Sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

Barroca Monteiro - Marcelo e a História

A ameaça – que é como quem diz, a ameaça de MRS (Marcelo) ao governo de PSL (Santana). Imaginemos que a visão semanal de MRS na TVI se mantinha até ás próximas eleições em Portugal. Que resultados eleitorais poderíamos augurar aos dois partidos no governo, se não uma catástrofe digna do que sucedeu em tempos ao PRD? Um terramoto político em perspectiva. Se já hoje nos parece estar esta coligação condenada a uma despedida sem glória, que viria a passar-se naquelas circunstâncias?
Nem terá sido necessário que da cúpula do governo tenham saído quaisquer instruções para a direcção da TVI. A intervenção do paladino ministro do governo na AR é mais do que suficiente para fazer acordar qualquer alto gestor que se preze.
A liberdade de imprensa – há perto de trinta anos, tivemos a Rádio Renascença ocupada por um pequeno grupo arvorado em representante do poder popular e à revelia dos poderes constituídos. Tornada numa tribuna de agitação política e sem qualquer representatividade democrática e legal, incendiava fácil e frequentemente as mais diversas manifestações de rua de contestação ao poder político-militar.
Solução do Conselho da Revolução: silenciada à bomba. Duas semanas antes do que viria a ser o 25 de Novembro, pela calada da noite, por uma equipa de explosivos da PSP com a presença de uma força de um comando militar paralelo ao COPCON.
Hoje e com o regime democrático, é tudo mais sofisticado. Não há necessidade de recorrer aos métodos bárbaros da força militar ou policial. Hoje, com um governo onde abundam os adjuntos para a imprensa/OCS de que se destaca uma equipa altamente treinada no Independente dos anos oitenta, a música é outra. Um ministro pouco ocupado com os assuntos parlamentares, compensa as suas frustrações funcionais e políticas na AR com a análise dos analistas políticos nos OCS. Com uma mensagem de extrema violência para os envolvidos, o seu significado não passou despercebido aos agentes do mercado, neste caso ao patrão da TVI. Não temos que nos queixar, é o mercado a funcionar. Que faríamos nós no lugar do senhor?
Atitude de MRS, Porquê? – detentor de uma mente brilhante, dotado de uma inteligência superior, como reagir à aleivosia dos pequenos e ridículos actores no palco político? Responder-lhes no seu plano intelectual algures ao nível do mar morto?
Responder aquela gente, a gente de PSL, como acabou de classificar Sousa Tavares? A este tipo de gente rasca, que não presta? O professor Marcelo? Valha-nos Deus. Era atribuir-lhes uma importância, uma categoria e um nível que não têm nem virão a ter, por mais que percorram os corredores dos palácios do poder. Uma desgraça.
Final – na semana em que o PR discursa com uma lição de história que relembra os últimos dias do arcaico regime de Marcelo Caetano, a pouco mais de um mês que há vinte e nove anos permitiu uma clarificação política fundamental na sequência dos acontecimentos com a RR, que esperar agora do caso TVI?
Do PR, que beba o seu cálice até ao fim. Do PM, que tanto prometia quando não tendo o poder, dispunha de um palco e de uma TV a revelar um orador brilhante e embevecido consigo próprio, que leve até ao fim a confirmação de uma geração democrática falhada. Um percurso universitário na desordem geral do pós-revolução, um percurso profissional insignificante (praticamente, nunca trabalhou), um percurso de acção política que passa por duas autarquias, da última das quais ficou o desastre (Lisboa).
PS: umas semanas antes dos acontecimentos com a RR e perante uma turba popular nas suas imediações, ocorreu-me um ‘isto já só vai à bomba’. Mal adivinhava o então capitão BM o que lhe estava reservado. Hoje, que fazer?
Barroca Monteiro
publicado por quadratura do círculo às 17:50
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