Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005

Jorge Costa - Criticando Patinha Antão

Na sua coluna Ponto de Vista, no D.N. de 2 de Janeiro, página 17, o insigne académico, reputado economista e douto legislador, actualmente secretário de estado da saúde, Mário Patinha Antão num assomo de profunda honestidade intelectual para fundamentar as suas teses cita profusamente o Relatório de 2001 do Banco de Portugal e declarações à época do seu Governador, concerteza por lapso esqueceu os relatórios e declarações subsequentes e mais contemporâneas.
Para obviar ao esquecimento, recordaria que Vítor Constâncio afirmou muito recentemente, à saída de uma audiência presidencial, que o défice actual estaria próximo dos 6 por cento, muito pior que o de 2001.
Onde estará a celebrada consolidação orçamental, o anunciado fim da necessidade da austeridade e o alto astral?
Ou será que as sagradas escrituras só são válidas para os pecados alheios e não para os próprios.
Os trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, que foram espoliados do seu Fundo de Pensões, o meio milhão de desempregados e todos aqueles que viram adiados os pagamentos das diversas prestações sociais devem estar mais atentos às declarações recentes do Banco de Portugal que às citadas pelo preclaro plumitivo.
Avesso à tecnologia verbera o uso de teleponto por José Sócrates, talvez invejoso pelo seu líder de turno, Pedro Santana Lopes, andar aos papéis com discursos escritos como se viu na sua tomada de posse como primeiro-ministro.
Resistindo e lendo o artigo até ao final, conclui-se que o sr. também não simpatiza com os relatórios do PNUD, do Banco Mundial ou da OCDE, pois ao acabar pergunta no caso do Partido Socialista ser Governo: “Vai reduzir o peso do Estado, como o Orçamento prevê, de 48,2 % para 46,9, ou vai aumentá-lo para os níveis da Europa do Norte, como o PS ideológico sempre quis, quer e quererá?” Nesses relatórios os tais países da Europa do Norte lideram o desenvolvimento mundial.
Imagine-se a preocupação dos portugueses e das portuguesas quando atingirmos os níveis dessa depreciativamente designada Europa do Norte, tidos como o paraíso da social-democracia. É verdade que o partido do articulista já há muito se esqueceu do que era isso de ser social-democrata ainda que mantenha essa designação no seu nome.
Publicidade enganosa!
A referência ao PS ideológico demonstra que está contra quem pensa e fundamenta a sua prática num corpus consistente de ideias e ideais, revela-se um adepto fervoroso do pragmatismo sem princípios ou seja do tudo ao monte e fé em Deus.
Ainda que sem casos de justiça ainda não foi desta que o PSD acertou no porta-voz para a economia.
Seja qual for o próximo Governo, o simples facto de nos livrarmos do actual já fará com que o ano de 2005 seja melhor que este que agora termina.
P.S.: Parafraseando John Kennedy seria bom que cada um dissesse o que fez pelo país em vez de esperar o que o país poderá ou não fazer por ele. Como declaração de interesses poderei sem medo de contestação afirmar que o serviço que dirijo até dia 17 de Dezembro, inclusive, ultrapassou em 21,54 por cento a produtividade contratualizada.
O senhor secretário de estado da saúde também teve de dar o seu melhor para que a dívida do seu ministério, à Indústria Farmacêutica, atingisse o valor recorde de 945 milhões de euros em Novembro de 2005 (muita dela vencida há mais de 900 dias), eram 404 milhões em Janeiro de 2003 e 639 em Janeiro de 2004, mais que duplicou.
O meu mérito é logicamente inferior, as consultas do meu serviço só cresceram 41,67 por cento em dois anos.
Sr. Doutor pela sua produtividade, bem-haja!
Jorge Costa (Assistente Hospitalar de Imuno-Hemoterapia do Hospital Doutor José Maria Grande e membro do Secretariado da Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista)
publicado por quadratura do círculo às 18:28
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