Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005

Fernando Calisto - Europa versus China

O problema da liberalização do comércio dos têxteis que agora se concretizou é conhecido há mais de 10 anos, e vem pôr em evidência a nossa incapacidade para resolver o problema. Existem soluções para este problema: evoluir tecnologicamente de forma a produzirmos produtos com outras características e de maior qualidade; criar marcas próprias e controlar desde a produção ao consumidor. O mesmo podemos dizer do calçado. Isto é uma boa solução para a China de finais do séc. XX, será uma boa solução para a China do séc. XXI ?
Hà 10 15 anos atrás os chineses eram conhecidos, e continuam a ser, pelos brinquedos e outros produtos de utilidade doméstica de baixa qualidade, e de facto nessa altura eles não tinham capacidade para produzir muito mais do que isso. Mas, neste momento, eles para além disso, produzem têxteis de baixa e média qualidade, produtos informáticos de todas as qualidades, electrodomésticos de todas as qualidades, entre outros. Com o ritmo de desenvolvimento e de transferência de tecnologia (devido às deslocalizações das empresas da Europa, Estados Unidos e Japão) quais serão as capacidades dos Chineses daqui a 10 15 anos? Quantos sectores da actividade económica a Europa poderá dizer que domina?
A capacidade económica e tecnológica dos chineses está a aproximar-se a uma velocidade impressionante da capacidade europeia e por muito desenvolvimento europeu em alta tecnologia, eles ano após ano aproximam-se.
A deslocalização das empresas é um fenómeno que tem a tendência a aumentar ano após ano, visto que quantas mais empresas se deslocalizarem, maior pressão haverá sobre os preços dos produtos, obrigando outras empresas a seguirem o mesmo caminho.
O poder de compra dos chineses vai aumentar ao ritmo do seu desenvolvimento industrial?
Será que, deixando o mercado funcionar, a Europa tem capacidade para absorver este embate?
Alguém escreveu um livro há mais de 40 anos com o título – Quando a China acordar.
A China já acordou, mas a Europa parece que está a dormir.
Um amigo meu não está tão pessimista e contrapõe que estes problemas são pensados pelos muitos especialistas europeus e que eles estão atentos ao evoluir da economia mundial. Espero que tenha razão, no então a recessão de 1929 nos Estados Unidos aconteceu, a crise económica na Argentina aconteceu, e eles tinham concerteza muitos técnicos especializados que previram os acontecimentos.
Se calhar os nossos especialistas estão preparados para enfrentar tempestades económicas, mas poderemos estar perante um acontecimento que daqui a 100 anos será estudado pelos futuros especialistas como "A Grande Crise Europeia" e o que mais os intrigará é porque não fomos capazes de a evitar.
Fernando Calisto






publicado por quadratura do círculo às 17:48
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