Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

José Monteiro - Me espanto

Como não me espantar, quando o apoio político ao presidente Bush vem de um intelectual com o peso de Pacheco Pereira – “votava nele...”
De Natália Correia, ouvi um dia a sua resposta a uma observação minha sobre os intelectuais: pois é... ai de nós quando os intelectuais deixarem de ser incómodos.
E se a independência de JPP pós parlamento europeu lhe deu para se manifestar como tem feito para com o actual governo, já o seu aplauso a Bush e à sua guerra preventiva, não joga nada com duas coisas: a sua inteligência, a sua cultura, ou joga?
De um ponto de vista realista, tudo bem. Como os regimes políticos não são eternos, nem sequer os povos, nada de mais natural do que admitir uma transformação em curso na sociedade norte americana com tendências hegemónicas imperiais. Assim sucedeu ao longo da história, mais recentemente com as potências europeias dos séculos XVIII-XIX, os Estados guerreiros da Europa ocidental. Assim entendendo o futuro, cientes de que nada de substancial o vai alterar a curto/médio prazo, que outra solução inteligente senão aceitar e de algum modo participar no jogo dos vencedores?
Porque é a luta contra o terrorismo, afirma categoricamente JPP. No Iraque de há ano e meio atrás? Valha-nos Deus, em que ambos não acreditamos, creio eu. Primeiro, que foi feito do esforço para apanhar Bin Laden, vivo ou morto? Deixou de interessar? A quem interessa a continuação da sua presença? Segundo, não é preciso ser um observador militar (ainda que exterior), para perceber o elementar: primeira guerra do Iraque e destruição do seu potencial bélico; zonas de exclusão aérea, vigilância permanente e destruição sistemática de objectivos militares (durante uma década); incapacidade económica, cientifica e industrial do regime para desenvolver projectos de armamento NBQ; bluff iraquiano de ADM, ou bluff dos EUA e órgãos de comunicação social sobre palácios, subterrâneos, exércitos camuflados e depósitos de armas perigosas?
Perante o impacto mortífero dos ataques a Nova Iorque e Washington, como não reagir e descarregar o elevadíssimo grau de stress mental que daí resulta sobre alguém? Azar do Iraque. Com inúmeras vantagens: pouco perigoso para o exército dos EUA - tivesse o Iraque ADM e outro galo cantaria, provavelmente não teria havido ataque terrestre; fácil e útil aplicação das forças armadas profissionais, sem uso durante uma década; aplicação dos novos e sofisticados meios de equipamentos e armamento inteligente; escoamento e consumo dos equipamentos e munições dos paióis norte americanos, a bem da indústria (Eisenhower diria, do complexo militar industrial).
Da Guerra, duas questões pequenas: As baixas americanas, um milhar de soldados, nada de significativo. O que são mil famílias atingidas, na população norte americana? De um exército de voluntários? As baixas na população iraquiana, poucos ou muitos milhares, nada de mais insignificante para quem nunca experimentou uma guerra, mesmo de baixa intensidade, como eram as nossas últimas em África, na defesa da civilização cristã e ocidental.
Hoje, é a luta pela democracia, diz-se. De uma forma menos prosaica, pela vida regalada dos povos do hemisfério norte e seus dirigentes. Que fazer, senão admitir, compreender e mesmo apoiar? Europa? Exército europeu? Política comum? Interessa aos EUA?
M’ espanto, mas perante a realidade, sejamos realistas. Como JPP?
José Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 17:01
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