Terça-feira, 20 de Julho de 2004

Nuno Santos - Sobre uma capa

(...) Uma questão com seis meses: O Dr. Santana Lopes lançou por essa altura um livro. Chama-se “Causas de Cultura”. Sim, Cultura. Confesso a minha parca capacidade (se comparada com as do Dr. Pacheco Pereira ou do Professor Marcelo Rebelo de Sousa) para ler todos os livros (ou quase todos). Por isso não li este.
Mas a curiosidade levou-me um dia na livraria a senti-lo na mão e a passá-lo pelos dedos.
Detive-me na capa. O Dr. Pedro Santana Lopes ao lado de um grande arquitecto que um dia há-de terminar uma obra nunca iniciada por Santana em Lisboa. Mas o que me chamou a atenção não foi a postura de nenhum deles (quase como amigos ou companheiros de longa data, numa cruzada pela cultura e por causas de cultura). Detive-me no detalhe. Aquilo seria uma fotografia? Não parecia! Seria então uma pintura? Era o que parecia, de facto! Os meus olhos aproximaram-se e… Não era uma pintura. Nem uma fotografia!
Sorri sem gosto! O que ali estava na minha frente era algo de arrepiante, de facto!
Num acto de quase desespero, procurei a ficha técnica ou qualquer coisa na esperança de ainda encontrar um autor para aquela capa. Mas não havia!
As minhas suspeitas estavam confirmadas: o que ali estava nas minhas mãos era simplesmente a capa de um livro, concebida a partir de uma qualquer fotografia sem autor, tratada num programa de edição de imagem tipo Photoshop para que parecesse uma pintura.
De facto, o que ali estava à minha frente, não era nem foto, nem uma pintura. Era uma fraude intelectual, que desculpamos ao nosso filho no jornal da escola, mas que nos transforma o sorriso de gozo que não consegui primeiramente evitar, numa vontade de dizer: “eu não faço parte do mesmo Portugal”.
Esta classe política que hoje se contenta com este “volume” de cultura lançado pelo Dr. Santana Lopes é a mesma que suporta o desfoque que é feito sistematicamente em nome de ideais, políticas e progresso. Um desfoque que não visa já sequer “enganar” todos. Mas só os que não lêem o livro, os que não sabem o que é o Photoshop, os que não sabem o que é uma pintura e os que nem querem saber. E esses, são quase todos. Nesse aspecto, o trabalho do Dr. Pedro Santana Lopes quando passou pelo Governo com a pasta da cultura deverá ter sido brilhante. A pequena percentagem dos que notam a fraude continua a ser ínfima e não me consta que algum político esteja entre esses.
Nuno Santos
publicado por quadratura do círculo às 12:32
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