Quinta-feira, 4 de Maio de 2006

Nuno Monteiro - Falência da Segurança Social

O 1º Ministro trouxe a sua solução para a questão da falência do sistema da Segurança Social.
Nada de mais: relacionou as necessidades do sistema (não dos cidadãos) com os valores de desconto e o período dos mesmos.
Numa primeira análise, até poderíamos ver aqui uma solução liberar para a questão. Os partidos de esquerda não perderão a oportunidade de dizerem isso mesmo. Afinal, aumenta-se o período de trabalho (e de desconto) ou aumentam-se os valores retidos a fim de “pagar” o sistema. Ou, ainda, reduzem-se os valores atribuídos.
Algumas questões:
As mulheres vivem mais 7 anos, em média, do que os homens. Seguindo a lógica apresentada, descontarão mais? Trabalharão mais? Ou vão usufruir da mais vida, mais saúde e ainda, à conta do trabalho (descontos) do sexo oposto? Isto não provocará o aumento do “fosso” sexual na esperança de vida?
O reequilíbrio do sistema tem de ser pago. Dizem eles. Os arquitectos do sistema socialista que nos é imposto. Assim, trabalharemos todos um pouco mais a fim de pagarmos todas as suas ineficiências até se libertar algum dinheiro para as reformas.
Os valores das reformas de alguns portugueses (funcionários públicos) terão um tecto máximo. Mas, descontarão tudo para receber só uma parte, ou o “desconto” também será sujeito a um tecto?
O certo, certo é que continuaremos a ser tratados pelo Estado socialista como crianças, incapazes de tomarmos uma decisão sobre como aplicar as nossas reservas para o futuro. Somos todos cigarras…
A difícil e a verdadeira realidade:
Após o 25 do 4, a geração que tomou o poder e fez uma Constituição “rumo ao socialismo” resolveu, magnanimamente, atribuir direitos de reforma a todos. Conquistas de Abril, decisões (sociais) indiscutíveis…
Mas, como todos os cobertores mal escolhidos, chegados muito ao pescoço, destapam os pés…
Quem se reforma até 2015 não terá os seus direitos beliscados. Logo, esses decisores e a sua geração salvaguardam os seus direitos e ficarão na História como social-beneméritos perante a geração que os precedeu.
Assim, teremos uma geração que não descontou e está a receber.
Outra que descontou (e desconta), e vai receber.
Outra, a seguinte, que desconta uma vez para a geração anterior e vai descontar outra vez para si…
Depois, a outra a seguir, após a morte do “sistema”, que vai voltar a descontar só para si. Nessa altura, finalmente, quando o sistema se liberalizar e estiver paga a decisão magnificente dos feitores do 25 de Abril…
Resumindo: uma geração que ganha 1 a zero, outra que empata 1-1, ficando “em casa”, outra que perde 2 a 1 e finalmente, a seguinte, que empatará um a um descontando (liberalmente) só para si.
Um difícil processo para a única geração que sai prejudicada no processo e que será, nada mais, nada menos, do que aquela que inclui todos os que se reformarão após 2015 e até, aproximadamente, 2045.
Será que irão aceitar isto? É que, descontar duas vezes poderá significar prescindir de 1/3 do seu rendimento livre e disponível…
Receio que a “rua” terá um papel nisto tudo. Tal como em França.
Então, uma geração decide dar à anterior. Mas, salvaguarda a sua condição e carrega os custos na seguinte…
Não estou a ver saída para isto. Ou pagam todos por igual e têm de ser “abatidos” direitos adquiridos, ou muito me engano e vamos ter graves problemas sociais. Pois todos aqueles, os prejudicados com esta socrática solução (os nascidos depois de 1960) não fizeram o 25 de Abril e não entendem que tenha de ser à sua exclusiva custa que se paguem os desvarios social-comunistas dos anos 70 e 80 do século passado.
Nuno Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 20:10
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