Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

Rui Silva - Sejamos realistas

Sejamos realistas e coerentes; relembremos o passado recente.
O Sr. Professor Marcelo Rebelo de Sousa teve oportunidade (quando Presidente do PSD) de acrescentar mais valia à política portuguesa, de “arejar” a acção legislativa, de tornar mais transparente a vida dos partidos, de ajudar ao progresso dos portugueses.
Não tenho ideia de o ter feito de forma a por tal ser recordado, embora admita a minha falta de memória.
O Sr. Professor Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto comentador político na TSF e, posteriormente na TVI, sempre manteve um diálogo polémico, sempre criticou o que entendia criticar, denunciou o que entendia denunciar e discorreu sempre com notável convicção, apoiada numa excelente comunicação. Foi coerente.
Provavelmente teve oportunidade de dizer o que tantos portugueses pensavam, mas não tinham hipótese de o expressar em formato televisivo.
Contudo, o Sr. Professor era um comentador político e, assumia-se, um militante de base do PSD.
Durante o referido desempenho sempre o ouvi criticar ou enaltecer os governos e as oposições (quaisquer que fossem).
O seu brilho na exposição, a argúcia da sua indiscutível inteligência, prendiam a atenção quer se gostasse ou não do conteúdo do discurso.
O facto de ter cessado, creio que por sua iniciativa, o desempenho de comentador, só o enobrece se tomada na seguinte base: as condições para esse desempenho futuro não eram compatíveis com as disponibilizadas no passado e, portanto, constrangedoras da sua liberdade.
Trata-se de alguém que, não concordando com as condições impostas para o seu desempenho, rompe com a entidade a quem estava ligado. Seria, nesta base, um procedimento normal.
Já o Sr. Ministro Rui Gomes da Silva na sua intervenção sobre o comentário político subjacente, que suponho deve ter ouvido, não foi, no mínimo, feliz.
De resto não foi o único governante, em exercício, que teve infelicidade nas declarações proferidas, sobre os mais diversos temas.
No caso daquele Sr. Ministro, diga-se, talvez tenha abusado nos termos usados e talvez tenha insinuado algo para além do que disse - talvez.
Contudo, situações destas foram e são vulgares na sociedade portuguesa.
Ingenuamente não lhe atribuo outro valor senão “uma tempestade num copo de água”.
E digo ingenuamente porque passei a preocupar-me mais, quando o Sr. Presidente da Republica chamou o Sr. Professor a Belém, para ser esclarecido sobre o assunto.
O Sr. Presidente da Republica é o garante do normal funcionamento das Instituições e do seu acto, posso deduzir, talvez abusivamente, que poderá estar em causa o tal funcionamento regular.
Será que está? Isso sim, constitui motivo de preocupação.
Contudo, com o “barulho das luzes” tenhamos, ainda, discernimento para não deixar cair os temas estruturantes do nosso futuro, a saúde, a educação, a fiscalidade, etc.
Rui Silva
publicado por quadratura do círculo às 17:58
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