Quarta-feira, 13 de Outubro de 2004

Miguel Teixeira - Razões de escrita

Escrevo... nem sei bem sobre o que escrevo hoje. Talvez sobre as pessoas que teimam em matar-se umas às outras, não compreendendo que, com os seus actos inqualificáveis, privam à sua vítima o direito mais básico que assiste a qualquer ser humano, o direito à vida. Talvez escreva sobre as pessoas que constantemente faltam ao respeito umas às outras. O sustentáculo base da educação e da sã convivência em sociedade. Poderei ainda escrever sobre a ignorância que as pessoas a cada momento demonstram e que contribui para o acumular de equívocos que muitas vezes acabam em situações limites tão ou mais graves que o homicídio ou a falta de respeito pelos seus iguais. Ou poderia deixar aqui umas linhas sobre a falta de interesses, de objectivos que uma grande fatia da nossa população apresenta. Dos desempregados aos reformados, passando por gente mais nova e, à partida, supostamente dotada de outra forma de pensar, muitos são os que desperdiçam os seus dias com banalidades próprias de quem não possui qualquer meta em mente. Limitam-se a existir, a criticar, a falarem mal, a colocarem tudo em causa, a criarem conflitos e a gerarem ambientes negativos por onde passam, em resumo, atrapalhando quem tem responsabilidades concretas e reais diariamente. Poderia escrever sobre inúmeros temas. Mas fosse ele qual fosse, contaria sempre com a presença de um denominador comum a todos eles: o factor humano, as pessoas. As maravilhas que elas, querendo, podem protagonizar, mas também o reverso dessa medalha. O mal, a inutilidade por que, em norma, acabam por optar. Quantas e quantas vezes se ouve falar de delitos, pequenos ou grandes, de atentados à ordem pública, de crimes das mais variadas espécies, que posteriormente se pretendem desculpabilizados pela instabilidade mental dos seus autores? Mas será que para fazer o mal existe sempre uma desculpa válida? Por que será que lhes dá sempre para esse lado? É de pensar que, havendo mal e bem, haveria 50% de hipóteses para cada um deles. Então por que optam invariavelmente pelo mal? Tem ele assim atractivos tão mais aliciantes que o bem? Destruir sempre foi mais fácil do que construir, é verdade. Dizer mal custa muito menos do que elogiar. Apontar problemas é sempre mais prático do que sugestionar soluções. É aquilo que usualmente se denomina de “tendência para a asneira”. Algo que começa bem cedo, ainda em criança, e que sem o devido bom senso, que deveria acompanhar o crescimento em direcção à fase adulta, pode tornar-se uma perigosa arma capaz de feitos a todos os níveis reprováveis. E é pena que assim se pense. É pena, porque é muito o potencial que se encontra por aí desperdiçado, simplesmente porque as pessoas não estão para se maçar. É um pouco como os jogadores de futebol pagos a peso de ouro. Joguem bem ou joguem mal, no fim de cada mês têm a sua fortuna disponível na conta bancária. Então para quê esforçarem-se mais, se não ganham mais por isso? Dá mais trabalho, requer mais empenhamento e para isso nem todos estão dispostos. Para esses será sempre mais fácil continuar a falar mal, a implicar com tudo e com todos, a usar o “mexerico” e o “disse que disse”, a “lavarem daí as suas mãos”, a “sacudirem a água do capote”, enfim, a gerarem um ambiente à sua volta que os fará sentir de mal com o mundo e com todos aqueles que passam religiosamente a odiar e a detestar até ao fim dos seus dias de perfeita inutilidade.
Miguel Teixeira
publicado por quadratura do círculo às 18:09
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds