Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005

João Pedro Santos - Esquerda e direita

Adquiri, este ano, o direito de votar, que fiz uso de, e por tal, o direito
a uma opinião igualmente ponderada, que merece igual consideração perante a
lei, e isto, para o bem ou para o mal.
Tenho, curiosamente até, seguido os desenlaces de mais um acontecimento
eleitoral, que por si só, envolve um turbilhão de outros acontecimentos
anexos, ironicamente indissociáveis.
Enfim, ouvi, e com clamor, pronunciarem-se despropósitos sobre a direita e
até mesmo a direita radical, fazerem-se menções a uma conjuntura política
que não acho em Portugal. E será esse mesmo assunto que vos trago -
Portugal, um país não balanceado, não só politicamente...
Pois bem, o que não me tem chegado é o debate desta questão, que certamente
explicará uma certa hostilidade para com a "direita" em Portugal. De uma vez
por todas, Portugal é, actualmente, um país nitidamente de esquerda, com um
único partido político assente no centro. A meu ver, ficou muito claro, nos
debates ocorridos que as posições oficiais dos partidos PS e PSD se mesclam
muito frequentemente e daí uma certa precipitação em responder a perguntas
nada convenientes. Por isso, e por outras impressões dificilmente
descritíveis, creio que os partidos de maior peso se escudaram no ataque
mútuo, para evitarem estarem de acordo e suas resoluções se parecerem
excessivamente idênticas. Por muito que não se queira, os cofres estão
semi-vazios e as atitudes do PS roçarão invariavelmente com as do governo
anterior, pelo menos a nível de conteúdos... A austeridade financeira não
permite grandes solidariedades como se populiza. Se os ideais raramente
divergem, como na criação de emprego (e aí sim, mostra-se um fogacho de
centralismo no PSD), e o PS é claramente de esquerda, é aceitável associar o
PSD a uma política de esquerda. Certamente que profano talvez o socialmente
aceite, direi até, o senso comum das pessoas, dos votantes, e talvez de
alguns críticos. É contudo um problema altamente legítimo, que justificará a
presente instabilidade dos governos, que vêm sucedendo.
Acontece assim que, a alternância de governos é, idealisticamente,
praticamente nula, concentrando as políticas desenvolvidas, no âmbito de uma
esquerda tragável, digo, não radical. Desta forma, torna-se preocupante o
sentido das acções que têm surgido. Correcta e justamente, a alternância de
poder deveria realizar-se entre PSD e PP. Há portanto um desequilíbrio
impróprio de uma democracia imparcial e equitativa, cujo parlamento é
invariavelmente tendencioso. Creio ser imperativo reverter este descomando,
pelo bem-querer da nação, independentemente da minha posição política se
identificar ou não com algum dos partidos em causa. Este problema, julgo,
advém da revolução tumultuosa do 25 de Abril, que consistiu basicamente num
corte radical e estigmatizante com uma forma de governo, tendo sido
explorado pelos partidos de esquerda para seu próprio benefício, elevação e
ascensão ao poder. Tal não se sucedeu em Espanha, onde actualmente,
assistimos a uma distribuição satisfatoriamente admissível dos deputados, e
onde há uma alternância de poder saudável, de partidos de centro-direita e
esquerda. É fundamental desnovelar o preconceito da "direita" que impera na
mente dos portugueses, até porque, como disse, não existe em Portugal. É
crítico criá-la.
Há, e penso tê-lo demonstrado, problemas mais fundamentais, que é necessário
discernir, do que propriamente exibir triunfantemente a vitória do PS ao meu
vizinho do lado do PSD, ou matutar na vingança contra o vizinho que é de
esquerda. Desta vez, já não houve tantos buzinões nem tanta festa, o que é
sinal que estamos a crescer, que já não somos democraticamente tão imaturos
como aquando da vitória do Sr. Guterres - que é aquela mais longínqua no
passado que ainda recordo. De uma vez por todas, deixemo-nos de cravos e
"revoluções de abris", guiemo-nos pelo passado e não nos agarremos a ele -
aceitemos a necessidade de ideologias diametralmente opostas às até agora,
pelo bem da democracia, e pela igualdade de direitos que tão banalmente
bradam. O centro é o prumo da democracia, a esquerda e a direita, o tónico
do povo.
Para que não me acusem de alguma cor partidária, sou um "independente". Este é o assunto que aqui deixo, que gostaria, com muito gosto, ver
criticado.
João Pedro Santos
publicado por quadratura do círculo às 18:01
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