Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2005

António Arcangelo - Dúvidas sobre o BE

Primeira dúvida: Porquê os favores da Comunicação Social, propriedade do grande capital, ao BE?
Liguei a rádió-televisão… e zás! Já nem preciso de atenção. Aquela voz rouca e característica, já a conheço de ginjeira. É o Francisco! As ondas da rádio já se modularam à sua voz, os ecrans da TV já se redimensionaram à sua imagem, tal é frequência das visitas hertzianas do nosso amigo Louçã, no alto da sua cátedra.
Pergunto a mim mesmo que fascínio exerce o Francisco sobre a poderosa máquina da Comunicação Social para lhe escancararem assim as portas.
Não há espirro que o amigo Xico dê, que não seja captado por meia dúzias de microfones e câmaras de TV. Ainda por cima, sabendo-se o dinheirão que custa tudo aquilo.
Mas há custos que se tornam verdadeiros Investimentos. E os patrões dos média aconselham-se muito bem sobre os seus Investimentos…
É que o migo Louçã e todos seus colegas do BE (camaradas não, pois não…?) fazem política há mais de três décadas. Pergunto-me porquê só agora (desde o aparecimento do BE) têm tanta “saída”. Porque só agora tanta ventania?
Nos tempos que correm, estou convencido que estas coisas não acontecem por acaso…
Segunda dúvida: o BE inovou no modo de fazer política? Apresentou propostas novas?
Considero-me um cidadão atento e informado (tanto quanto é possível…) sobre a nossa vida política.
Garanto-vos que fiz todos os esforços para descortinar em que medida o surgimento do BE trouxe aquilo a que chamamos de lufada de ar fresco, de pedrada no charco, no modo de desenvolver a actividade política.
Constatei, quando muito, um linguajar diferente, um estilo próprio, é verdade, mesmo até um certo colorido nas roupagens com que se revestem algumas propostas apresentadas.
Pois. Mas não são propostas novas, originais. Mais grave ainda: não são, na maioria dos casos, propostas próprias.
Digamos que, se assim for (e se assim não for dêem-me exemplos!), qual a diferença entre o BE e um cuco? O BE seria assim um pintor de cópias, afinal sem essência criativa.
Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa, estão entre aqueles que não concordam com este ponto de vista: Se bem se lembram, estes dois “senadores” fizeram rasgados elogios aos rapazes do Bloco e ao seu "interessante" Programa Eleitoral. No comments…
Terceira dúvida: Afinal, quem é, na verdade, o Bloco de Esquerda?
Sem qualquer intuito provocatório, convenhamos que é uma dúvida relevante e pertinente:
É um partido ou um movimento de personalidades e de figuras?
Sendo um partido, é-o de classe ou interclassista?
Defende o sistema capitalista, embora mitigado, ou o socialismo? E que socialismo?
Em termos ideológicos, onde se situa? Na social-democracia, no trotskismo ou no “socialismo de rosto humano" (seja lá o que isto for…)? Ou não tem ideologia…?
Qual o seu projecto para Portugal? Ou isso agora não interessa nada?
Para o BE o que é a classe operária? Ou esse conceito é “sucata ideológica”?
A mais-valia é um conceito já sem sentido?
Depois, no futuro a curto e médio prazo, como pensa o BE contribuir para a implementação de políticas verdadeiramente de esquerda, que visem combater algumas situações, que aliás, ainda têm a marca negativa do PS, designadamente:
Promover uma Europa social dos povos, combatendo uma Europa da exclusão e dos grandes interesses;
Impedir a privatização do que resta do sector público (dos serviços básicos, da saúde, da educação...);
Combater o PEC tal como o conhecemos, que estrangula as economias menos desenvolvidas e mais dependentes, designadamente a nossa;
Promover o Investimento público como forma de dinamizar a economia e combater o desemprego;
Introduzir mecanismos de racionalidade económica, de combate ao lucro fácil e imediato e de controlo dos “investimentos beduínos”, com pouco valor real para o País.
Promover, apoiar e fomentar Investimentos de qualidade, internos ou externos;
Exigir a imediata a revogação do Código Laboral do PSD/CDS-PP, apresentando e aprovando legislação alternativa;
Como um dos factores de equilíbrio das contas públicas, dar combate à fraude e evasão fiscal;
Apresentar medidas que impeçam uma ainda maior concentração na área da Comunicação Social;
Combater as tentativas dos grandes interesses e dos seus representantes políticos para aumentar a idade da reforma;
Repor os benefícios fiscais e a bonificação do crédito jovem como instrumentos de poupança e de apoio social ;
Garantir uma segurança social pública e universal, com sustentabilidade financeira;
Combater a corrupção instalada;
Fazer aprovar uma nova lei da IVG, combatendo o flagelo do aborto clandestino e a miserável hipocrisia instalada;
Apresentar e aprovar leis que combatam a violência doméstica;
Transformar as novas causas emergentes, de episódicas em estruturantes.
Lutar pela Paz contra a guerra?
Será o BE é um partido vocacionado para estas grandes causas? Terá o BE nos seus reais horizontes esta mudança a sério, tão necessária?
E com quem se vai aliar o BE?
Com o PS e José Sócrates? Estará o PS interessado em promover estas políticas? Pelo que já se conhece, a resposta é óbvia: O PS, não esteve e não estará interessado em promover estas políticas de esquerda a sério, sobretudo agora, conseguida que está a almejada maioria absoluta!
A não ser que seja obrigado!
E por quem? Pelo Bloco?
Qual a real implantação do Bloco junto dos trabalhadores e do povo – verdadeiramente chocado com tantos "choques" – que estará disposto a lutar abnegadamente para a implementação destas políticas de esquerda?
Primeira certeza: Já ninguém compra gato por lebre!
O gato deixa passar a mão pelo pêlo. É um gesto muito do agrado dos bichanos.
Mas uma lebre é um animal sempre alerta. Veloz e inteligente, nada bem e trepa sem dificuldades. Dotada de um excelente sentido do olfacto e de um incomparável campo de visão. Com uma grande capacidade de decidir em cima do acontecimento.
Ninguém conseguiu passar-lhe a mão pelo pêlo!
Hoje, todos distinguem um gato de uma lebre! Mesmo os incautos, os muito distraídos, acabam por descobrir o logro, quando lhes vem o sabor a gato…
Segunda certeza: Os cheques em branco propiciam a fraude!
Os eleitores do BE vão querer saber o que vai acontecer aos seus votos!
Pelo que já ouvimos, deve preocupar-nos que tais votos possam vir a tornar-se a “muleta negra” do PS, para desenvolver as políticas anunciadas!
É que, de acordo com afirmações recentes dos seus dirigentes, O BE pode estar a prepara-se para endossar a sua votação ao PS. E sem condições, ou, pelo menos, não são do conhecimento público, o que é preocupante.
Será que o perfume do poder está já a inebriar e a embriagar o Bloco de Esquerda…?
António Arcangelo

publicado por quadratura do círculo às 18:04
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