Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2005

Ana Almeida - Inutilidade do voto

Um dos indicadores que mais tenho sentido em conversas informais e no contacto com inúmeras pessoas é o da Inutilidade do Voto. A descredibilização da classe política é tal, que mais facilmente as pessoas votariam em José Castelo Branco numa candidatura qualquer do que num dos actuais cabeça de lista dos partidos que concorrem às legislativas...
Argumentos pró-abstenção:
1 - A sensação de que os políticos são todos iguais em termos de falta de honorabilidade, vontade do poder pelo poder e incompetência.
Este argumento, expresso de múltiplas formas, está directamente relacionado com a degradação das condições de vida muito que as pessoas hoje enfrentam e com as consecutivas escandaleiras e jogos de teatro da classe política, onde os pequenos "casos", os boatos, a intrasnsigência e falta de honorabilidade são a marca dominante ...
2 - Directamente relacionado com este começa hoje a propalar-se um outro argumento a favor da Inutilidade do voto popular : a sensação de que o próprio resultado eleitoral já está viciado à partida e não depende da vontade expressa dos eleitores.
Vejamos - o cenário que se desenha é a possibilidade real de que um partido minoritário, o PP, que tem como refém um partido que já deu muito á democracia, o PSD, venha a ser o partido a governar Portugal.
O referido partido propõe-se apenas ser poder, em coligação à direita ou à esquerda, seja como for. O seu objectivo único é o Poder pelo Poder.
Quem votar no PP já sabe que quer um Governo do PP.
Mas, quem votar no PSD já sabe que está a votar também um Governo do PP, que é quem, neste momento , controla efectivamente aquele partido, esgotado e fracturado.
E quem votar no BE ou no PCP, ao contribuir para retirar a maioria ao PS estará a votar no PP, um Governo do PP que tem pretensão a formar governo, mesmo que seja o mais minoritário de todos os partidos....
E quem votar no PS, pode correr sérios riscos de votar no PP, no caso daquele partido não conseguir uma maioria absoluta e de se aceitarem vergonhosos compromissos pós-eleitorais a que o PP já se disponibilizou descaradamente...
Moral da história, mesmo que essa não seja a vontade da esmagadora maioria do eleitorado (mais de 93%), corre Portugal sérios riscos de vir a ser "governado" por um senhor chamado Paulo Portas.
E isto é a descredibilização completa do sistema de representatividade democrática.
Perante isto a abstenção pode ser brutal.
Ana Almeida
publicado por quadratura do círculo às 19:28
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