Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2005

Miguel Roque - Mudança no PSD

Estamos hoje em altura de mudança. Ao longo de largos meses assistimos ao descalabro da vida politica. Sempre empurrado pelo centro direita, o exemplo que o PSD deu ao país foi um exemplo de irresponsabilidade e mau senso, culminado com anuncio da não demissão do presidente do PSD.
O exemplo de irresponsabilidade que foi dado pelo PSD na substituição do seu líder, não se apagará tão cedo da cabeça dos portugueses. Mas todos os que, como eu, acreditam noutra social democracia, do centro ponderado, responsável e capaz, estamos obrigados a representar a face do partido que não esteve, nem em corpo nem em alma, na reunião da comissão política que elegeu Pedro Santana Lopes como presidente do partido, e inviabilizando a realização de um congresso digno do nosso partido, e verdadeiramente livre, como não foi o congresso de Barcelos. Não era possível em Barcelos fazer política fora do politicamente correcto, coisa que, ainda acredito, ser insustentável num congresso de um partido como o PSD. Esta premissa não passou em branco aos portugueses, e anteontem, dia 20 de Fevereiro de 2005, o país que o PSD subestimou respondeu com uma lição de que poucos eram capazes de acreditar. Esta vitória do PS não é, penso eu, uma vitória de uma politica de esquerda capaz de revolucionar Portugal, mas foi, claramente, uma lição de moral e democracia que o país deu ao PSD.
É com esta importância que o PSD tem no país, que tem que ser elaborada esta mudança. Existe em Portugal uma vontade centrista de governação, que possa ser exercida com os ideais que Cavaco Silva impôs numa primeira fase da sua governação, ou os que, em certa medida, Durão Barroso pareceu seguir. É no entanto impossível consolidar este PSD no país com exemplos como o que agora, desde que a comissão nacional do PSD designou Pedro Santana Lopes como presidente do PSD, se viram.
Para a sobrevivência desta preponderância que o PSD teve, e espero que ainda possa recuperar, no país, os próximos meses têm que ser servidos, no interior do partido, de politicamente incorrectos, de liberdades e de irreverências, que marquem uma nova diferença no centro da política em Portugal. Esse estado será conseguido ao ignorar a presença auto imposta de Pedro Santana Lopes e dos que seguiram a sua linha, e fazendo uma reflexão séria e ordenada, partindo no global para o concreto, do conceito para a proposta, da viagem que se propõe, para o meio de transporte que se escolhe.
Creio que Portugal ainda estará disposto a conceder ao PSD esta oportunidade, mas creio que por dever de responsabilidade, não a podemos desperdiçar. Os próximos quatro anos serão assim preponderantes para a sobrevivência desta natural presença do PSD em Portugal. Trata-se de marcar a diferença no panorama nacional, com a inevitável maioria absoluta do PS, ou de continuar a aproveitar a importância que o PSD garantiu em Portugal para continuar a ser um depósito de ideias sem matriz nem ligação, sem conceito ou ideal.
Mais importante do que saber quem será o próximo líder do PSD, é importante saber qual é a visão conceptual que o partido vai ter para o país. É importante agora, mais do que nunca, que o PSD apareça numa matriz conceptual, longe das facilidades do populismo, dada a inevitabilidade destes quatro anos de governação do PS. Se o PSD aproveitar estes quatro anos, que é tempo de sobra, para estabelecer o que quer para o país, podemos ainda acreditar um país, que após a governação do PS terá futuro nesta Europa e neste Mundo. Se continuarmos com um imediatismo populista, sem rumo, mas à deriva, sem conceito mas com preconceito, o resultado não será devastador para o partido, mas para o país, que com tanta convicção, pelo menos aparente, queremos desde sempre construir.
É imperativo, por isso, que o PSD percorra este processo regenerativo de uma maneira diferente do habitual, deixando para traz a tradição de consagração e auto estima, de sucessões naturais ou de rotura apenas pela rotura, para dar lugar a uma nova forma de fazer politica, para que, mais uma vez, possamos ter a natural pretensão de mudar para melhor o país que nos respeita. A massa crítica não comercial do partido é assim preponderante para esta renovação, mas o partido tem que criar condições para que ela apareça. Não será o congresso extraordinário urgente que vai resolver a questão.
Miguel Roque




publicado por quadratura do círculo às 17:41
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