Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005

Mário Martins Campos - Regresso da política

Política: do Gr. politiké-Substantivo feminino-Ciência do governo das nações;

Portugal vive um momento em que é necessário revisitar o significado da palavra Política.
A política em Portugal, nem sempre tem sido bem tratada, na essência do seu significado. Nem sempre o seu exercício se tem revelado como a expressão exacta do seu principal objectivo – Governar a nação.
Muitas vezes o exercício desta nobre ciência, que deveria ser uma actividade através da qual são encontradas soluções para os problemas sociais e económicos e são satisfeitas diferentes aspirações, por meio da discussão e do compromisso, transforma-se num jogo de casos e contra-casos que não só desvirtuam o seu objectivo, como concorrem para o verdadeiro descrédito da actividade política.
Em Portugal, existe um afastamento entre o cidadão, os políticos e as politicas, por diversas razões, que deixaremos para outro artigo.
Nas ultimas eleições, existiu, senão um aproximar, pelo menos o estreitar do fosso entre ambos, e a diminuição da abstenção, foi a resposta que os cidadãos deram, como sinal de confiança, de que é possível fazer melhor e diferente. Há pois que aproveitar para se consolidar o caminho iniciado.
Se nos centrarmos nos últimos três anos, encontramos um período em que o exercício da actividade governativa se confundiu com um exercício contabilístico, excessivamente focado, e sem uma expressão concreta das preocupações e dos anseios dos Portugueses. A política viu-se pois completamente esvaziada de conteúdo ideológico, de opções politicas na sua verdadeira essência, e não conseguiu perceber que atrás de cada número existe uma pessoa, uma família, uma comunidade, a quem, e para quem o exercício da actividade politica deve estar dirigida. Chamaria portanto a este período, o período da “politica-contabilística”.
Depois deste período, veio o período da “não-política”. Com a entrada de Santana Lopes para o governo, a actividade política ficou marcada por aquilo onde Santana é inigualável. A emoção, o acontecimento, o caso, o boato.
A sua acção governativa teve a pedra de toque, com que durante anos, alimentou tudo o que era a via mais ligeira da comunicação social. Aí, ele é de facto imbatível. Pena foi, que o exercício da política, tenha sido mais uma vez mal tratado e menosprezado, por coisas e loisas de natureza inferior.
Depois do Presidente da Republica, homem que tem do exercício da nobre actividade da política, um entendimento muito correcto, ter tomado a decisão de terminar com o período da “não-política”, entrámos directamente no período da “não-há-politica”. Ou melhor, em período de campanha.
Sampaio, conseguiu terminar com o exercício constante do descrédito da política, com a dissolução do parlamento, só não foi possível retirar imediatamente, os seus intérpretes de cena (e ainda bem! – vivemos em Democracia).
Assim, no período da “não-há-politica”, continuámos a saga e o descrédito da política não pôde parar. Não pôde parar, porque quem se construiu a si próprio, como político, num ambiente de “politica-light”, não consegue facilmente transitar para o debate político sério e com substância, que o seu principal adversário propôs. A campanha do PSD e de Santana, certamente muito mal aconselhado, pelos estrategas da América do Sul, que não entenderam que Portugal fica na Europa, só contribuiu para o avolumar das chagas que se têm perpetrado na política.
O povo Português felizmente percebeu, por entre o ruído de fundo que se ouviu na campanha, que havia uma alternativa, com propostas concretas para as suas preocupações, e com um nível de seriedade do exercício das funções de estado superior.
Cabe pois, agora ao Eng. Sócrates, trazer de novo a política, para o exercício da política. O período do “regresso-da-política” chegou. Sócrates tem agora a missão, de começar desde já, a construir um governo de forma séria, sem o folclore que já quase nos habituámos (infelizmente!), e que dê garantias da resposta aos principais problemas dos Portugueses.
O desemprego, o crescimento económico, a qualificação dos Portugueses, o combate à pobreza e à exclusão social, têm de saltar para o centro do debate político, e retirar o protagonismo ao “fait divers”, ao boato, às guerras palacianas, à desorientação, ao descontrolo…
Enfim, cabe a Sócrates, mostrar aos Portugueses, que existe uma orientação clara do rumo para Portugal e para os Portugueses, e sobretudo que a Política e os Políticos, não são coisas que “não interessam a ninguém!” e trazê-los para o debate político.
O regresso da política já!
Mário Martins Campos



publicado por quadratura do círculo às 17:42
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