Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005

Fernanda Valente - Por uma maioria

Existem forças partidárias minoritárias que ainda não digeriram bem a recente dissolução do Parlamento, teimando em imputar ao senhor Presidente da República a responsabilidade que resulta de uma indefinição política no pós-eleitoral que se aproxima, e que assenta na dispersão dos votos pelos vários partidos, indiferente ao efeito bipolarização que é a intenção de voto mais plausível e a que mais tem sobressaído de anteriores actos eleitorais.
Cada vez se torna mais imperioso, porquanto inevitável, apelar ao voto útil e à participação dos cidadãos nas próximas eleições, com vista a obter uma maioria que dê garantias de governabilidade, independentemente da força política que sair vencedora do escrutínio daquele sufrágio eleitoral. A nossa democracia - leia-se as forças políticas mais representativas que a integram - ainda não se encontra suficientemente madura, para nós, cidadãos eleitores, deixarmos de recorrer ao voto útil no sentido de viabilizar uma maioria parlamentar estável. Os senhores políticos estão muito mais preocupados com a satisfação dos seus interesses pessoais carreirísticos, que lhes permite subsequentemente o acesso à bonança do universo empresarial privado, o que aliás se tem vindo a verificar com os quadros saídos de anteriores governos, sobretudo os do PSD. Falar, pois, em pactos de regime ou planos de concertação comungados pelas várias forças políticas, é perfeitamente impensável no Portugal dos nossos dias. Resta-nos, portanto, fazer o apelo às maiorias absolutas monopartidárias, sejam elas do PS ou do PSD, estimulando deste modo o quadro da bipolarização, posta de lado que está, por falta de consenso, a alteração à lei eleitoral, baseada actualmente no método de Hondt, e cujo processo de atribuição de mandatos começa a constituir-se como alvo de alguma polémica no teatro do sistema eleitoral do nosso país. Os senhores políticos no seu egoismo e falta de clarividência, esquecem-se que o país precisa que se levem a cabo medidas estruturais e não só conjunturais que, na melhor das hipóteses, têm a duração de uma única legislatura.
Agiu muito bem o senhor Presidente da República quando chamou a si o dever de alertar os portugueses, fazendo-se acompanhar dos vários entendimentos político-ideológicos, todos eles unânimes quanto à perigosidade que advirá, num quadro de indefinição política, consequência da possível não obtenção de uma maioria parlamentar coesa e empenhada em por em prática as reformas estruturais de que o nosso país tanto precisa.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 19:38
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