Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005

António Borges - Crise da política

Só há pouco tempo tenho começado a seguir a política. Tenho 24 anos, e
este interesse surgiu mais pela crise económica e, ao meu ver pessoal,
cultural, que tenho vindo a observar à relativamente pouco tempo. Não
porque a crise não tenha existido, mas simplesmente porque não tive a
maturidade suficiente para reparar nela.
Desde a minha juventude mais tenra até agora, sempre tive o cuidado de
seguir minimamente as situações sociais do nosso dia à dia. Conforme os
anos iam passando, os média anunciavam, todos os anos, que estávamos
perante uma crise, e os políticos iam apresentando propostas e
planeamentos para solucionar os problemas. A minha reacção, perante
isto, era de esperança. A juventude normalmente olha de lado, com
desconfiança, para os políticos. Mas agora tenho as minhas dúvidas
perante as proclamadas crises anuais. É todos os anos. Parece-me que
sempre tivemos em crise, e, cada vez mais, em declínio. Comecei por
abordar o problema através dos partidos e dos políticos, mas cedo
percebi que, apesar das divergências ideológicas das mesmas, são todos
iguais. Não iguais como indivíduos, mas como organismo. Um organismo
chamado Democracia Representativa, onde o capital, o lucro, dá as
cartas. Cada partido tem um determinado poder, que pode variar, mas
sempre dentro do limites virtualmente impostos pelo organismo, ou seja,
de quem o controla. Ora, sabendo que os votos são determinados pela
propaganda política, que é efectuada a vários níveis, como os média,
escolas, etc., chega-se à conclusão que a melhor campanha eleitoral,
normalmente, ganha o poder. A campanha eleitoral ganha forças a vários
níveis, mas a mais pesada é, sem dúvida, a do financiamento. O partido
ou a coligação de partidos com mais apoio financeiro, apoio este que
também assenta em troca de influências, é a que tem mais hipóteses de
ganhar. Só nos resta perguntar o porquê do investimento da parte dos
privados nos partidos. É simples, o partido no poder pode beneficiar os
privados. É o poder político que permite aos privados agirem livremente,
assim, aumentando os seus lucros. É um organismo com interesses
bilaterais, que não toma medidas para favorecer o povo, mas, sim, para
controla-lá. É um assunto muito especulativo, sei-o muito bem. Mas é
demasiado evidente para eu desprezar tal facto. O povo decide, é óbvio,
mas em que circunstâncias? Podemos escolher, de quatro em quatro anos,
num partido através do escrutínio, mas nada sabemos dele, porque
passamos o tempo a ver novelas, a seguir a bola, a discutir reality
shows e por aí além. E não pensem que é porque o povo assim o quer, é
simplesmente porque os privados assim o querem. Seria uma hipocrisia
tremenda, para um político e para mim, dizer que vivemos, realmente,
numa democracia. A juventude, assim, não se pode sentir verdadeiramente
livre. Assim, deste modo, gostaria de vos perguntar, como um jovem que
ainda tem esperança nos políticos e no povo: Como pensam restaurar a
credibilidade deste sistema político?
António Borges
publicado por quadratura do círculo às 20:04
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