Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2005

Carlos Burnbridges - Derrota pelo interior

Temos a clara consciência disto: não contribuímos em nada para a vitória ou derrota de qualquer dos partidos. A nossa abstenção foi explicada ao longo do tempo. Esperávamos que durante a pré-campanha e campanha, os principais partidos com possibilidades de governar o país, estivessem à altura das exigências actuais e apresentassem equipas credíveis e sérias. Não o fizeram. Nem de um lado nem de outro surgiram os nomes e as políticas necessárias ao país. Por isso e mais uma vez nos abstivemos. Consciente e assumidamente.
Mas quem derrotou os vencidos? Quem teria contribuído de uma forma decisiva para a derrota do PSD e consequentemente do próprio CDS-PP?
Nunca tal havia sucedido no nosso país (e presumimos que em nenhum outro), em que um partido é derrotado sobretudo a partir de dentro e nomeadamente por aqueles que mais gozam da mediatização que lhes é "aplicada" por parte de alguns órgãos de comunicação social (por exemplo Pacheco Pereira queixa-se muito da mediatização de Santana mas a sua visibilidade política provém essencialmente do facto de estar sempre a ser "ouvido" na CC que diz condenar).
Pacheco Pereira, Cavaco Silva e outros (alguns deles trabalhando na sombra), são os principais responsáveis pela derrota do próprio partido e o seu disfarce só convence os desatentos ou idiotas. E pior do que isso, contribuíram para a derrota de Santana sem terem ido ao Congresso disputar a liderança do Partido com Santana, como fez Marques Mendes, um dos raros com legitimidade para criticar Santana e opôr-se-lhe num próximo Congresso.
Não dizemos isto porque pensemos que Pacheco Pereira devesse ficar calado: pelo contrário, consideramos que as suas críticas e alertas à navegação são absolutamente imprescindíveis e diria mesmo essenciais. Dizemos isto porque precisamente devido a uma certa verticalidade assumida de Pacheco Pereira, este devia ter tido a coragem (sendo membro proeminente do PSD), de ir ao Congresso e impedir ou fazer tudo para impedir a escolha de Santana ou antes disso a sua indigitação pelo PR. Mas não o fez. Em seu lugar preferiu batalhar ao lado de José Magalhães (na Quadratura do Círculo, por exemplo), contra o seu próprio partido e mais grave do que isso sem ir ao Congresso do mesmo assumir a defesa de uma outra alternativa. Desculpa-se o próprio com o facto do terreno estar "minado" pelos apoiantes de Santana, os santanistas. Mas Marques Mendes também esteve lá, no tal terreno "minado" e hoje é o único verdadeiramente credível para combater os santanistas e eleger uma nova equipa no próximo Confresso extraordinário do PSD.
Quanto a Cavaco bem fariam os santanistas, menezistas ou sarmentistas que lhe fizessem o mesmo, retribuindo-lhe com a maior das indiferenças. O que sucedeu no PSD não tem paralelo sobretudo quando o apoio de Santana mesmo em momentos em que discordava do cavaquismo, foi sempre evidente e indesmentível. Quem fala fala e não fez nada para mudar o rumo das coisas no PSD, não tem qualquer credibilidade do ponto de vista político.
Nas Presidenciais não esperem pelo nosso voto em Cavaco, depois deste ter feito o que fez com Santana. Se o coração e as emoções ainda valem alguma coisa, não fará qualquer sentido ir votar em alguém (o homem que nunca tinha dúvidas, recordam-se?), que, tal como Guterres também fugiu para tentar reaparecer sebastianísticamente um dia, numa famosa manhã de nevoeiro.
Enquanto Guterres e os rivais de Sócrates, João Soares e Manuel Alegre vieram em apoio do candidato socialista, o mesmo não sucedeu com Pacheco Pereira, Cavaco Silva e outros.
A derrota do PSD (e a vitória expressiva do PS), devem-se pois e fundamentalmente a estes "idos de Março", os quais mesmo tendo a razão do seu lado deveriam ter feito um esforço para que a derrota do seu próprio partido não desse a vitória absoluta do PS.
Agora aguentem-se. Quando ouvirmos daqui a meses Pacheco Pereira e outros anti-santanistas, criticarem a governação do Partido Socialista nós vamos avivar-lhes a memória e lembrar-lhes quem foi o principal responsável por isso.
E à vox populi também vamos lembrar. Se não fôr também políticamente incorrecto atacar as "inclinações populares" num país com 85% de profissionalmente inqualificados e que se compraz em ser o mais atrasado da Europa.
Carlos Burnbridges
publicado por quadratura do círculo às 18:17
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds