Terça-feira, 2 de Novembro de 2004

Nuno Moreira de Almeida - Marcelo e Alta Autoridade

As tão aguardadas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa no âmbito da
audição com a Alta Autoridade para a Comunicação Social:
"Paes do Amaral aconselhou-me a repensar a orientação dos meus comentários"; "Devia fazê-lo urgentemente no prazo de 2 semanas"; "Paes do Amaral recordou-me que as licenças de televisão são atribuídas pelo Estado"; "Ele considerou inaceitáveis os meus comentários sistemáticos contra o governo"; "Estranho que havendo um ministro da tutela seja o ministro dos Assuntos Parlamentares a pronunciar-se sobre essa matéria"; "Não tinha outra solução senão deixar a TVI".
Torna-se interessante o facto de, apesar de veladamente, Marcelo Rebelo de
Sousa deixar implícito que existe clara instrumentalização dos orgãos de
comunicação social por parte do poder económico, como mero meio de
atingimento de objectivos de carácter empresarial (lucro?).
Curiosa ainda a opinião do professor ao considerar a tendência para um
governo fraco contornar as suas debilidades intervindo perniciosamente na
comunicação social, fenómeno que a médio prazo inexoravelmente funciona como
um "boomerang" contra o próprio governo.
Agora pergunto eu:
Reiterando este governo que não exerce qualquer forma de censura sobre os
orgãos de comunicação social por que razão se sentiu impelido a criar
recentemente uma "central de propaganda"?
Por outro lado, se este mesmo governo está tão seguro da qualidade da obra
que está a realizar e da competência do seus membros no exercício
governativo porque motivo se sentiu tão melindrado e atingido pelas críticas
formuladas por Marcelo, tendo reagido de forma tão abrupta?
Recordo que o professor comentador foi tão ou mais crítico em relação à
linha de actuação dos governos liderados por Guterres e nunca foi sobre ele
exercida qualquer forma de censura ou tentativa de silenciamento.
Afinal parece que a tolerância e o espírito de abertura e de democraticidade
professados por António Guterres eram genuínos: "atrás de mim virá quem bom
de mim fará".
Um dado adquirido e atestado por toda esta lamentável e escusada polémica é
que, paradoxalmente, quando aparentemente a intervenção do Estado tende a
ser menor em vários sectores, a nível formal, nomeadamente na chamada "economia de mercado", maior tende a mesma a ser feita de forma encapotada e
sub-reptícia.
Um sistema pérfido?
Nuno Moreira de Almeida
publicado por quadratura do círculo às 18:59
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