Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

Ana Almeida - Quinta dos Famosos

De repente, todo este episódio da censura ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa deixou este país, ainda meio obnubilado por um mês de atrasos no início do ano escolar, a remoer perplexidades, enquanto assistia à interrupção de um noticiário em prime time porque uma desgraçada porca feita vedeta televisiva paria em directo as suas crias.
Curiosamente, os dois episódios ocorreram na mesma estação televisiva, que, sabe-se agora, está ligada a um conjunto de interesses económicos e empresariais que tenta controlar a comunicação social em Portugal.
Ao contrário dos rosadinhos leitões da quinta e do Conde White Castle (leia-se com pronúncia brasileira), o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, conquistou uma coisa extremamente rara para um político português - o respeito de um público fiel.
Milhões, sim, milhões de portugueses, de todas as cores do espectro político, de todas as idades e com as mais variados níveis socioculturais, ouviam atentamente a análise política de Marcelo. De uma forma viva, contundente, nem sempre isenta, mas muitíssimo clara, Marcelo explicava aos portugueses, contextualizadamente, os casos políticos da semana, interpretava as questões governativas, os sinais, os jogos de poder internacionais e exercia um fascinante jogo de comunicação.
Marcelo, por si só, conseguiu uma coisa impensável - os milhões que o escutavam começaram a acreditava que os políticos podiam ser pessoas com inteligibilidade, credibilidade e inteligência.
Ora o processo de silenciamento de Marcelo, seria quase cómico se não suscitasse aos portugueses mais atentos uma sombra de profunda inquietação.
A "censura" de Marcelo surge precisamente na semana em que um facto inédito vem contribuir ainda mais para o desgaste da imagem dos políticos e da política neste pobre país.
Um Presidente da Câmara, de um partido que está a ocupar as cadeiras do poder, resolveu fazer campanha eleitoral num programa televisivo que retira dividendos do voyerismo básico da populaça. De ora em diante, mais do que discutir questões políticas, será possível abrir debates eleitorais com questões prosaicas como a cor das cuecas do senhor presidente ou outros aspectos mais sensíveis relacionados com as suas necessidades fisiológicas básicas, o que obviamente retira interesse a questões éticas ou jurídicas relativas ao comportamento dessa pessoa no exercício de quadros públicos.
Na mesma semana em que começa a iniciar-se, aos tropeções, o ano escolar para centenas de milhares de alunos depois de um conturbado processo em que não houve resposnsáveis - nem sequer os ministros da tutela - vemos Marcelo ser silenciado, e um político no activo, pago pelos nosso impostos a exibir-se num programa de circo.
Bem vindos à quinta! Chama-se Portugal!
Ana Almeida
publicado por quadratura do círculo às 17:32
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