Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2004

David Gouveia - Incompatibilidades

A oposição de Pacheco Pereira à lei das incompatibilidades de funções para os politicos chocou-me profundamente por razões de lógica e de princípio.
A Direita, capitalista liberal, caracteriza-se, por um lado, por ser realista e até pessimista quanto à natureza humana e por outro defensora daquelas qualidades humanas que contrabalançam tal realismo e pessimismo.
Assim se compreende que defenda a iniciativa privada e condene a iniciativa pública pois esta está sujeita aos erros de poucos decisores enquanto a iniciativa privada, resultante das acções de muitos (vulgarmente chamados “o mercado” ou “a mão invisivel”), não sofre, em média, de tantos erros.
Daí a direita defender que os politicos devem ser financeiramente independentes (leia-se ricos) para não cairem na tentação de usar o poder para enriquecer e para poderem defender o interesse da Nação acima do seu próprio, assumindo que quem já tem não quer mais (é aqui que está o erro da Direita pois a ganancia é um dos tais defeitos do ser humano que o seu realismo deveria reconhecer).
Mais, a direita defende uma certa virtude de comportamento que é levada ao extremo pelos chamados codigos de honra que romanticamente são supostos pautar as acções dos bons conservadores.
Ora a posição de Pacheco Pereira choca com tudo isto, apesar de ser coerente quanto ao sebastianico desejo de ver Anibal C. Silva de regresso. Parece que os deputados precisam de fazer mais dinheiro do que o ordenado que auferem para “valer a pena” lá estar (na AR). Mas isso é esquecer que não só o ordenado de deputado é superior à média nacional como tambem que o “politico só devia dedicar-se à politica depois de ter feito dinheiro”. É esquecer que o “exercicio da politica é o mais alto chamamento a que um cidadão pode ansiar e que requer vocação e espirito de sacrificio”. É esquecer ainda que depois de oito anos de serviço o politico tem uma reforma muito significativa: quem é que tem uma reforma após oito anos de serviço?
Prefiro que se passem leis que tornem incompativel o representar o Povo com o fazer negócios, exercer advocacia, pertencer às forças de coação (militares ou policias), ser médico ou padre. Talvez a única excepção seja ensinar mas mesmo para isso vamos ver a disponibilidade de horas para fazer bem as duas coisas.
David Gouveia


publicado por quadratura do círculo às 17:53
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