Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2004

Hilário Forja - Poder e Pessoas

Portugal está como está, mais por uma dificuldade ou ausência de estilo de governação adequada, do que propriamente por falta de medidas económicas estruturais. Não quero dizer não exista essa necessidade, mas as medidas só existem com as pessoas, infelizmente não basta aplicá-las. Sem a mobilização as medidas começam a falhar, e às vezes não é possível quantificar essas dificuldades.
O que eu percebo e tenho cada vez maior consciência é da extrema ignorância do poder político/económico sobre o que são realmente as pessoas. Governa-se e “aplica-se” o poder com arrogância, fruto de uma crença ingénua inerente às teorias clássicas de aprendizagem, em que as pessoas são tidas como tábuas rasas, e às quais basta aplicar um estímulo adequado para obter a resposta que se pretende. Todos sabemos que isto não se passa assim, mas infelizmente a prática do poder é na sua essência exercida desta forma. O que resulta daqui são profundos desencontros do poder com as pessoas. Isto porque esta tipologia de relação é profundamente desequilibrada e aniquiladora de uma das partes, no seu acontecer enquanto elemento activo de participação. O grande desencantamento face à politica da maioria do povo tem a ver com isto, que se traduz no sentimento generalizado, que “parece não valer a pena” “eles são isto e aquilo”, ” só nos ligam na altura do voto”. Etc…
As pessoas até dão alguma margem de manobra aos políticos, porque têm consciência que não existem politicas miraculosas, que possam trazer Portugal de um momento para outro para níveis de desenvolvimento que todos queremos. O que se verifica é a existência de um sentimento, que elas são postas à margem, são desvalorizadas no seu potencial, diria mesmo, numa “aventura” interpretativa da minha parte, que não se sentem estimadas e dignificadas na sua cidadania. Pode-se dizer, que Portugal está numa “bronca” por causa deste desencontro, é que o poder necessita das pessoas para conseguir levar a cabo as medidas estruturais potencializadoras do desenvolvimento. O que acontece é que a aplicabilidade destas medidas são sentidas por uma grande maioria como actos de governação contra eles. Não tanto por não perceberem a sua necessidade, mas devido a mecanismos reactivos despoletados por esta dificuldade de encontro. A questão essencial que leva ao erro tem a ver com o estilo de governação. O que eu tenho verificado ao longo dos anos no exercício do poder é que
parece ser exercido sempre contra alguém (entenda-se grupos de referência na Sociedade), com uma argumentação de fundo de ser a favor de Portugal, como se fosse possível desenvolver um País sem o envolvimento de todos. Verifica-se que isto parece ser potencializado em virtude da maioria das pessoas, que exercem diferentes cargos de poder padecerem ou serem contaminados, daquilo que parece ser uma exacerbação de mecanismos paranóides do qual o exemplo típico é o Dr. Paulo Portas. É impressionante os inimigos que o senhor vê. Eu acho que sem querer foi-lhe atribuído a pasta certa. Entenda-se que não tenho nada contra esta figura, mas não resisti ao exemplo. Acho que somos todos válidos, até porque as características de personalidade nunca poderão ser alvo de qualquer juízo de valor, embora claro está, tenham implicações nos diferentes papeis que desempenhamos ao longo da vida.
Ao contrário do que julga a maioria dos homens do poder ele deve ser exercido no equilíbrio entre movimentos de verticalidade hierárquica e horizontalidade participativa. É claro que para isto não se pode estar preso a outras “verticalidades” por vezes não tão bem conseguidas como desejadas. Queria deixar aqui a ideia, um recado para o poder, se queremos chegar à razão o caminho mais adequado é irmos pela via afectiva, ao que parece agora até confirmado pela “Deusa” Ciência. Como diz o ditado - as moscas apanham-se com mel - Uma desculpa a todos nós pela comparação.
Hilário Forja
publicado por quadratura do círculo às 18:40
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