Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2004

António José Monteiro - Paixão de Santana

PSL Iniciou formalmente a sua campanha eleitoral.
O seu comício inaugural não aconteceu em qualquer sede partidária ou espaço político "arrendado" para o efeito. Aconteceu na residência oficial do primeiro ministro. Assim, em ambiente de pose de estado, o P.M em funções de gestão discursou em profundidade sobre os temas habituais : a escandalosa atitude do PR; a perseguição feroz de que foi alvo, em quatro meses pela comunicação social, mas sobretudo pelos seus correligionários; as fantásticas medidas tomadas pelo seu "governo" em apenas quatro meses de governação, que fizeram deste executivo um modelo de eficácia, ao pé do qual o próprio Cavaco Silva sai empalidecido.
Por último, se algo "correu mal " na sua governação, os únicos culpados são ... Durão Barroso, que abandonou o executivo e o deixou com uma "pesada herança " e os traidores do seu partido, que o têm crucificado, a ponto de ter "as costas cheias de cicatrizes de facadas, a ponto de não caberem lá mais".
Ao ouvir a intensidade dramática desta expressão da boca de um P.M em exercício, sentado num cadeirão da sua residência oficial, ainda esperei, que num rasgo de exaltação histriónica o homem se despisse em directo e mostrasse aos portugueses o dorso martirizado, numa remake barata da polémica "Paixão de Cristo". As referências constantes a "Deus", ou a "Graça a Deus", ou "se Deus quiser" não me deixaram mais tranquilo. A velha diabolização da esquerda e do comunismo será esgrimida sem subtileza.
O tom da campanha está dado - populismo primário, vitimização, apelo ao portugal católico rural e profundo. O mesmo portugal que rasteja em Fátima com os joelhos em sangue, que se exalta fanaticamente à volta de questões de bairrismo como em Canas de Senhorim, que segue com mais paixão o futebolês e os seus assuntos do que as minudências da actuação política, o portugal envelhecido e empobrecido que não tem acesso á net, nem aos blogues, nem aos jornais, nem aos debates políticos dos intelectuais.
PSL deixou um claro aviso. Cuidado comigo, que sou um animal político. E usarei todas as armas que tiver, sobretudo as da autoflagelação.
Entretanto, o PP continua a campanha heróica com os nossos soldados no Iraque. Quantos corações não se enternecerão ao ver os nossos rapazes de camuflado, a lutar (não, não é pela Pátria, nem pelas saudosas colónias) patrioticamente? Será que veremos a reprise daquelas imagens de "votos de boas festas e um ano novo cheio de propriedades?" Quantos lacrimejos de simpatia não renderão estas imagens politicamente trabalhadas de apelo ao nacionalismo?
A campanha começou. Paulo Portas, a ganhar trunfos como estadista, com pose de responsabilidade e respeitabilidade. Pedro Lopes, na figura de Cristo crucificado.
António José Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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