Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

António Duarte - Baile de Máscaras

A crise Barroso está a degenerar em crise da classe dirigente. Anda tudo de máscara em punho, para disfarçar tácticas e assumir um papel aparente na feira da opinião pública.
Durão Barroso disfarçou o último desaire eleitoral do PSD com uma saída pela porta grande. Nomeou um sucessor para liderar uma equipa nova do mesmo partido de governo, disfarçando a responsabilidade pelo estado em que o país se encontra.
Santana Lopes aproveita a promoção. Disfarça assim a incomodidade por carregar esse fardo que é uma presidência da Câmara de Lisboa manchada por sucessivos desaires em grandes projectos de obras públicas e mascarada por inúteis e perdulárias campanhas de marketing (ficará célebre aquela em que Lopes incita os munícipes a "descobrirem" o "novo sistema de transportes" de Lisboa, que se compõe de autocarros, eléctricos, metro e barcos).
O novo líder eleito na secretaria disfarça que o seu governo será de ruptura - porque se não o for não vencerá eleições. Lava da crise as suas mãos, sugerindo ­ escudado por declarações mais incendiárias de correligionários da coligação ­ que a culpa pela dita é do Presidente da República. Disfarça a verdadeira causa da crise.
Paulo Portas disfarça, com palavras formais de respeito, a humilhação política ao Presidente da República que teve por palco o Palácio de Belém. Ao afrontar conscientemente o PR, manipulando os seus discursos sobre estabilidade e divulgando à Imprensa o documento que iria apresentar a Jorge Sampaio, Portas disfarça uma farsa: afrontando Sampaio, este, irritado com o atrevimento do PP, marcaria eleições antecipadas. Que é o que, na verdade, querem Santana Lopes e Paulo Portas.
Anda tudo a elaborar para que o que seja não pareça. Veja-se o PS, que pede eleições antecipadas. Será que as deseja mesmo? Será razoável pensar-se que o PS de Ferro Rodrigues terá os bons resultados que teve o PS de Sousa Franco nas europeias, se houver legislativas dentro de um par de meses?
O PS disfarça. Disfarçou a insegurança no tempo que demorou a reagir com uma proposta política. Disfarça agora, com um apelo às antecipadas, o receio objectivo de um confronto eleitoral próximo com uma dupla autoconfiante que acha que a história do duplo papel político do PSD na crise do governo do bloco central se pode repetir com uma reinvenção bicéfala de Cavaco Silva no conclave da Figueira da Foz.
O disfarce-mor é que, de repente, com sangue novo na coligação de governo, o povo verá - literalmente "verá" - uma "nova forma de fazer política", como assinalou Lopes. E as coisas vão mudar. Alguém disse melhorar? "As boas notícias de retoma da economia já chegaram aos indicadores; vão chegar às famílias", disse Portas na Televisão.
Viva o baile de máscaras!
António Duarte (jornalista)
publicado por quadratura do círculo às 12:28
link do post | comentar | favorito
|

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


.posts recentes

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Carlos Andrade - Suspensã...

. Teste

. João Brito Sousa - Futecr...

. Fernanda Valente - Mensag...

. António Carvalho - Mensag...

. João G. Gonçalves - Futec...

. J. Leite de Sá - Integraç...

. J. L. Viana da Silva - De...

. António Carvalho - Camara...

.arquivos

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds