Segunda-feira, 25 de Outubro de 2004

Nuno Moreira de Almeida - PPD versus PSD

Nunca como agora, a guerra esteve tão declaradamente acesa entre PSD e PPD.
Ao contrário da aglutinação verbal (PPD/PSD) que gosta de pomposamente
enfatizar, Santana Lopes está a provocar a maior divisão de que há memória entre as alas social-democrata e liberal do seu partido.
Nunca como hoje, a grande oposição a um governo sustentado pelo partido foi protagonizada por elementos do mesmo. José Pacheco Pereira, Luís Marques Mendes, Teresa Patrício Gouveia, Leonor Beleza, Miguel Veiga, Marcelo Rebelo de Sousa (curiosamente, balança entre liberais e social-democratas), o próprio Cavaco Silva, fazem roer de inveja e corar de embaraço os líderes das forças partidárias da oposição.
Para isso, muito concorre a inimaginável colagem do PSD ao seu parceiro governamental, uma pequena força política de direita, com tendências extremistas. E esse fenómeno tem contribuído decisivamente para o exorcismo de velhos fantasmas que estavam mergulhados em longa letargia no sotão da Rua de São Caetano à Lapa. É certo que na velha AD também houve uma coligação com o CDS (e com o PPM), mas aí não eram as alas “direitistas” nem de um nem de outro que ditavam as regras, daí que nunca tivesse havido tamanha ebulição interna.
O PSD assente numa base não doutrinária, assumindo um centro pragmático, foi decisivamente colocado na gaveta por Santana Lopes, o qual nunca escondeu as suas simpatias por uma tendência mais liberal e populista, claramente mais próxima da democracia-cristã afanosamente professada por Paulo Portas, o qual semeou, como todos sabemos, nos seus tempos de “Independente” anti-corpos no PSD, profundamente cavaquista.
Acrescente-se a isto a afinidade e amizade entre ambos e rapidamente se entende a causa da desregulação recente do equilíbrio que com Durão Barroso, assumidamente um social-democrata, vigorava entre PSD e CDS, no seio da coligação.
Qual a consequência de tamanha cisão? Não sei, mas seguramente não será uma questão despicienda e ainda dará muito “pano para mangas” aos comentadores políticos aqui do burgo.
Já Francisco Sá Carneiro, num estilo pacificador e aglutinador, dizia:
«Se se entende por liberal todo aquele que acha indispensável que qualquer solução política respeite as liberdades e os direitos fundamentais da pessoa humana, sou efectivamente um liberal. Se, por outro lado, se limita a concepção do liberalismo ao campo exclusivamente económico e se tem como liberal aquele que preconiza a abstenção do poder político em relação ao campo económico e ao campo social, nesse sentido não sou liberal».
Nuno Moreira de Almeida
publicado por quadratura do círculo às 13:09
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