Segunda-feira, 12 de Julho de 2004

JL Viana da Silva - Emoção do Euro

Desde a publicação do Erro de Descartes, de Damásio, que a emoção tem sido estudada na academia de uma forma entusiasmada. Damasio é um neurocientista e os seus estudos são de ordem fisiológica. Tem o cientista português tentado perceber melhor os sinais fisicos, corporais, consequentes, causados pela emoção. À volta desse estudo criou-se uma moda. Durante o Euro pôde constatar-se a produção artificial de emoção. O estudo de Damasio não engloba os contextos psico-sociais em que a emoção se expressa naturalmente. E quero dizer que a emoção vista e expressada por todos os portugueses não foi natural. Foi condicionada. Se Damásio pretendesse que a emoção tem causas bem específicas e pessoais, particulares, talvez a moda em torno do futebol não tivesse acontecido. Esta canalização que aconteceu foi condicionada e achada naturalmente cientifica por todos. Mas o que aconteceu foi uma reprodução das acções populares fascistas - ideologia há muito enterrada pelos estados democráticos. E o que falta à teoria de Damásio para que as politicas ideológicas não encontrem novos fundamentos para um novo fascismo? Pura e simplesmente uma interdisciplinareidade. Sobretudo, nas áreas da psicologia e da sociologia. E se as pessoas aderiram em massa à causa do futebol foi por que lhes faltou algo, que lhes falta algo. Se não tivesse acontecido o Euro em Portugal teriam aderido da mesma forma? Teriam aderido a quê se não tivesse acontecido, pura e simplesmente, o Euro? A necessidade de expressar uma emoção supõe-se real. Duvida-se é que essa necessidade tenha a ver com qualquer coisa parecida com um desporto! O ser humano define-se como um ser com necessidades, fisiológicas e psicológicas. A emoção natural não é mais que a expressão dessas necessidades no corpo. Não é mais que a expressão fisica do processo dessas necessidades! Canalizar uma suposta necessidade geral para um desporto parece um erro. Mesmo sendo geral, a necessidade, apenas será ela satisfeita pessoal e particularemnte, individualemente! O mecanismo é complexo mas se todos os portugueses tiverem fome esta necessidade primária não será satisfeita canalizando as suas acções no sentido de um acontecimento festivo! A festa será individual, de grupo, e pouco mais, conseguindo-se, assim, essa satisfação e consequente expressão emotiva. Não me parece que o povo português necessite da vitória de um Euro ou de um Mundial! De que necessitará o povo português? Sabendo de que necessita o povo português têm obrigação os politicos de o ajudar no processo de satisfação dessa necessidade! E não, o maior erro, distrai-lo em complexos emotivos que na realidade em nada o satisfazem, alienam e adiam, isso sim, a
real satisfação da sua necessidade!
JL Viana da Silva
publicado por quadratura do círculo às 13:08
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