Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

Amora da Silva - Ranking das escolas

No passado fim de semana, o monstro voltou a mostrar uma das suas faces,
através da publicação do ranking das Escolas Secundárias. A confecção é tão
simples como grosseira: escolhem-se as disciplinas em que se realizaram
exames, fazem-se médias aritméticas e apresenta-se o resultado final ... e a
matemática não falha. O problema não é que o resultado seja aquele e não
outro. O problema é o que se escolhe para que o resultado seja aquele. E
conforme se o que se escolhe o resultado pode ser muito diferente. Se não
acredita, consulte o ranking publicado pelo Jornal de Notícias e compare-o
com o do Público. Por outro lado, ao contrário, do que vulgarmente se diz
que os números falam por si, nada é mais falso: se num grupo aleatório de 5
indivíduos de quem se calculou a média do rendimento anual, no ano seguinte
passar a fazer parte um Bill Gates, embora a média tenha subido
astronomicamente a riqueza dos outros cidadãos em nada se terá alterado. Na
verdade os números não explicam, antes precisam de ser explicados. O
problema do sucesso escolar é de extrema complexidade e apresentá-lo desta
maneira sem tratamento ou com explicações simplistas e toscas não ajuda em
nada a entender o fenómeno. A qualidade não é uma coisa que varia de um ano
para o outro de modo abrupto. Ora, se se atentar, há escolas que descem ou
sobem mais de uma centena de lugares. Se querem saber mais alguma coisa
sobre o trabalho que as escolas desenvolvem , não saindo da aritmética,
basta introduzir o seguinte: O número de alunos que numa escola iniciam o
10º ano e o nº de alunos que concluem o 12º ano (em 3 anos, em 4 anos ou
mais). É fácil a uma escola, sobretudo, se tiver grande quantidade de alunos
atingir bons resultados no 12º ano. A receita consiste em levar a exame
apenas os alunos que tenham boas notas. Os rankings podem exactamente ter
esse efeito perverso.
Vital Moreira descreveu muito bem, aquilo que de resto é sobejamente
conhecido: há correlação entre o nível sócio-económico e o nível de
rendimento escolar. Num país com tão graves assimetrias regionais,
económicas, sociais,culturais outra coisa não seria de esperar num ranking
como o que está em questão.
Voltaremos .
Amora da Silva
publicado por quadratura do círculo às 17:16
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