Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004

Nuno M. Almeida - Estratégia secreta

Este governo tem uma curiosa estratégia secreta e, seguramente maquiavélica, que passa por desencadear um conjunto de situações que levem indubitavelmente a eleições legislativas antecipadas.
Pedro Santana Lopes sabe que se "gastar" os dois anos e pouco de governação a ele deixados por Durão Barroso, dificilmente ganhará eleições em 2006.
Sendo assim, procurará abreviar a marcação das mesmas para, por um lado, não ter um desgaste tão grande na sua imagem e por outro, não deixar o recém-eleito líder do PS, José Sócrates, capitalizar e consolidar a sua mensagem de líder, de forte referência da oposição e de uma clara alternativa de governação para os portugueses, cenário que naturalmente não agrada a Santana.
Durão soube servir a sua vingança a frio a Santana ao deixar-lhe a
complicada segunda metade desta legislatura, prenda envenenada essa que o actual primeiro-ministro não poderia recusar aos olhos da opinião pública.
Tendo-se já apercebido daquilo que o esperava, Santana Lopes optou por uma estratégia arriscada e eventualmente suicida, mas muito ao seu estilo. Essa estratégia passa por anunciar e executar polémicas e impopulares medidas que criem um certo clima hostil em torno deste governo, tais como:
- portagens nas SCUT's;
- fim de benefícios fiscais à classe média;
- episódios como a censura a Marcelo Rebelo de Sousa;
- nomeação de Celeste Cardona;
- reforma milionária de Mira Amaral;
- caos na abertura do ano escolar;
- mais ministérios e mais secretarias de estado;
- nomeação escandalosa de assessores, motoristas, ...;
- aparente conflito e descoordenação na acção inter-ministerial.
Tudo isto, pensa Santana, fará com que se gere uma crítica generalizada em muitos sectores da sociedade portuguesa contra o seu governo para que possa dizer que não tem condições para governar e que pede assim eleições antecipadas para ver até que ponto os portugueses lhe dão a sua confiança e o espaço de manobra para uma governação plebiscitada e mais confortável.
É uma jogada muito perigosa, mas não nos esqueçamos, repito, muito ao estilo de Pedro Santana Lopes.
Veremos se tenho razão ou não...
Nuno M. Almeida
publicado por quadratura do círculo às 12:36
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