Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005

João Pedro Dinis Francisco - O tempo voa

É na qualidade de militante da J.S. que vos escrevo, mas sobretudo na
qualidade de cidadão que gosta manter um certo distanciamento em relação à
opinião corrente, incluindo a do meu próprio partido.
Nas últimas eleições, confirmou-se a vitória - já esperada - do
Partido Socialista. Votei PS, mas confesso que é com alguma inquietação que
encaro os próximos tempos.
Contudo, e antes de mais, penso que importa fazer a análise do que penso ser
esta vitória esmagadora do PS. Os socialistas têm de ser auto-críticos e
assumir que - e discordando da opinião do José Magalhães - a vitória se
deveu sobretudo às trapalhadas da governação de Santana e Portas, mais do
que às virtudes do programa eleitoral socialista. Isto tudo aliado à crise
económica, ao desemprego e à perda de confiança, que Sócrates agora pretende
restaurar. Portanto, o mérito do líder do PS na conquista da maioria
absoluta fica francamente fragilizada.
Agora, aquilo que considero o mais importante: a mudança de políticas que
se avizinha, sobretudo a política económica. A estratégia seguida por Durão
Barroso - desde a austeridade às reformas que introduziu em vários sectores
- eram as que o país desesperadamente necessitava. E fundamento isto com os
dados presentes em vários relatórios internacionais, como os da OCDE, que
apontavam no sentido das mudanças que foram introduzidas. Neste sentido,
pergunto-me qual será a margem de manobra do PS para reorientar o rumo do
país. De facto, dada a péssima situação nacional, não há muito mais a fazer
senão continuar a política que vinha sendo seguida desde 2001:
flexibilização das leis laborais (ou, pelo menos, não alterar o actual
código laboral); reforma da administração pública - que aliás consta do
programa do PS, mas com moldes um pouco nebulosos - institucionalização da
"meritocracia", reformas na Saúde, Justiça, Educação, etc. Além da baixa do
IRC, para as empresas se tornarem mais competitivas, ao invés de aumento da
despesa pública.
E, além disso, há algo que me preocupa com este espírito socrático. Durão
Barroso, afirmou que era necessário um novo padrão de desenvolvimento:
acabar com a política do betão de Cavaco e do despesismo de Guterres e
permitir que sejam as empresas a tomar a dianteira do impulso para o
crescimento do país; o qual, também se deverá alicerçar nas exportações.
Ora, a primeira medida de Sócrates consta ser o financiamento do estágio de
1000 jovens ligados à área da tecnologia. Temo que esta possa ser um sinal
de uma nova política: aumento da despesa pública, com um Estado mais
interventivo na economia. Portugal precisa de liberalização, de menos Estado
e de uma administração pública ágil e funcional. São estes os vectores que
podem trazer Portugal para o pelotão da frente dos países mais
desenvolvidos.
Por outro lado, durante a campanha, não foram feitos apelos a sacrifícios
inevitáveis. Ao invés disso: "confiança", "esperança". Um / (O) cenário
rosa... Ora bem, para que haja os tais 15000 postos de trabalho, as empresas
têm de crescer (isto, claro, excluindo a opção suicida de os criar dentro do
Estado). E como se consegue isso? Produtividade. Ou seja, os portugueses têm
de trabalhar mais. Só assim se conseguem empresas saudáveis, postos de
trabalhos e aumentos salariais. O PS não pode fazer outra coisa senão isto.
Mas mencionou-o no seu programa eleitoral? Só confiança e mais despesa
pública não resolvem a situação.
Por último, duas notas. A primeira consiste numa crítica ao Pacheco
Pereira quando diz - no último programa da SIC - que a aliança com o PP
foi uma má escolha. É evidente que não foi das melhores opções. Contudo, os
benefícios da estabilidade - que, apesar de tudo, se verificaram durante 2
anos e meio - compensam um certo deslocamento de eleitorado. É que, mesmo
com outro partido no governo, Durão Barroso conseguiu, no essencial, iniciar
- e penso que se ficou apenas pelo iniciar - as políticas que constavam do
programa do PSD. Isto também para dizer, que foi sobretudo devido aos
benefícios da estabilidade - só possível com a maioria absoluta - e à recusa
do populismo e da histeria de Santana Lopes que votei no PS
A outra nota prende-se com o que já foi exposto: perante o actual estado
do país, mais do que políticas de esquerda ou de direita, há boas e más
políticas. Esperemos que o PS se decida pelas boas. É que não tempo a
perder: Tempus fugit.
João Pedro Dinis Francisco


publicado por quadratura do círculo às 17:22
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