Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004

Pedro Moreira - Fraude Eleitoral?

(...) Conta-se a estória em dois actos, sendo que, o primeiro apenas serve como catalisador do segundo mas têm ambos como denominador comum uma certa forma de fazer política (Quero apenas ressalvar que esta narração é a consequência da observação de uma série de acontecimentos por alguém que nada tem de analista, comentador, jornalista ou político. Apenas um comum mortal. Daí a distorção da realidade...).
Começa o primeiro acto logo depois do abandono de Guterres (já comparada aos ratos no momento do naufrágio. Uma injustiça. Para os ratos, claro. É que eles - os ratos - não iam ao leme), durante a campanha para as legislativas. E agora vou ser sucinto: Barroso e Portas revelaram sem pudores o que sentiam um pelo outro. Barroso ganhou, mas não muito; teve que engolir o que disse (e sobretudo o que sentia) e coligar-se com Portas. Entretanto, Santana - por quem Barroso gostava quase tanto como de Portas - era já o nº dois do partido, depois duma vitória em Lisboa, em que era suposto ter sido apenas carne para canhão. Mais tarde, Barroso joga na sorte e ganha o seu Euromilhões: vai para a Presidência da União Europeia. Até aqui tudo bem. Porém, não se ficou por isso. E resolveu regurgitar os sapos que o indispunham, mas como um bom diplomata, na calada dos bastidores. Primeiro, preparou o terreno e depois rematou certeiro (pensava ele) para a baliza de um Sampaio ainda sem
reacção: insinuou à saída da audiência com o Presidente que o próprio lhe havia transmitido a ideia que não havia lugar a eleições antecipadas, condição única para assumir tão prestigiado cargo em prol da nação. Claro que a confusão e os protestos da oposição foram imediatos: eleições já! E deixou Sampaio numa posição desconfortável.
Qual era então a táctica? Claro que ia para a Europa de qualquer maneira mas contava que Sampaio não sucumbisse a essa espécie de chantagem e convocasse finalmente eleições antecipadas. Porquê? Portas desaparecia do mapa com o seu PP; Santana concorria como líder do PSD e perdia, o que levaria a uma mais que provavel posterior substituição por alguém mais credível e capaz (isto se o próprio Santana não renunciasse), que pudesse fazer uma oposição forte a um Ferro fraco, que ganharia (mas não por muito) as eleições mas cujo futuro (dele e do seu governo PS) não era risonho. Teria então a forte oposição dum novo PSD e de vários PS's. Com um governo PS fraco, como seria previsível, estava garantida a eleição de Cavaco em 2006. E aí sim, poderiam pensar no pleno. Parecia perfeito.
Pois parecia, e tinha tudo para ser. A situação não parecia deixar grandes dúvidas. Foi então que Sampaio se revelou. E aqui começa o segundo acto desta triste peça.
O que se passou foi pura e simplesmente uma fraude eleitoral, pois foi manifestamente condicionado o sentido de voto do povo Português através duma manipulação sem precedentes, ainda para mais vinda do mais alto magistrado da Nação. Que Sampaio desejasse que fosse o PS a ganhar as eleições, de preferência com maioria absoluta e um líder forte, era legítimo. Até podia pensar que seria o melhor para o país. O que não podia era ter manipulado as eleições de maneira a obter o que queria. Sampaio queria eleições antecipadas e sabia que as ia convocar. Só não sabia quando e em que circunstâncias. Bastava Santana alinhar no jogo. E este fez a vontade, ao não se prontificar a ir a votos "em nome da democracia". Ao condicionar o momento das eleições, não as realizando quando devia, Sampaio "fez" de povo.
Se de Soares já era de esperar todo o tipo de guerrilha e combate em prol dos seus enquanto Presidente de todos, sempre ancorado na sua peculiar personalidade, vulgarmente apelidado de bonacheirão, já Sampaio se revelou um sonso. Com aquela postura cândida e sensata, Sampaio brindou-nos a todos com o inesperado. Especialmente a Barroso (já Ferro aproveitou a benesse e saíu "com honra", sem ser corrido pelos seus da liderança do partido. Foi como que a terminação da taluda). Ao contrário do que seria legítimo esperar dele e sobretudo duma Democracia plena em situação semelhante, Sampaio não deixou o povo decidir. Achou que ele o faria melhor. O povo não estava pelos vistos educado. Ele trataria de o fazer, nos meses seguintes, à custa de uma marionete chamada Santana, que a soberba cegou por completo. Com que professor teria ele aprendido esta lição do antigamente?
Claro que se eu percebesse alguma coisa disto, dizia o que por aí se lê e ouve. Afinal sou apenas um do povo. Mal educado, se calhar.
Pedro Moreira
publicado por quadratura do círculo às 19:56
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