Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004

Fernanda Valente - Memória de Arafat

De Yasser Arafat recordo uma imagem que me tocou particularmente, por altura dos acontecimentos do 11 de Setembro em Nova York, em que, deitado no interior de um banco de hospital, se propõe doar sangue para as vítimas sobreviventes daquele ataque terrorista. Não vi naquele acto qualquer intenção de aproveitamento mediático da situação, nem tão pouco o interpretei como puro cinismo político - aliás característica que não impendia na sua personalidade - como diriam uns, mas sim a manifestação clarividente de uma grande humildade perante a população americana (maioritariamente ao lado de Israel, muito por influência do lobby judaico com forte implantação nos EUA) que, pela mão da sua administração, tanto tem alimentado o conflito israelo-palestiniano.
A tentativa de estabelecer a paz com Israel, levada à prática através da assinatura dos Acordos de Paz de Oslo, juntamente com Yitzhak Rabin e com a intermediação de Clinton - grande democrata dos tempos modernos - valeu-lhe o Prémio Nobel da Paz em 1994, ficando para sempre o seu nome ligado ao de figuras proeminentes defensoras das causas sociais e dos direitos humanos do século XX.
Yasser Arafat representava para Israel e os EUA o obstáculo/óbice que impedia que as negociações de paz chegassem a bom termo, contrariamente à Europa (ou seja, aos países mais representativos deste continente, especialmente a França, exemplo de Estado democrático que, duma forma ou doutra, tem vindo a impôr-se contra as investidas belicistas daquele estado judaico apoiado pela superpotência) que sempre o apoiou quanto mais não fosse cedendo-lhe uma das "armas" mais perigosas da actualidade, a da comunicação social.
Penso que o conflito israelo-palestiniano se resume a uma questão de posse de terra, de uma terra que é a Terra Santa e que ambos disputam como sendo sua. Aqui o fundamentalismo com base na religião não se coloca, constitui até um factor marginal em todo este conflito.
Com a morte de Yasser Arafat iremos assistir a um extremar de posições por parte das várias facções políticas palestinianas e consequentemente à prossecução da guerra até à destruição do inimigo. Existirão muitas baixas inocentes em ambos os lados, dispondo Israel nesta luta desigual de uma grande vantagem que é a do seu potencial bélico de elevada tecnologia.
A solução encontra-se na entrada no "teatro de operações" de um terceiro elemento, imparcial e dissuasor que, mesmo recorrendo à violência se necessário, imponha a solução definitiva da co-habitação entre os dois Estados, pondo assim fim a uma guerra que se prevê longa e de desfecho imprevisível. Neste sentido, a eleição de Kerry nos EUA teria sido providencial, pois estou certa de que a solução para este conflito em muito contribuiria para a resolução dos problemas que neste momento incendeiam o Médio Oriente.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 15:42
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