Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005

Luís Carlos Machado - Perguntas a Portugal

Pode Portugal evoluir como nação ou é um país condenado ao fracasso? O que
faz uma nação de sucesso? Um governo, um líder, os empresários, os
trabalhadores? Ou uma consciência nacional colectiva que nos impusiona para
o progresso?
Na sua tomada de posse dirigindo-se aos americanos, John F. Kennedy disse
aquela célebre frase, das tais que entram directamente para o capítulo das
citações históricas, “não perguntem o que pode o vosso país fazer por vós,
perguntem o que podem vocês fazer pelo vosso país”. Ora não só os
portugueses colocam a questão inversa como, pior, agem na sua vida corrente,
nas suas expectativas, nos seus actos, na esperança que, alguém, faça algo
por eles.
Falta-nos aquela consciência nacional que faz de um povo, individual e
colectivamente, um povo motivado para o sucesso. Porque achamos que o nosso
sucesso depende muito pouco de nós, mas sim da “mãozinha” amiga de alguém,
seja esse alguém quem for. Estamos sempre na nostalgia de um líder que nos
conduza, de um Pombal, de um Salazar, de um Cavaco Silva que, e não
interessa as orientações ideológicas de cada um, foram capazes de inspirar
no povo um sentimento de que tinha um pai que nos conduzia os passos.
Sempre que surge eleições, os nossos empresários de imediato reagem como se
o mundo fosse acabar. O sentimento “mais seis meses de incerteza” instala-se
por completo, pára a economia, pára o investimento e ficamos sentados à
espera do novo orçamento. Porquê? Porque a economia está toda dependente do
Orçamento de Estado? Talvez esta seja a resposta. Porque existe um grupo
central de grandes empresas que trabalha para a Admninistração Pública e
todas as outras dependem, directa ou indirectamente, destas.
Mas, nos outros países, também não há eleições? Há. Mas a diferença é que a
economia não pára. Por mudar o governo, não se deixa de ter de pagar
ordenados, de pagar impostos, de apresentar resultados, os consumidores não
deixam de ter necessidades de consumir. Só que, em Portugal, achamos que
tudo isso vai ficar suspenso e os empresários vão para o restaurante,
almoçar, queixar-se da vida.
Somos benessodependentes ou subsidiodependentes. O interior do país reclama
benefícios e o PS dá auto-estradas sem portagens, sendo que o PSD as
introduz com excepção dos residentes no interior. Para além da
discriminação, talvez inconstitucional, que uma questão como estas introduz
– pela óptica do PSD, passa a ser a família que se tem no interior a
visitar-nos em Lisboa, ao invés de nós lá irmos, para pouparmos nas
portagens (mais consumo no litoral...) -, demonstra a natural inaptidão dos
portugueses em verem e aproveitarem as vantagens que se lhes colocam.
No interior os custos de terrenos e de construção são mais baratos, a
habitação e o consumo é mais barato, os custos de deslocação são inferiores
– são necessárias menos horas e combustivel para ir vir do trabalho -, a mão
de obra custa menos, mas mesmo assim reclama-se que, ao contrário do
litoral, não se pague portagens no interior, porque se isso acontecer é o
fim do desenvolvimento regional!
O que falta ao povo português não é um líder, mas um desígnio nacional.
Saber que o nosso futuro depende do nosso trabalho, da nossa motivação, da
nossa acção. Que o governo não passa de uma entidade, que deve regulamentar
a nossa actividade, ajudar-nos na educação, na justiça, na saúde, na
investigação e desenvolvimento, mas o nosso progresso como povo não pode
depender de um partido e, muito menos, de um homem.
Luís Carlos Machado

publicado por quadratura do círculo às 19:41
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