Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2005

Victor Santos - Tudo à americana

À Americana. Será um filme? Será um acepipe? Será uma moda? Não! De todo. É,  antes, 'A Morte do Artista'. 
1. A Campanha dos candidatos
O ataque pessoal ao adversário, recorrendo à utilização de espaços físicos e temporais outrora usados para a divulgação dos candidatos e programas próprios, tem sido recorrentemente utilizado pelo PPD/PSD, desde a pré-campanha. Em resposta à refutação e à inquietação que tal estilo mereceu, foi dito que se tratava de uma postura e uma campanha 'à americana', _sic_.
Importa porém, no meu entendimento, não dissociar o uso daquele 'estilo' americano de outros aspecto, como por exemplo dos ataques desferidos noutras frentes, da permanente vitimização, e de verificar o quadro de ornamentação, em que são abundantes as salpicadas de clássicos, extravagantes e patuscos chavões. Ou seja, uma autêntica iguaria americana.
Recorde-se os sucessivos, reiterados, refutáveis e intoleráveis ataques perpetrados ao Presidente da República. Evoque-se também os arremessos aos gestores, aos economistas e a todos aqueles que ousaram contrapor ou rejeitar as propostas ou as decisões do Governo e, até mesmo do PPD/PSD. Mais, os ódios e as duras palavras dirigidas aos próprios correligionários que não se identificam com os actos, os projectos, a postura da actual liderança. E, o insólito, a rejeição das sondagens e a declaração de guerra às empresas responsáveis pelos inquéritos que traduziram aqueles resultados. Confronto este que, admita-se, é dirigido a quem deu as respostas e não as compilou.
2. A campanha vista por "os media"
Também 'à americana' os media resolveram promover os debates entre os principais lideres de cada partido concorrente à Eleição da Assembleia da República/2005. Para além disso, a cobertura que deram aos programas eleitorais e aos candidatos também mereceu o carimbo do país do tio Sam. Acabou por ser explorado o que não tinha e não tem interesse.
Talvez tenha tido razão o presidente do PPD/PSD quando disse que os media estavam contra ele. Só que, antecipou-se. Até então, não estavam contra ele, apenas noticiavam e exploravam a sinuosa, caótica e desorientada acção daquele candidato, repetidamente hesitante, produto de um confuso misto de entusiasmo claro e correctivo arrependimento. 
A partir desse reparo, os media não lhe perdoaram e o registo passou a ser outro - a divulgação cáustica, irónica e satírica de todos os actos daquele candidato, aí é que o programa eleitoral foi mesmo posto de parte. Enfim, não que Santana Lopes não o mereça, mas também uma postura, 'à americana'.
3. A aceitação e a rejeição
À Americana. O ideal imaginário da perfeição, da ocidentalização e da democracia perfeita. Será? Não é esta a mesma América que ficou fora do Protocolo assinado há sete anos em Quioto (Japão) e que hoje entra em vigor? Não é esta a mesma América que virou costas ao Tribunal Penal Internacional? Não é esta a mesma América que se sente e se faz sentir como a esquadra policial do globo? Não é esta a mesma América que atenta contra a declaração dos direitos humanos, mantendo nalguns Estados, a pena capital? Não é esta a mesma América que, na mesa posta por Durão Barroso, nas Lages (Açores), decidiu, com o Reino Unido e com a Espanha, invadir o Iraque à luz de uma maciça mentira e no estrito interesse económico americano? Não é esta a mesma América que tem penetrado em todo o planeta vendendo a globalização de Davos
(Suíça) como se tratasse da socialização de Porto Alegre (Brasil) e recebendo em troca o poderio económico?
Não há dúvida. É claro que é. Não só, mas também. Também é
a mesma América que viu ser eleito, por erro informático, um filho de ex-presidente. Não foi bem uma sucessão dinástica, porque teve um interregno, mas o delfim conseguiu o ceptro.
Talvez por esta razão, o candidato que faz campanha à americana se identifique com os americanos. Também dinasticamente chegou ao Governo de Portugal.
Importa pois, tomar uma posição: aceitar ou rejeitar o que vem da América. Talvez, optar por aceitar só, o que é realmente bom. Para mim, ultimamente, só tenho gostado ... dos filmes.
Victor Santos


publicado por quadratura do círculo às 18:37
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