Segunda-feira, 25 de Outubro de 2004

Miguel Teixeira - País do provisório

Vivemos numa réplica do País das Maravilhas, onde tudo aquilo que se constrói ou ergue de forma meramente provisória, tende a prolongar o seu tempo bem para além do que seria suposto. Exemplos não faltam e de norte a sul de Portugal somos confrontados com situações que há muito superaram o provisório para passarem definitivamente a... definitivas. Logo aqui, na capital, temos o caso do viaduto que liga Alcântara Terra a Alcântara Mar. Uma obra projectada de forma a provisoriamente resolver um problema que na época se colocava na ligação daquelas duas zonas e que passados – já nem sei quantos – anos, se mantém por ali, firme e hirto. Mais à frente – a caminho do Cais do Sodré – surge uma outra ligação aérea, e de novo a conectar a zona Mar com a Terra, esta em direcção ao início da Infante Santo. Mas não é só Lisboa que nos presenteia diariamente – e de há muitos anos a esta parte - com estes exemplos que, de simples remédios, passaram já a ser a cura. Em Tavira, por exemplo, um outro caso passa já despercebido a quantos por lá se movimentam. Este remonta igualmente há uns aninhos atrás, aquando das terríveis cheias que abalaram a região e que quase arrasaram a antiga ponte romana, invalidando a circulação automóvel sobre a mesma. Em risco ficou, na época, o contacto entre as duas margens do Gilão. Chamado de pronto a intervir, o exército ergueu uma ponte de campanha que, provisoriamente, atenuou os danos causados à população local. Hoje, é essa mesma ponte que mantém unidas as duas margens e não se prevê que a situação sofre quaisquer alterações. O que me dá ideia é que as soluções provisórias encontradas pelos nossos “cérebros” são de tal modo válidas, funcionais e duradouras, que antes mesmo de serem provisórias já lhes está destinado o estatuto de definitivas. E não é só ao nível das obras públicas. A coisa funciona de tal modo bem e de forma tão abrangente, que até ao nível da governação passou a ser aplicada. Vejam-se os casos do primeiro, segundo (...), décimo primeiro, décimo segundo (...) governos, todos eles... provisórios. Não vêem a ligação? O que é que muda quando passam a definitivos? É isso mesmo, nada.
Miguel Teixeira
publicado por quadratura do círculo às 13:23
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