Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004

Fernanda Valente - Sobre Finanças

Ainda sobre o discurso do Sr. Ministro das Finanças sobre o status quo das nossas finanças, que espelha os tempos de austeridade que se avizinham, dirigido principalmente às classes média e média/baixa, prepara-lhes o espírito para o seu papel na sociedade de principais pagadores, utilizando o subterfúgio do utilizador/beneficiário de serviços disponibilizados pelo Estado, serviços esses obsoletos, que nunca foram objecto de reformas profundas seguindo os parâmetros dos providenciados pelos dos estados membros de uma comunidade à qual pertencemos.
Somos assim os principais pagadores pelas sucessivas políticas de gestão de recurso ministradas pelos vários governos desde o 25 de Abril - com algumas raras excepções - políticas paliativas, inibidoras da capacidade dos nossos governantes em implementar uma verdadeira política orientada para o investimento, aquela que daria solução à maior parte dos nossos problemas, à semelhança da nossa vizinha Espanha que, com a grande ajuda dos portugueses, possui hoje um saldo orçamental positivo de 0,4 % do seu PIB, enquanto que Portugal para não ultrapassar o déficit orçamental de 3,4 %, teve que recorrer à engenharia financeira das receitas extraordinárias!
Portugal possui uma mais valia inutilizada que é a relação histórica e de sangue que mantem com os PALOP, que apesar de pobres se encontram em vias de desenvolvimento, e que apesar de pobres, subsistem. Donde vêm os produtos que eles consomem? Quem lhes assegura o apoio em matéria de infra-estruturas? Porque não envolver directamente os seus governantes nos nossos projectos de investimento, no sentido de reerguer e dinamizar a nossa indústria, tendo à partida assegurado os mercados para o escoamento dos seus produtos?
Por último, uma breve nota sobre a questão do aumento dos salários dos funcionários públicos. A exigência de aumentos salariais com base em percentagens completamente irrealistas, mais do que nunca traduz o desrespeito dos senhores funcionários públicos pelo meio milhão de desempregados que sobrevive com meia dúzia de patacos, e por aqueles que se encontram em vias de ficar desempregados, uma vez que os seus empregadores não são o Estado, mas sim entidades vulneráveis à crise que é mundial, resultante das inevitáveis políticas da globalização.
São os senhores funcionários públicos que ficam retidos em Varadero e noutras paragens por causa dos furacões, são os senhores funcionários públicos que não dispensam 15 dias de férias no Algarve e são os senhores funcionários públicos que beneficiam de um sistema de saúde diferenciado e de múltiplas taxas de desconto quer na aquisição de bens de consumo, quer na prestação de serviços.
Fernanda Valente

publicado por quadratura do círculo às 12:26
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