Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

Fernanda Valente - PSD em crise

O PSD está mergulhado numa profunda crise interna. Existe um clima de guerrilha entre as duas facções políticas apoiantes das linhas de orientação programática "Cavaco Silva" e "Santana Lopes", ou, como é comum dizer-se, entre "cavaquistas" e "santanistas". Lutas internas no seio dos partidos políticos, democráticos, sempre se verificaram e são até salutares. Num partido que acolhe pessoas dos mais diversos quadrantes socio-culturais e profissionais, o debate de ideias e o intercâmbio de experiências são fundamentais para a sustentação dos princípios doutrinários que norteiam o espírito politico-partidário, podendo até ler-se como um sinal de vitalidade democrática, em termos partidários. Como eu dizia, a luta interna é salutar, mas quando circunscrita ao seu espaço de acção, se transpõe esses limites, então podemos estar a assistir a uma manobra de instrumentalização da opinião pública (caso Marcelo).
"Reestruturações" em orgãos de comunicação social implicam mudanças de chefias, pessoas incómodas que articulam notícias desfavoráveis ao governo, denunciando o que se passa nos bastidores da comunicação social. Não será de admirar, enquanto o Estado for "dono", quer por via directa ou indirecta, de uma panóplia de empresas ligadas ao sector que lhe asseguram à partida a viabilidade dos métodos por ele definidos, destinados a atingir os fins políticos a seu belo prazer. Num país civilizado, ou melhor, num mundo de políticos civilizados, o Estado deveria ter uma função meramente administrativa e de garante do regular funcionamento das instituições. Mas, e citando Agustina Bessa Luís, à medida que o ser humano se vai civilizando torna-se preverso, faz parte da natureza humana. Iremos portanto assistir a idênticas "reestruturações", à medida que a luta pelo poder se for acentuando.
Louvo o trabalho de todos aqueles que diariamente se permitem desmontar esta teia sinuosa, que a cada dia aumenta mais e mais, ao levar ao conhecimento da opinião pública os meandros desta política obsessiva e opaca com que este governo nos tem vindo a brindar.
Em vésperas de mais um congresso do PSD, gostaria de ver subir à tribuna todos aqueles que se opõem a PSL, pois, como é de esperar, serão muitos os que o irão apoiar, mas em tempo algum, a quantidade foi sinónimo de qualidade, e partindo desse pressuposto a ruptura dar-se-á inevitavelmente. O PSD de Cavaco Silva (e de Durão Barroso, porque não?) é o partido em que me revejo; não gostaria de ver-me "forçada" a votar noutro partido com o qual não me identifico ideologicamente e, na maior parte das vezes, programaticamente, o que parecendo uma incoerência, mais não é do que um mal menor.
Fernanda Valente
publicado por quadratura do círculo às 17:11
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