Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

Luís Felício - Como mudar o País?

Não sou escritor, mas sei o que quero contar.
Este não se trata de um artigo de opinião de alguém com gabarito para tal. Consiste tão e sómente numa série de desabafos e considerações sobre a vida em sociedade nos tempos diferentes que correm.
A questão que se nos coloca, é se é possível mudar este País e as nossas vidas para melhor? E em caso afirmativo, como é que isso se fará?
As respostas serão as mais variadas, basta lembrar que temos optimistas, cépticos, acomodados, indiferentes, excluídos, deprimidos, info-excluídos e muitos outros tipos de “ídos”…
Nesta fase inicial, quero informar que sendo um Empresário (permitam-me, com razoável sucesso) da área Tecnológica, não poderão esperar daqui qualquer Produção Literária, antes vou procurar ser claro na expectativa de ser compreendido.
Passando do género à forma, aviso também que não tenho qualquer ligação Partidária, admito que não sei se e em quem devo votar, não sou “Boy” e muito menos me falta “Job”…
Passemos ao que interessa, referi a minha profissão e por falar nisso vem-me à ideia (que ao contrário da mentalidade Subsídeo-dependente) nunca me candidatei a nenhum centavo nem cêntimo da CEE, nem da CE. Preferi sempre gerir o que tinha com rigor do que ouvir as promessas dos vendedores de Banha da Cobra, que desbaratavam facilidades, tipo ó Dr. você precisa de investir 10, mas escreva aqui 30, porque é assim que se faz e nós depois controlamos…
Sou rapaz para 36 Primaveras e aquilo fez-me lembrar quando era ainda mais jovem, em que “controle” tinha um significado jocoso e sem perspectivas de futuro.
Falo por mim que aprendi a desconfiar de almoços de graça. Mas os Euro-milhões vieram na mesma e segundo reza a lenda, boa parte foi efectivamente muito bem controlada.
Agora, há mais 10 parentes na fila… dizem por aí que a mama já não dá chêta…Ainda bem. Só se perdem as que caíem no chão. Empresários que não querem ou mal preparados que não sabem investir? Empregados que querem emprego e não querem trabalho? Vão ser reeducados pela força da realidade. Escusado será dizer que se aplica ainda mais depressa ao sector Público…
Em Portugal, passou-se da Ditadura Fascista em que todos por mais que lutassem não almejavam uma vida melhor, a uma Democracia das Flores em que aparentemente todos tinham direito a tudo, mesmo sem o merecer… Dizem que é o resultado de rebentar a rolha, mas é mais fidedigno verificarmos que lhes saltou a tampa…
Decidi escrever porque é preciso despertar as consciências dos comuns, encorajando-os a acreditar que qualquer coisa é melhor que nada. Nunca existirá um estuário largo sem gotículas de orvalho a engrossar o riacho nas montanhas…
As pessoas não podem desistir por completo, não podem se abster, devem procurar usufruir dos seus direitos e protestar contra o que estiver mal, ajudando assim a expulsar as maçãs de qualidade duvidosa, como referia o Prof. Cavaco Silva.
Por falar em iluminados ( e tendo o cuidado de deixar os futebóis e os apitos lá longe ) começaria por deixar 3 leituras sobre a vida da cidade e da região de Braga ( vim da Tocha, alguém conhece?, para cá tirar o curso há e aos 18 Anos, pelo que sou suficientemente Estrangeiro para me distanciar e suficientemente Bracarense para me pronunciar).
Assim, em primeiro lugar, é de salientar a manifesta aptidão empresarial e visão para o mundo dos negócios acima da média, por parte de alguns familiares próximos dos poderes instituídos nesta cidade há não sei quantas décadas. Só poderá ser forçosamente uma questão de mérito, quanto mais obvias são as coisas, ao alcance de menos estarão…
A segunda constatação (falta de jeito para a escrita, pois precede a primeira ) é a de que nesta região nunca existiu ( e corre-se o risco de se vir a provar que nunca existirá!) qualquer alternativa viável na Liderança Política e Administrativa quer na oposição (leia-se pelo sistema prevalecente, no PSD) quer no seio dos governantes, o PS… quase que já dava para introduzir o tema China…refreando, apetece perguntar: Será que morrem à nascença ou sucumbem na incubadora ? Ou lendo do avesso, será que aqui sim, temos um verdadeiro Pacto de Regime?
A terceira reflexão vai para os poderes diferenciados. Esta terra em tempos idos tinha a fama e quiçá o proveito do poder da Igreja. Para ser justo, não me sinto suficientemente capaz de o questionar, nem de o qualificar. Porém após o 25 de Abril, emergiu uma nova classe: Os “Abramovich” de qualquer burgo que se preze, que é como quem diz os senhores construtores. Ele é isto, ele é aquilo, ele é serem sempre donos dos terrenos antes de se desenharem as estradas, só falta acertarem no EuroMilhões (pelo menos que se saiba… enfim, há classes bem piores, que parece que compram os prémios das loterias… esses, deve ser para se gabarem em frente aos amigos…). Peço desde já desculpa a todos os construtores correctos e honestos que existirão sem dúvida, mas sou obrigado a denunciar a classe deles que está impregnada duma percentagem de oportunistas que porventura enriquecerão imoralmente, mas pior que isso às custas do prejuízo da qualidade de vida dos cidadãos, seja no não ter conforto minímo, seja no ouvir sem pedir, seja no não ter espaços verdes, seja no não vêr o sol 24/24. Não havia necessidade… Podem argumentar que Braga está melhor que a média. Não me convencem! Um aluno que passa de 4 para 3,5 é pior que o que sobe de 3 para 3,5… é uma questão de atitude.
De resto devo dizer que Braga é bastante bela, tenho filhos minhotos com muito orgulho e até acredito num futuro melhor, é que há muito mais gente trabalhadora do que pensante. Lá nisso batemos os nossos irmãos Mouros assim tipo cabazada…
Abrindo a discussão a outras culturas, sou capaz de afirmar que Braga estará para Portugal assim como a China está para o Planeta. Vejamos as semelhanças: No seu pior, ele é Levis Made in Vizela, ele é uma maior percentagem de Trabalho Infantil, ele é a mão-de-obra barata e já razoávelmente qualificada, enfim só nos falta não termos qualquer registo de óbitos, como acontece na comunidade daqueles amantes de arroz.
Pelo melhor, ele é a maior concentração de Juventude (Até íamos ganhar a Secretaria de Estado para o sector e pode ser que a sede da Unicef vá para a China…) ele é a capacidade de inovar e atrair investimentos (veja-se alguns Departamentos da Universidade do Minho, Cobra Tecnologias, Idite Minho, Primavera SW, Sonae WeDo… as desculpas por falar apenas nos que me são mais familiares, não me pagaram para fazer pesquisa à séria…), ele é gente empreendedora e capaz (para além dos ligados aos projectos anteriores, destaca-se Guimarães Rodrigues, António Marques da AIM, António Salvador do Grupo Império e outros), ele é a maior concentração relativa a nível nacional de empresas ligadas às Novas Tecnologias.
Se Portugal está preocupado com a deslocalização para a China por causa da Competitividade, fará sentido também deslocalizar por exemplo da Grande Lisboa para o Minho pelos mesmos motivos estratégicos.
Por falar em estratégia, a Espanha começa aqui e ainda está muito por fazer nessa direcção… Deixem-se dormir e acordarão com ela ao pescoço… Nuestros Hermanos dormem a “siesta”, mas não estão a dormir a sesta…
A solução para este País existe e todos a conhecem ou pelo menos já ouviram falar dela, não é a Produtividade, é o Trabalho. Só se pode falar em produtividade depois de ganhar a batalha do Trabalho. Os mais trabalhadores tendem a ser mais competentes e conseguir maiores níveis de produtividade.
A riqueza nasce do Trabalho. Sempre soube isso, quer quando estudava nos melhores colégios deste País, quer quando carregava sacos de 50kg como os empregados dos Armazéns do meu Pai. Não há Reis, nem Peões, cada um vale por aquilo que é e faz. Não nos curvemos aos pretensos primeiros, nem desconsideremos os relegados para segundos. O homem faz a obra e a obra fala pelo homem.
Habituei-me a ver as pessoas de mais valor, a viverem facilmente com isso e aqueles que são levados na protecção das sombras a derramar inchaços e a julgarem-se acima dos demais.
Bons, Maus… enfim falta os Outros. São esses que me interessam aqui, são esses cujas vozes não se ouvem e são esses que teêm a obrigação de meter em marcha a mudança, já que não estão devidamente representados ( por falar nisso, tenho dificuldades em captar a estratégia que levou à escolha dos cabeças de lista do PSD e PS em Braga, não havia mais ninguém ou mais ninguém os quereria? )
Por falar em Política e Cidadania, lembra-me as palavras do meu amigo dos tempos de liceu em V.N.Gaia, o Dr. Paulo Rangel (uma mente brilhante, que saúdo pela carreira e prestígio merecidos, o que prova que na Política também pode haver lugar à Renovação com gente séria e capaz) que há uns 15 dias num Programa de Prós e Contras, salientava que o eleitor é em ultima análise quem decide através do seu voto ou falta dele, pelo que não pode de todo desmarcar-se dos sucessos ou insucessos da governação, por outras palavras, os cidadãos são “culpados” por não exercer os seus direitos nesta matéria, ao irem pela via mais fácil que é a de ficarem acomodadas no seu canto a observar e quanto muito apenas falar mal.
Bem, sou obrigado a concordar totalmente em Teoria e discordar parcialmente na prática. Não estamos em Atenas do Olimpus nem temos Ócio….Se temos uma classe politica mal preparada, é de esperar que na prática também tenhamos défices de cidadania nos Portugueses. O exemplo e os interesses instalados não ajudam à coisa …Se não fossem os Americanos ainda o Saddam andava nas Mil e uma Noites.
Isto já era assim, no tempo dos Maias (digo o Livro, o Povo talvez também). Quem detém o poder seja em Braga, seja nos Partidos, seja na Nação, seja em África, seja na China, só a muito custo conseguirá ler que por vezes o melhor para todos não é o melhor para eles.
É genético, os genes travam uma luta incessante para se auto-prepétuarem… é a história do cão e do osso, melhor do cão que não larga o osso…
Só podemos lutar ou agir com uma mudança do paradigma e do enquadramento das coisas. Quando era miúdo, o meu querido e finado Avô, pagava um leitão assado ( na boa tradição das gentes de Mira ) sempre que o PS ganhava as eleições. As ideologias já acabaram, ficaram algumas convicções e a necessidade de formular outras adaptadas aos nossos dias. Esse não é um trabalho apenas para iluminados, mas sim para gente que se quer comum. Teêm que vir aí novos valores…Ajudemos a cair o que está podre.
Para tal basta que cada um se esforce por contribuir na medida do que lhe é possível, pela conduta e exemplos diários em sua casa, no seu emprego, na rua…, pela denúncia (sempre que viável e verdadeira) dos atropelos constatados e o cuidado de não serem eles os primeiros a atropelar os outros.
Quero acreditar que serão muitos, cada vez mais e melhores neste ou noutro grupo dos Outros. Se estiver certo fico muito contente pelos meus e pelos vossos filhos.
Quanto à governação do País (???) será mais uma questão de escala e de tempo.
Não há motivo para alarmes, este sistema vai cair por si sozinho e entretanto vão aparecendo sempre umas almas mais generosas que vão carregando o fardo… em troca do sentimento do dever cumprido. Agora acredito solenemente, que vai existir ali no futuro a utupia em que os mais competentes para X dedicar-se-ão a X sem que isso seja um problema para quem quer que seja… Basta que o exijamos, sempre e por todo e qualquer meio.
Para finalizar, e porque este pretende ser um exercício de cidadania genuíno, convido todos aqueles que não concordem em parte ou no todo, a fazer uso desses mesmos direitos, fazendo o favor de me desmentir e dizerem de sua justiça. Afinal até eu que não sou escritor o pude fazer.
Luís Felício


publicado por quadratura do círculo às 17:07
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds