Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004

Rui Silva - O Portugal dos portugueses

Tenho acompanhado, na posição de principal interessado, todos os debates, todas as polémicas, todos os pequenos nadas que povoam e poluem, através da comunicação social, o nosso dia a dia.
E digo isto porque os assuntos importantes para o nosso futuro comum, os estruturantes, não os vi debater (exemplos: a construção europeia, o modelo de educação, o modelo de serviços de saúde, a reforma da Administração Pública, a estrutura de uma fiscalidade eficaz, a reformulação do sistema judicial, a articulação dos transportes com o planeamento do território, etc.).
De tudo o que foi dito, desdito, insinuado fica uma dúvida perversa:
- Será que Portugal (melhor, os portugueses) tem algum futuro consentâneo com o que de bom houve no seu passado ou, como nos sucessivamente prometeram, um futuro ao nível dos europeus de primeira (do qual, pouco mais compartilhamos, para além do espaço físico)?
E isto porque os nossos dirigentes da coisa pública, nos fazem balançar, constantemente, entre a esperança vaga e a realidade dura.
Concretizando, o que ouvi:
- As finanças públicas estão um caos;
- Os serviços de saúde estão doentes;
- O sistema de educação está deseducado;
- A administração pública está desorganizada;
- O sistema judicial está em colapso;
- Etc.
Complementa-se, para não deixar dúvidas, com informações contraditórias do tipo:
- O nível geral da instrução em Portugal é baixo comparado com a maioria dos outros países;
- Cerca de 20% dos portugueses dispõem de menos de 300 euros mensais;
- Um milhão de habitações não preenchem os requisitos mínimos;
- Há não sei quantos fogos devolutos;
- Os portugueses, tal como o país, estão sobreendividados;
- Os PPRs devem deixar de ter benefícios fiscais e, portanto, o aforro não deve ser uma prioridade (ao inverso, como parêntesis, quase me atreveria a sugerir que todos os portugueses deveriam ser obrigados a ter PPRs, porque com eles, pelo menos, fariam e entregavam declaração de rendimentos);
- A justiça social consegue-se, além de outras acções, com a eliminação dos PPRs, com a descriminação negativa (ou positiva) das taxas moderadoras na saúde, com a nova lei do arrendamento, etc.;
- Os portugueses produzem pouco e faltam muito;
- Um relatório comentado mostra que os portugueses ao nível da Europa de primeira, são daqueles que menos dias de trabalho perdem por doença;
- A colocação de 50.000 professores através de listas informáticas erradas em catadupa resolveu-se afinal em poucos dias e colocaram-se 100.000.
Alguém que nos ajude a percebermo-nos, que nos crie esperança, que nos diga se somos os heróis da realização do Euro 2004 ou os medíocres alunos da Europa de primeira, é bem-vindo.
Mas que não seja um político, diria, musculado (costumam ter outros nomes).
Este texto, em si próprio, é um exemplo, da desorganização estrutural da sociedade, onde o português simples se move.
Rui Silva
publicado por quadratura do círculo às 12:53
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