Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2004

Baltazar Pinto - Democracia e tentação

Quando há poucos anos se notou uma notória subida de interesse em partidos ou gente ligadas a ideologias extremas, como o caso de Le Pen na França, eu questionava-me como alguém no seu perfeito juízo poderia optar por defender extremismos. Mas vejamos o que temos vindo a detectar ao longo destes anos de democracia e o que os políticos estão a fazer para que isso seja uma opção cada vez mais apetecível e aceitável por mais gente. Ao longo destes últimos anos temos visto em Portugal uma ineficácia total dos políticos em gerir correctamente um estado, muitas acções e atitudes que estes políticos têm e tiveram seriam uma justificação para serem despedidos na maioria das empresas, no entanto continuam a exercer as suas funções como políticos. A ideia de que o estado existe para salvaguardar o estado e a nação foram postas em causa estes últimos anos, Portugal perdeu a sua força comercial na pesca e na agricultura. Não quero com isso dizer que a população não teve a sua culpa na degradação destas áreas económicas, porque muito do dinheiro que a CEE entregou a Portugal para melhorarem a sua estrutura foi parar a bolsos errados ou em projectos sem qualquer interesse. Mas os governos da altura não se podem furtar as responsabilidades dessas falhas porque a fiscalização é da responsabilidade das entidades governamentais. Sendo assim, Portugal passou a ser um buraco numa comunidade que se alargou há pouco e não nos resta mais nada a não ser as grandes empresas que se estão a expandir para outros países, como a PT, empresas que viveram ao longo de vários anos com a garantia financeira do seu monopólio. O que nos resta hoje? As empresas portuguesas sobrevivem muito mal e muitas vêm-se na necessidade de entrarem em jogos ilícitos de fugas ao fisco para conseguirem ter rendimentos e conseguirem pagar os vencimentos, mas os nossos governantes não vêm isso, preferem ir a Espanha louvar os empresários espanhóis por estarem a entrar no mercado português e a criticar os empresários portugueses por não conseguirem fazer o mesmo no país vizinho. Mas não conseguem ver que os empresários portugueses não têm as mesmas condições que os vizinhos espanhóis, não têm o mesmo número de possíveis clientes para conseguirem uma folga financeira para investirem no alargamento e não têm a mesma carga fiscal que os espanhóis. A crise que se iniciou no governo PS está aí há alguns anos e empresas continuam a fechar, muitas saindo para os países recentemente integrados na CEE. Mas será que vemos os nossos políticos preocupados com isso? Claro que não, a sua preocupação está na qualidade e idade das suas viaturas e no investimento das suas imagens públicas. Como é que se pode confiar numa democracia que tem como defensores políticos que não se preocupam com o seu país? Com estes políticos cada vez mais entendo as pessoas que preferem votar em alguém como Le Pen em vez de votarem nos eternos e incompetentes PS e PSD.
Baltazar Pinto
publicado por quadratura do círculo às 18:07
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