Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

Fernanda Valente - Vale tudo

Imaginemo-nos num cenário do universo empresarial do sector privado, em que um determinado alto cargo executivo é chamado à administração com a finalidade de lhe ser transmitido o resultado da avaliação do trabalho que desenvolveu ao abrigo das funções que lhe foram confiadas, por inerência do cargo que passou a ocupar.
A conversa situar-se-ia mais ou menos nestes termos:
- Você é um óptimo relações públicas, uma pessoa bem falante, a sua imagem consegue congregar charme e simpatia, perspicácia e subtileza, no entanto gravitando à volta da vacuidade de uma grande incompetência pelo desconhecimento das matérias essências e da sua aplicação, perdendo-se no culto da sua própria idolatria.
Desvinculado que se encontrava da dita empresa, na qual depositara o seu futuro, sabendo que através dela e com a sua habilidade poderia vir a alcançar cargos da maior relevância, assegurando-lhe as mordomias e a independência económica com que sempre sonhou, abrindo-se-lhe novas perspectivas fora do contexto geográfico onde está inserido, mais próximo do horizonte da sua ambição desmedida, sentia-se ferido no seu orgulho, não compreendia aquela tomada de decisão vinda do seu superior hierárquico, achava-se sobretudo injustiçado.
As coisas não podiam ficar assim, homem que não se sente não é filho de boa gente ...!
No tempo que lhe resta até à sua substituição por força do contrato que assinou, e numa prática consignada de claro abuso de poder, decide convocar os seus subalternos, sempre fiéis aos seus rompantes intempestivos, à sua forma de gestão desavisada, caracterizada pela altivez, e dar início àquele que se transformará num verdadeiro acto de incontinência processual administrativa: celebração e assinatura de contratos (protocolos), nomeação de chefias (cargos públicos), visitas extemporâneas a instalações (inaugurações e re-inaugurações), oferta de serviços com a elaboração de projectos e programas que nunca terão seguimento (Programa Operacional Ciência e Inovação 2010; Programa Operacional da Administração Pública; Programa Operacional Sociedade do Conhecimento).
Todos estes actos exacerbados de abuso de poder, em sede de empresa privada, configuraria um caso de polícia ou quando muito de internamento em instância própria, mas tratando-se de um orgão do Estado, do nosso Estado de Direito, e num horizonte em que se perfilam as eleições legislativas, os fins acabam por justificar os meios, numa política do "vale tudo", chegando a grassar as raias do contrasenso e da imoralidade.
(Fonte: Dr. José Magalhães, Comentário no blogue da Quadratura do Círculo)
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 16:25
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