Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004

José Carlos Santos - Matemática útil (resposta a Luís Lima)

Foi publicado no vosso blogue um texto da autoria de Luís Lima referente à Matemática dos 11º e 12º anos. Nesse texto, o autor pergunta «Será que um pasteleiro, carpinteiro, desenhador etc... tem de saber de complexas "derivadas" para a sua vida pessoal e profissional?» Eu respondo: não, não tem. Mas agora pergunto: porquê limitar esta crítica unicamente à Matemática? Um pasteleiro, um carpinteiro ou um desenhador tem de conhecer a poesia de Fernando Pessoa? Ou saber qual é a composição química da água? Ou estar a par da relação entre as cargas eléctricas do protão e do electrão?
O autor também afirma que na sua variada experiência profissional nunca viu ninguém servir-se dos cálculos dados naquele nível de ensino. Devo dizer que na minha experiência profissional jamais tive de saber que o primeiro rei de Portugal foi D. Afonso Henriques, nem de conhecer Os Maias, nem de saber o que pensava Descartes sobre a alma humana. No entanto, seria completamente contra qualquer proposta que fosse no sentido de se banirem História, Literatura e Filosofia do currículo do Ensino Secundário.
O autor do texto em questão também defende que a matéria daqueles anos «só serve para divertimento de teóricos da matemática». Ainda ontem, numa aula dirigida a alunos do primeiro ano de uma licenciatura científica, usei a dita matéria para abordar o seguinte problema: se se quer construir uma caixa de secção quadrada com 20 metros cúbicos de volume e se o material de que é feita a base é quatro vezes mais caro do que o material empregue para os lados e o topo, quais deverão ser as dimensões da caixa que minimizam o custo de fabrico? Não me parece que um problema deste tipo, cuja resolução envolve as tais derivadas «complexas», seja uma mero divertimento para teóricos. Pelo contrário, parece-me claro que tem aplicações práticas. (Já agora, para quem quiser saber a resposta, aqui vai: 2 metros de comprimento e de largura e 5 metros de altura.)
Finalmente, quem estiver interessado em saber que Matemática aprendem os alunos do fim do Ensino Secundário de outros países deverá começar pela edificante leitura dos livros «Mathematics 2: Japanese Grade 11» e «Basic Analysis: Japanese Grade 11» de Kunihiko Kodaira (publicados pela American Mathematical Society).
José Carlos Santos

publicado por quadratura do círculo às 15:57
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