Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005

Nuno Manuel Guedes Ferreira - Resposta a António Carlos Monteiro

O Senhor António Carlos Monteiro, se não é, pelos vistos parece ser um dos afortunados para quem a crise está a passar ao lado. Das duas uma, ou é adepto "cego" e ferrenho do PSD ou então está com sérias dificuldades em observar o que se passa (ou não passa) à sua volta. Vem dizer que a crise é criada pelos orgãos de informação! Ridículo!!! Que eu saiba não foram os canais de televisão que aumentaram o preço do pão para o dobro em 2 ou 3 anos. Nem foram os orgãos de informação que aumentaram o IVA para 19%. Se já tinhamos preços elevados para os produtos ainda vão aumentar o IVA?! É assim que querem estimular a economia e o consumo interno? E o estado em que está a construção cívil, nomeadamente no que respeita a habitação? Uma miséria! Tenho o exemplo triste de uma Cooperativa de Habitação que está prestes a fechar portas porque não conseguiu fazer face ao crédito que pediu para construção de novos edifícios. Curioso que antes de terminar os benefícios no crédito à habitação, essa mesma cooperativa estava muito bem e tinha todas as fracções do edifício reservadas. Hoje, olho para esse edifício jogado ao abandono e observo tristemente os mandados de penhora do Tribunal a confiscar esse mesmo edifício em "benefício" (ou prejuízo) das entidades credoras. Os bancos actualmente quase se têem de transformar em agências imobiliárias de tantos que são os créditos mal parados relativos ao crédito à habitação.
Quanto aos fundos que o senhor António Carlos Monteiro fala, não deveriam servir só para "tapar buracos". Assim como não deviam servir apenas para construir auto-estradas. Há muitos oportunistas a criar negócios ficticios, sugando as verbas comunitárias que deveriam servir para dotar o país de capacidades equiparadas aos dos nossos parceiros europeus.
Quando o senhor António Carlos Monteiro criticou o senhor Engº Guterres, esquece-se que o mesmo se demitiu pelo resultado de eleições que deram a entender claramente o descontentamento dos portugueses. O Descontentamento dos portugueses tem estado presente em praticamente todo o mandato do PSD, inclusivé nas últimas eleições realizadas. E mesmo assim insistem em governar. "Bombeiros" destes não precisamos nós. "Bombeiros" que ateiam fogos não fazem falta a ninguém. "Bombeiros" que apontam canhões a navios indefesos também não têm muita lógica.
No meu entender a culpa de tudo o que se anda a passar de mal no país não se resume a uma única legislatura, nem a um único governo. Somos um país pequeno em que "todos se conhecem" e onde há favorecimentos a todos os níveis. Fomos habituados durante muito tempo a andar de muletas (fundos da UE) e ainda por cima não soubemos aproveitá-la. Deveriamos ter usado essa muleta apenas para nos levantarmos e não para andarmos. O que acontecerá quando acabarem os fundos da UE? A muleta desaparece e caímos redondos no chão. Temos de aprender a andar sozinhos e pelos nossos próprios pés.
Há, sem dúvidas, problemas sérios a resolver e não interessa agora apontar o dedo a quem fez a asneira. Todos sabemos quem faz as asneiras e perdemos mais tempo a "massacrar" quem errou, do que a discutir formas de resolver essas asneiras. É isso que nós queremos! Problemas resolvidos! Queremos acção! Palavreado já chega! Nem que façam mal, mas façam alguma coisa! Agora se fizerem sempre mal tenham a coragem de se afastar e não arrastem todos para o precipício.
A solução para o país ir para a frente passa, sobretudo, na melhoria das condições educativas das escolas; formação profissional contínua dentro das empresas portuguesas e instituições do estado; investimento em equipamentos e processos produtivos modernos, fiscalizações mais frequentes, eficazes e imparciais, apoiar as boas ideias, pois é muito comum os portugueses venderem as suas boas ideias a grupos estrangeiros. Não devemos exportar os recursos humanos mas sim produtos produzidos por essa mesma massa humana. Para se poder trabalhar é necessário que haja condições para tal.
A reforma do sistema de justiça também é algo fundamental para que as empresas, pessoas e estado se possam concentrar em resolver questões produtivas e não perderem tempo e dinheiro com situações excepcionais. De igual forma, há que reduzir o peso da "obesa" administração pública que espelha o retrato dos também cada vez mais "obesos" portugueses.
Confesso que a minha simpatia política se encaixa mais em ideais de esquerda. Contudo, olhei para o Governo do Dr. Durão Barroso como uma possível boa viragem no estado das coisas. Durante o primeiro ano, apesar de não ter corrido bem a esse mesmo Governo, ainda estava esperançado que as coisas melhorassem significativamente. Passou o segundo ano e tudo ficou ... ainda pior. Sai o Dr. Durão Barroso e entra o Dr. Sanatana Lopes e as coisas... estão a ficar ainda piores! Ou seja, em 2 anos e pouco de legislatura o PSD conseguiu fazer quase tantos ou mais estragos do que o PS em toda a última legislatura.
E porque não dar mais força aos "pequenos"? Se calhar a culpa também é do povo. Se o Governo do PS não se portou muito bem e os Governos seguintes do PSD ainda se portam pior, porque vamos sempre votar nos mesmos? PS, PSD, PS, PSD. Não admira que estejamos encalhados. Não podemos andar nem para a frente nem para trás! Bom... Então vamos andar para o lado que pode ser que resulte. Há que experimentar para saber.
Ah! E portugueses, votemos! Está nas nossas mãos a decisão!
P.S. Peço desculpa aos Bombeiros pela metáfora utilizada.
Nuno Manuel Guedes Ferreira
publicado por quadratura do círculo às 20:00
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