Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

Rui Silva - Carreira da Pampilhosa

Li com atenção e inarrável espanto o artigo do Professor Vital Moreira publicado no Público de 6 de Julho de 2004, titulado “ A Carreira da Pampilhosa”.
Por motivos familiares conheço minimamente esta região, à qual se poderá aplicar o termo muito em voga nos discursos políticos, uma zona de grande densidade de pessoas desfavorecidas, quiçá das mais pobres da Europa.
É uma área pobre em quase tudo, excepto na riqueza interior das suas gentes; a agricultura, quando existe, é meramente de subsistência para “matar a fome”, a indústria desconhece-a desde a altura em que a resina deixou de ser um pouco o seu “o petróleo verde”, as rodovias esqueceram-se de passar por lá e a ferrovia nunca foi opção.
Esta região só aparece na comunicação social por motivo dos fogos e, quando eles se apagam, apaga-se a Pampilhosa da Serra.
Votada ao abandono, vivendo para sobreviver entre dois pólos, Coimbra e Castelo Branco, a rodovia é a única ligação que tem ao mundo exterior.
A “ carreira” é, para a generalidade da escassa população, o único meio que lhe permite sair dos pinhais que não arderam e demandarem outros locais, os próximos e os mais distantes.
Citando o Professor Vital Moreira, ele leu num jornal local que, dado o facto de não serem transferidas verbas compensatórias pela Autarquia Local para a empresa detentora do serviço da “carreira”, por perdas que alega ter no serviço prestado, esta encarava a hipótese de suspender tal serviço, as ditas “carreiras”.
Se lhe tirassem esse único meio de transporte colectivo, reduzia-se drasticamente a locomoção das gentes. Isolava-se, ainda mais, uma população já envelhecida, carente de todos os cuidados de saúde que lá não existem e os outros confortos e serviços proporcionados pela nossa sociedade.
Construía-se um muro de isolamento, transforma-se a região numa ilha em que nem sequer existiam barcos para ligar as suas margens.
Eu sei que o mundo em que vivemos é, exclusivamente, economicista.
Tudo se constrói (ou destrói) em função do lucro.
A consciência do social, a de serviço público são apenas palavras que se dizem num contexto eleitoral, sem implementação consequente.
A descentralização é bonita, mas não serve para muito.
Seria inadmissível que alguém tenha posto essa hipótese; contudo, se existisse, seria igualmente inadmissível que os poderes públicos (mesmo que alguns em fase de gestão corrente) o permitissem.
Seria uma decisão que poria em causa tudo aquilo que foi “vendido” no rescaldo do Euro 2004.
E, portanto, não pode acontecer.
E, porque certamente será mais uma não noticia, porque não vende, faço-lhe aqui referência, porque a concretizar-se seria um “escândalo” para um país que se diz no século XXI e na Europa “rica”
Rui Silva
publicado por quadratura do círculo às 13:05
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