Terça-feira, 1 de Março de 2005

Mário Martins Campos - Choque Ético

Existem afirmações que, ditas com propósito, se tornam declarações lapidares e bandeiras de marca de quem as diz ou para quem as ouve.
A declaração de António Vitorino, à entrada do hotel Altis, sobre o espaço e forma de construção do próximo governo, é certamente uma dessas afirmações. Essa afirmação, é provavelmente a frase mais citada, em todos os meios de comunicação, desde o dia das eleições, e não é por acaso.
Dizer que o “governo não será feito na comunicação social, nem pela comunicação social” (lá vai mais uma citação…) rematando com um “habituem-se”, seria uma frase comum, não estivesse ela carregada de significado político.
O País atravessa uma crise, que muitos tentam iludir, como uma crise de natureza puramente económico-financeira, mas que é muito mais do que isso, pois se junta uma crise de confiança e credibilidade generalizada, muito potenciada pelo modo como a politica tem sido tratada nos últimos tempos.
É preciso pois, dar a volta a este estado de alma.
É necessário, não só novas politicas, como uma nova forma de fazer politica, dignificando-a e trazendo-a para ao pé da sociedade civil, fazendo aumentar nesta o nível de confiança e participação nas soluções para os problemas do País.
Como José Magalhães, também eu acho que estamos em pleno CEEC (Choque Ético Em Curso).
Depois de tantos choques e contra-choques pré-eleitorais, chegou a altura de um verdadeiro choque, que conduzirá a politica, para o lugar que lhe pertence, e fará aumentar o respeito dos Portugueses pela política e pelos políticos.
A forma como José Sócrates está a conduzir a elaboração do seu executivo, é o melhor dos sinais de confiança, que um tempo novo aí vem. É tempo de os políticos deixarem de condicionar as suas vidas e a vida do País, em função dos média e dos sound-bytes. É tempo de trazer a seriedade para dentro do exercício da política, e em particular para o exercício das mais elevadas funções de estado.
A formação de um governo, é um processo de extrema importância, que deve ser tratado como um assunto de estado, no silêncio do gabinete do primeiro-ministro, sem deixar que hajam fugas de informação, por fontes bem informadas, e que vão fazendo saber a bocejos os nomes, as aceitações e as recusas, que fragilizam as escolhas e tornam a formação de um governo, numa colecção de cromos feita na comunicação social.
Outra a afirmação de António Vitorino, menos citada do que a primeira, foi que “não falo de assuntos de estado entre portas”. Esta é uma lição, que muitos dos nossos políticos tem de perceber. Os políticos têm de perceber, de uma vez por todas, que existem duas alternativas. Ou não têm nada para dizer e calam-se, ou têm e falam de forma apropriada. Têm de acabar as afirmações, as respostas, os comentários, feitos à entrada de automóveis, à saída de portas, de costas ou em andamento, porque isso não dignifica a mensagem, nem o mensageiro.
Outro sinal positivo, foi dado por José Sócrates, em tempo de campanha. Num tempo em que todos são simpáticos com todos, e em que um belo sorriso é a expressão apropriada para qualquer momento. José Sócrates conseguiu diferenciar-se, respondendo de forma sisuda, com um seco “não comento”, a questões de relevância nula, feitas por jornalistas em busca de um caso ou contra-caso.
Dignificar a politica e o seu exercício, é um enorme desafio que se levanta ao próximo governo.
Os sinais são positivos. Que assim seja…
Mário Martins Campos
publicado por quadratura do círculo às 18:29
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