Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005

Fernanda Valente - Oportunidade do PP

À semelhança de José Sócrates, também o Partido Popular de Paulo Portas tem agora uma oportunidade única de reverter a seu favor, uma determinada franja do eleitorado, e num menor curto espaço de tempo do que à partida se possa imaginar. O resultado destas eleições revestiu-se, em toda a linha, de situações pouco comuns, em comparação com anteriores actos eleitorais, que nada tiveram a ver com uma vontade política pensada, baseada em reflexões aturadas, por parte do eleitorado, sobre o estado da nação e a cura para os seus males. Houve uma nítida transferência de votos dos vários quadrantes político-ideológicos da sociedade para o partido socialista, numa manifestação uníssona e inequívoca, por parte do eleitorado, que, de modo nenhum, pretendia depositar nas mãos de governantes provindos do actual PSD, sob a liderança de Santana Lopes, os destinos do país. O PP de Paulo Portas facilmente teria atingido a cota dos 10%, numas eleições pontuadas pelos mesmos critérios de escolha que sempre presidiram a anteriores actos eleitorais, sobretudo o da razão. No entanto, os acordos de intenção e a colagem clara que Paulo Portas, fez, desde o início, ao líder do PSD, levou o eleitorado a recear o facto de estes dois partidos juntos, virem a dispor da maioria dos votos, viabilizando assim, e de novo, um executivo com base numa coligação. Não deverá, pois, subentender-se o resultado da votação do Partido Popular como uma intenção deliberada por parte dos eleitores, em penalizar aquele partido, mas sim, como reflexo da vontade expressa de um vasto leque do eleitorado em romper com a prática política que vinha tendo lugar. Em meu entender, a liderança de Paulo Portas tem somado resultados positivos para o PP. O seu portfolio político foi enriquecido com a participação nas pastas governamentais do anterior executivo (talvez, com excepção, para a pasta da defesa, que, não pretendendo ser uma crítica directa a Paulo Portas, deverá ser lida na medida em que, num país com um elevado défice de carências a todos os níveis, é bastante discutível a canalização de verbas avultadas para um Ministério da Defesa, cuja gestão, no que diz respeito às Forças Armadas, deveria ser alargada e feita no âmbito de políticas comunitárias conjuntas, extensiva à participação de todos os países. Foi por uma boa causa, eu sei, mas daqui a meia dúzia de anos, o problema colocar-se-à de novo). Para terminar, gostaria de dizer que, nos tempos que correm, não se poderá subestimar as capacidades de liderança de um político, seja ele de esquerda ou de direita, num país em que a oferta de agentes válidos é muito reduzida, sobretudo se tivermos em conta que o produto que o mercado actualmente nos oferece se encontra contaminado, quer por evidentes traços de dissimulação quer por raciocínios conjugados de excesso de "naiveté".
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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