Segunda-feira, 12 de Julho de 2004

Rui Silva - Contra excessos

A sociedade portuguesa está a atravessar um período de grande turbulência intelectual e até de urbanidade, nomeadamente a sua classe politica personalizada nos notáveis ou audíveis de cada partido e não só.
Será possível que os eleitos ou elegíveis para definir, planificar e executar as políticas do nosso país assumam tão controversas e, por vezes, desbragadas posições?
Portugal, por via deste comportamento, está em crise - aceitem-na ou não a nossa classe política.
Como é possível compreender, sem revolta, os comentários ouvidos e vistos de personagens que parecem transtornadas, alteradas na sua intelectualidade, no seu dever de tratar com urbanidade e respeito o Presidente da República, o mais alto magistrado de Portugal?
O Presidente da República tomou uma decisão que, certamente, foi difícil.
Apoiou-se em sucessivas audiências a personalidades, partidos e instituições do Estado, a fim de sentir o pulsar da sociedade. Justificou a decisão tomada, nas suas vertentes mais importantes e comunicou a decisão.
Decidiu, assumindo a responsabilidade dessa decisão, num país em que a assunção de responsabilidades é difusa.
Se a sua decisão foi ou não a mais adequada, a história vindoura o julgará.
Numa democracia pluralista, como a nossa, há quem tenha gostado e quem não tenha.
É legítimo, é natural; mais, é de saudar porque a unicidade é mau presságio, em quase todos os exemplos.
Mostrar a concordância ou discordância sobre a decisão é importante, para os portugueses saberem com que quadro podem contar.
O que não é legítimo, não é natural e muito menos de saudar é os termos em que tal demonstração é feita.
Misturaram-se sentimentos pessoais com institucionais, interesses pessoais com interesses colectivos, sensatez com insanidade, respeito com falta de educação.
Parece-me que é um período para esquecer; ou talvez não, para lembrar como se não faz política.
Todos respeitariam, diziam, a decisão do supremo magistrado da nação; mentiram alguns, porque não o fizeram. Têm, isso sim, que a acatar, pois dela não há recurso.
Seria legítimo exigir comportamentos distintos aos que concordaram e aos que não concordaram; aos primeiros demonstrarem por palavras e actos que o Presidente estava certo e, aos segundos, trabalhar para provar que a decisão estava errada.
O Presidente da Republica não merecia o tratamento acintoso que lhe fizeram; nem ele nem os portugueses que nas eleições presidenciais votaram, por ele ou contra ele.
Quer se goste ou não se goste do seu estilo de magistratura, do conteúdo e do sentido da sua decisão.
A contenção nas palavras e na exposição das ideias é, ou devia ser, um atributo dos democratas.
De resto, parece que o que há pouco tempo se disse sobre o nível de alguns debates parlamentares frutificou.
Rui Silva
publicado por quadratura do círculo às 16:53
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds