Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005

Mário Martins Campos - Começou a corrida

Começou a corrida. Melhor dizendo, a corrida agora está aos olhos de todos, pois na realidade ela já tinha começado há algum tempo. A derrota do PSD e de Santana era previsível, e só se aguardava para saber qual a sua dimensão, e perceber por fim se Santana tinha ou não condições de ficar como líder do PSD, como ele tanto gostaria.
Santana, ontem, tomou a decisão que muitos esperavam ter ouvido no domingo eleitoral, depois da divulgação da hecatombe para o PSD. Santana não o fez. E não o fez, não se entende muito bem porquê. Sobretudo há que questionar, o que mudou de domingo para terça-feira, que o tenha feito tomar consciência que a demissão era a única e mais digna saída para ele e para o PSD. Então vejamos. Santana afirmou no domingo que tinha “terminado um ciclo político” e que seria necessária uma “renovação com serenidade e profundidade”. Não vejo portanto, como seria possível o nível de profundidade e renovação referido, se o líder do partido continuasse no seu posto, como se tudo lhe tivesse passado ao lado, e como se todas as causas da derrota lhe fossem exógenas.
Bem sei que Santana assumiu uma herança pesada, mas também sei, que esse foi o preço a pagar, para a concretização de um sonho de ser primeiro-ministro, que fica por provar que o realizasse da forma mais tradicional. Assumiu, e teve de pagar a factura, mas conseguiu, por sua iniciativa ou desnorte, acrescentar-lhe mais uns itens, que a engordaram e a tornaram de liquidação impossível.
Santana diz que aguardou por terça-feira para ver se recebia o apoio do partido, justificando assim a protelação da tomada da decisão óbvia. Não percebeu Santana, que o partido já não estava com ele antes das eleições? Como seria possível, que estivesse depois do resultado desastroso!? Estranho que um politico com a sua experiência não o tenha intuído automaticamente. Será que a vontade de ser líder do PSD lhe tolheu os sentidos e o faro político? Só ele o saberá.
Tomada a decisão e aberta a corrida à liderança, começa a “guerra” dos nomes.
Alguns são os nomes, que saltam automaticamente para a praça, sempre que se fala na liderança do partido. Alguns desses nomes, de tantas vezes que vêem à liça, já deixaram de ser credíveis e são automaticamente olhados de viés e colocados na pasta dos “para mais tarde recordar”.
Passando, de forma muito ligeira, por alguns dos putativos candidatos, para depois me deter naquele que aparenta ser o nome portador de maior consenso, dentro das hostes sociais-democratas, vejamos então.
Manuela Ferreira Leite, é um nome que parece agradar a um determinado sector do partido, o sector a que respeitosamente chamaria - “O importante são as contas”. No entanto, falta-lhe entrar no coração das bases e sobretudo falta-lhe provar ao partido, e ao País, que seria capaz de perceber, como o Presidente da Republica a aconselhou, que existe vida para além do défice e dar desta forma uma dimensão política à sua imagem, excessivamente tecnocrata.
António Borges, passou a ser, de há uns anos para cá, um nome que é sempre lembrado pela comunicação social e por alguns notáveis. Borges tem uma aura de competência, rigor e seriedade, que são inegáveis, no entanto ninguém o conhece fora do mundo desses notáveis em que se movimenta. Depois, em relação a Borges, existe um problema de base, que é comum à captação para a vida pública, daquilo que melhor há na sociedade, que é a falta de competitividade relativa, desta com as funções privadas.
Depois, não me parece que Borges esteja dispostos a abdicar do seu actual estatuto, para assumir a liderança do PSD, pois parece-me que ele gosta de viver com a imagem “Sebastianina” sobre si.
Luis Felipe Meneses, parece-me ser um candidato que levará a sua candidatura até ao fim, representa um estilo populista de fazer política e muito regionalmente marcado. São conhecidas as suas entradas de leão, para saídas de cordeiro, e representa o que de pior existiu no “cavaquismo”, juntamente com o outro, e mais forte candidato – Marques Mendes.
Marques Mendes é um caso paradigmático de maleabilidade política. Desde o fim do “cavaquismo” que Marques Mendes consegue estar com todos e contra todos os líderes do seu partido. Fazendo a cada momento, apenas e só, aquilo que melhor serve a sua carreira política, abdicando da defesa das ideias e dos valores.
Marques Mendes tem uma visão da vida política de puro carreirismo pessoal, não perdendo nunca uma boa oportunidade de se posicionar no melhor dos palcos. Conduz a sua vida politica agarrando todas as oportunidades, não importa como, quando ou com quem.
Marques Mendes, consegue estar contra Durão e Santana, no congresso do PSD, para no momento a seguir aparecer como ministro dos assuntos parlamentares (ainda por cima um ministério eminentemente politico), do próprio Durão, a quem criticara de forma dura as suas orientações estratégicas e políticas.
Como se consegue ser responsável, pela defesa política de um governo no parlamento, quando se está em profundo desacordo com o seu líder?
Sai Durão, entra Santana, Mendes critica e fica.
Critico de Santana, teve de facto, a honestidade de no congresso do partido, subir à tribuna e dizer que se encontrava em divergência com a orientação política do partido. Só não conseguiu levar esse nível de honestidade ao ponto de recusar ser cabeça de lista, em listas que defendiam a tal estratégia de que era crítico.
E porquê?
Bem, a resposta é mais ou menos evidente. Porque sabia que Santana iria perder e sair no momento seguinte, e para que sua candidatura fosse forte, era importante que ele tivesse o seu assento parlamentar garantido. Enfim, mais uma vez, a sua lógica de carreira a imperar.
Dito isto, fico admirado como se ouvem tantas vozes consonantes no apoio a Marques Mendes, no que à sua candidatura diz respeito. Será porque é evidente o seu melhor posicionamento para a vitória? Será que as vozes de apoio, se guiam pela vontade de apoiar o candidato vencedor? De facto, Marques Mendes começa a aparecer apoiado por um conjunto de barões e baronetes, que de tão diferentes percursos e sinais contrários, mais parece um albergue espanhol, onde apenas é necessário trazer uma manta para pernoitar, e ficar à espera do comboio do poder.
Não sou defensor de um purismo político, que implicaria que todos os candidatos a deputados estivessem alinhados com o líder a 100%. Acho mesmo, que isso diminuiria a expressão do pluralismo das diferentes facções dentro dos partidos. O que já não acho, é que esse desalinho, possa ser extensível aos cabeças de listas, que são as faces visíveis, do ponto de vista distrital, dessas orientações políticas.
Estas situações só são possíveis numa lógica de oportunismo político, de ambos os lados. Do líder e do cabeça de lista.
Esperemos que os militantes do PSD encontrem a melhor solução, pois uma boa oposição é tão importante como um bom governo. No entanto, as vozes que se ouvem não auguram nada de bom.
Pena é que exemplos, como o de Pacheco Pereira, não sejam mais vezes seguidos. Critico acérrimo do rumo que o PSD tomou, abandonou e rejeitou alguns cargos políticos (alguns bem apetecíveis), para ter total liberdade de critica. Bem-haja!
Mário Martins Campos
publicado por quadratura do círculo às 18:52
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