Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005

Fernanda Valente - Outro choque

Ainda voltando à terminologia dos "choques", gostava aqui de fazer referência a um outro que, não tendo sido enunciado como tal, se verifica ser a sua aplicação de efeitos ainda mais devastadores, no bom sentido, do que os anteriores, e, ao qual eu chamaria de "choque infra-estrutural". De acordo com as afirmações proferidas pelo coordenador do programa de governo do PSD, aquela linha programática preconiza, se ganhar as eleições, retomar o dossier que prevê a implementação de um novo aeroporto, construir uma terceira ponte sobre o rio Tejo, uma nova via ferroviária na actual 25 de Abril, para a ligação do TGV de Lisboa a Évora e de Évora a Madrid, e ainda, aquela que seria uma complexa estrutura em forma de túnel, que ligaria a parte oriental da cidade ao Barreiro, aparentada com o túnel que atravessa o canal da Mancha desde a França até à Inglaterra. Não desconheço o facto de ainda podermos dispor dos fundos estruturais da UE para esses projectos, conhecendo igualmente que esses mesmos fundos só abrangem parte do investimento global, sendo que a forma como economicamente seria viabilizada a totalidade da obra, não tenha sido mencionada por aquele ilustre gestor de empresas, o Dr. António Mexia. Mas nós, cidadãos, sabemos como. Através da política da concessão, aquela política que hipoteca o nosso futuro, o dos nossos filhos e o das crianças que ainda irão nascer durante muitos e muitos anos, isto se não hipotecar também a nossa hegemonia enquanto cidadãos portugueses. São criados consórcios com nomes como: luso...isto, luso...aquilo, que integram empresas que se comprometem a financiar os ditos projectos mediante a assinatura de contratos de concessão/exploração que, pelo montante do financiamento, terão uma duração de tempo indeterminado, e em que se conta connosco, os contribuintes, para irmos garantindo o retorno do investimento, através daquele princípio, entretanto tornado elementar, e que é o do utilisador/pagador. Mas, para mim, o perigo ainda maior reside na proveniência dos fundos de investimento. Por detrás daquelas empresas, escondem-se os capitais de "nuestros hermanos" que, como é público e notório, têm vindo a proliferar no nosso mercado, a todos os níveis e de uma forma assustadora, assumindo o controlo de um grande número de empresas através dos seus centros de decisão, em que se inclui a Banca, os sectores da pequena, média e grande distribuição - essencialmente os produtos têxteis e os agro-alimentares -, os sectores infra-estruturais, sobretudo o energético, e os sectores industriais com particular relevância para o do turismo e o imobiliário. No plano internacional, Portugal é visto como o país periférico que integra a península ibérica. Desejar-se-ia que o poder central que regula a economia de cada um dos dois Estados fosse conjunto, localizando-se o seu centro de decisão preferencialmente em Madrid ou Barcelona. A deslocalização das filiais de empresas estrangeiras em território nacional para Barcelona é já uma realidade. A pouco e pouco, sem darmos por isso, e com a conivência dos nossos governantes que não têm tido competência para implementar soluções alternativas, sujeitando-nos ao fatalismo da inevitabilidade, vamos sendo invadidos, como uma doença incurável que subreptíciamente e de mansinho se insinua, antecipando o iminente desfecho ao atingir o orgão vital.
Fernanda Valente

publicado por quadratura do círculo às 19:10
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