau é importante e não o mencionar quando se tem constitui um insulto. Este é um dos menores que, por exemplo, o Dr (dizem que o conseguiu à rasca com um dézito) Alberto João Jardim usa quando as coisas não lhe correm de feição. Foi assim que, em tempos santanistas, se referiu ao Sr. Silva e agora se refere a esse Sr Sócrates. E na verdade o Dr Alberto João Jardim tem razão porque quando se retira o título fica apenas a pessoa como que despida e a nudez com que chegamos ao mundo é o que constitui a nossa natureza comum. E depois um título não tem que ter conteúdo funcional como se prova  com o caso do sr Major Valentim que é um civil mas que ostenta garbosamente o título de Major. Nem é imaginável que alguém possa dizer, referir, chamar sr Valentim. Só por falta de respeito. E se a ética civil é respeitável, da ética militar nem se fala. Porque o tempo em que «ou há moral ou comem todos» já passou. Agora há uma ética para cada profissão, para cada instituição, uma ética para cada regime: Uma ética desportiva, uma ética médica, uma ética republicana, uma ética monárquica, uma ética partidária. E como o senhor Valentim, perdão, Major Valentim sabe existe uma ética autárcica que Kant teorizou na Metafísica dos Costumes. Mas não se apresse sr Major a comprar o livro porque a fonética às vezes engana.
P.S.
Nem de propósito acabei de ver num canal de televisão um homem que não é Dr.
mas é presidente da maior instituição portuguesa - o Benfica - a condecorar o seu homónimo do Futebol clube do Porto com o título de Engenheiro-Chefe.
Já que os Tribunais os não julgam, o povo os vai julgando.
Amora da Silva
publicado por Carlos A. Andrade às 19:00
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