Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2005

Fernanda Valente - Dois comentários

Num dos últimos programas da Quadratura do Círculo, o Dr. Lobo Xavier, utilizou a expressão " ...esperança em agasalhar..." quando se referia aos descrentes da política do ainda primeiro-ministro, militantes do PSD, que nestas eleições, se reservam o dever de votar no seu partido. Aquela foi, a meu ver, uma expressão infeliz produzida por um militante do PP, que não percebeu que quem não elege Pedro Santana Lopes para primeiro-ministro, tão pouco o fará em relação a Paulo Portas. Todos esses militantes são unânimes em afirmar que votarão em branco, no próximo acto eleitoral, como protesto pelas políticas introduzidas por Santana Lopes, ou pela sua inexistência, durante aquele período de governação.
No entanto, a campanha eleitoral do Partido Popular tem surpreendido pela positiva, ao ser conduzida com profissionalismo, sentido de responsabilidade, evitando a falácia e pautada pela correcção falando em termos de "deontologia do processo eleitoral".
Aquele que foi considerado o "enfant terrible" da imprensa portuguesa, no término do milénio, décadas de 80/90, ao agitar o poder do "establishment" dos meios políticos, económicos e sociais da época, tornou-se no líder daquele pequeno partido político que já teve os seus altos e baixos, muito por força da sua trajectória política, baseada numa linha de pensamento conservadora, fiel aos princípios da trilogia dos dogmas do Estado Novo - Deus, Pátria, Autoridade -.
Contudo, e dado o momento político que atravessamos, este pequeno partido poderá vir a ser chamado a viabilizar um quadro de maioria parlamentar bipartidária, aliando-se à direita ou à esquerda, se se consagrar como a 3ª força política mais votada, como é seu desejo, e num cenário em que nenhuma das forças políticas que concorrem obtenham a maioria dos mandatos na Assembleia.
Coragem e persistência não lhe falta, assim como tomadas de posição eleitoralistas arrojadas, como a constituição de um governo-sombra ou mesmo o assumir-se como candidato ao lugar de primeiro-ministro.
* * *
A onda de contestação que se tem vindo a verificar por parte dos cidadãos no actual panorama eleitoral, tem para mim dois significados.
O primeiro, e na medida em que o aflorar, por parte dessa massa crítica, de praticamente todos os sectores da nossa sociedade, como sendo merecedores da dita contestação, é o de que o nosso país atravessa, na realidade, uma crise profunda que resulta do estado de ingovernabilidade em que mergulhou, e na consequente crise de valores que advem dessa falta de rumo, por ausência da aplicação de políticas consistentes. O segundo, e quanto a mim, um sinal bastante positivo, é o que, em toda a sua amplitude, traduzirá este grau de contestação em intenções de voto no próximo dia 20 de Fevereiro.
Os nossos políticos não são bons nem são maus, são péssimos. Na generalidade, nem sequer estão devidamente preparados para lidar com a crise, quanto mais para achar as soluções adequadas à sua erradicação - este deverá ser um exercício conjunto entre governantes, cidadãos e organizações de gestores/empresários acreditados, com provas dadas na sociedade civil, a exemplo da Iniciativa "Compromisso Portugal"-.
No entanto, são estes os políticos que nós temos, os que se encontram disponíveis para nos governar, aqueles a quem, bem ou mal, teremos que dar o benefício da dúvida no próximo dia 20, seja por motivações de base ideológica ou programática.
Também nós, cidadãos portugueses, não somos cidadãos exemplares, aqueles que todo o governante auspiciaria em governar. Somos os cidadãos que descuram as suas obrigações fiscais, os cidadãos que viajam em contra-mão nas auto-estradas pondo em risco a vida de pessoas inocentes, os cidadãos que se esquecem da existência dos seus idosos, abandonando-os em hospitais ou em lares da 3ª idade.
Mas entretanto, e à margem de toda esta polémica, existe um país que espera, que espera por todos nós, e esse país é a nossa terra, a nossa casa, a nossa cultura, os nossos antepassados, enfim, a nossa identidade enquanto cidadãos portugueses.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 19:28
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